    As Cinco Linguagens do Amor

                   Gary Chapman

Como expressar um compromisso de amor a seu

                         cnjuge

                      Com Guia de Estudos
             Ttulo original: The five love languages
                   Traduo: Iara Vasconcelos
                  Editora Mundo Cristo  1997
                      Idioma: Portugus-BR
       Digitalizado, revisado e formatado por SusanaCap
            www.portaldetonando.com.br/forumnovo/
               Para Karolyn, Shelley e Derek


                                       ***

                               Sumrio
                 Agradecimentos                                             2
                 1. O que Acontece com o Amor Aps o Casamento?             3
                 2. Cultivando o Amor que Agradece                          9
                 3. Apaixonando-se                                         14
                 4. A Primeira Linguagem do Amor: Palavras de Afirmao    24
                 5. A Segunda Linguagem do Amor: Qualidade de Tempo        39
                 6. A Terceira Linguagem do Amor: Receber Presentes        57
                 7. A Quarta Linguagem do Amor: Formas de Servir           70
                 8. A Quinta Linguagem do Amor: Toque Fsico               86
                 9. Descobrindo sua Primeira Linguagem do Amor             99
                 10. Amar  um Ato de Escolha                             107
                 11. O Amor Faz a Diferena                               115
                 12. Amando a Quem no Merece Nosso Amor                  121
                 13. Os Filhos e as Linguagens do Amor                    134
                 14. Uma Palavra Pessoal                                  144
                 Guia de Estudo para os Cnjuges e Discusso em Grupo     147




                           Agradecimentos

      O amor comea, ou pelo menos deveria comear, no lar. Para
mim, amor significa Sam e Grace, meu pai e minha me, que me
amaram durante mais de cinqenta anos. Sem eles, ainda estaria 
procura do amor, ao invs de escrever sobre ele. Lar tambm
significa Karolyn, com quem estou casado h mais de trinta anos. Se
todas as esposas amassem seus maridos como ela me ama, bem
poucos cometeriam atos de infidelidade. Shelley e Derek esto agora
fora do ninho, e exploram novos mundos, mas temos muita certeza
do amor que nutrem por ns. Sinto-me abenoado e sou muito grato.
      Jamais poderei pagar a influncia que recebi de um grande
nmero de profissionais, no que diz respeito a conceitos sobre o
amor. Entre eles, encontram-se os psiquiatras Ross Campbell, Judson
Swihart e Scott Peck. Com relao  orientao editorial, sou grato a
Debbie Barr e Cathy Peterson. A percia tcnica de Tricia Kube e
Don Schmidt tornou possvel terminarmos o projeto no devido prazo
para publicao. Por ltimo, e o mais importante, gostaria de
expressar minha gratido aos muitos casais que, ao longo destes vinte
anos, partilharam comigo o mais ntimo de suas vidas. Este livro 
um tributo  honestidade por eles demonstrada.


 1. O que Acontece com o Amor Aps o Casamento?

     Estvamos por volta de uns 12 mil metros de altitude, em
algum lugar entre Buffalo e Dallas, quando o meu companheiro de
viagem colocou a revista que lia na bolsa de seu banco, olhou em
minha direo e perguntou:
     -- Que tipo de trabalho voc faz?
      -- Sou conselheiro conjugai e dou seminrios na rea de
famlia -- respondi.
      Ele me disse ento que h muito tempo gostaria de fazer uma
pergunta para um conselheiro conjugai, e aproveitaria para formul-
la a mim, naquela hora. E perguntou:
      -- O que acontece com o amor aps o casamento? Desistindo
de tentar tirar um cochilo, perguntei-lhe:
     -- O que exatamente voc quer dizer?
      -- Bem, j me casei trs vezes e em cada uma delas tudo era
muito bonito at o enlace matrimonial. Em algum lugar, depois do
sim, as coisas mudavam. Todo amor que eu imaginava que tinha por
elas, e todo amor que elas pareciam ter por mim, evaporavam-se.
Posso dizer que sou uma pessoa inteligente. Sou um empresrio bem-
sucedido nos meus negcios, mas no consigo entender o porqu
dessa situao.
     Continuamos, ento, a conversar:
     -- Quanto tempo voc ficou casado?
       -- O primeiro casamento durou cerca de dez anos. O segundo,
trs, e o ltimo, seis anos.
      -- O amor evaporou-se imediatamente aps o casamento, ou
foi uma perda gradual?
      -- Bem, o segundo casamento j no deu certo desde o
comeo. No entendi o que aconteceu. Pensei que ns realmente nos
amvamos! No entanto, a lua-de-mel foi um desastre e depois disso
jamais nos recuperamos. Tivemos um perodo de seis meses de
namoro, um romance arrebatador. Estvamos realmente
entusiasmados. Mas... foi s nos casarmos, para que nossa vida
virasse uma batalha sem trgua. No primeiro casamento, tivemos uns
trs ou quatro anos bons, antes que o primeiro filho nascesse. Da em
diante ela deu toda sua ateno para a criana e parecia que no
precisava mais de mim!
     -- Voc disse isso a ela?
       -- Disse sim! Mas ela respondeu que eu estava maluco e no
compreendia o que era ser uma bab 24 horas por dia. Reclamou,
inclusive, que eu deveria ser mais compreensivo e ajud-la mais. Eu
tentei, mas parecia que no fazia diferena alguma. Daquela poca
em diante afastamo-nos ainda mais. Depois de certo tempo no havia
mais amor, s indiferena. Concordamos que o nosso casamento se
acabara.
     -- E seu ltimo casamento?
      -- O meu ltimo casamento? Eu realmente pensei que ele seria
diferente! J estava divorciado h trs anos. Namorei 24 meses com
minha esposa. Achei que realmente sabamos o que fazamos e pela
primeira vez na vida senti que realmente amava algum. Pensei que
ela me amasse de verdade!
     Ele prosseguiu:
      -- Acredito que jamais mudei depois do casamento. Continuei
a dizer-lhe que a amava, da mesma forma que fazia antes de nos
casarmos. Declarava o quanto ela era bonita e como estava orgulhoso
de ser seu marido. Porm... apenas alguns meses aps o casamento
ela comeou a reclamar. No incio era de coisas pequenas, tais como
o fato de eu no levar o lixo para fora ou no guardar minhas roupas.
Depois, comeou a agredir o meu carter, ao dizer-me que no podia
confiar em mim e acusou-me de ser-lhe infiel. Tornou-se totalmente
negativista. Antes de nos casarmos ela nunca fora pessimista; pelo
contrrio, era uma das pessoas mais otimistas que j conheci. E essa
foi uma das caractersticas que mais me atraiu nela. Ela jamais
reclamava de alguma coisa. Tudo que eu fazia era maravilhoso.
Bastou casarmo-nos, para que de repente eu no fizesse mais nada
certo! Ento gradativamente perdi meu amor por ela e fiquei
magoado. Era bvio que ela no me amava mais. Concordamos que
no havia mais motivo para continuarmos juntos e nos separamos.
     Ele fez uma pausa e continuou:
      -- Isso foi h um ano. Minha pergunta, ento, : O que
acontece com o amor aps o casamento? Minha experincia  algo
comum?  por isso que temos tantos divrcios? No d para
acreditar que isso tenha acontecido trs vezes comigo! E aqueles que
no se separam? Eles aprendem a viver com o vazio em seus
coraes, ou o amor permanece vivo em algum casamento? Se isso
sucede, como  que acontece?
      As perguntas feitas por meu companheiro de vo so as
mesmas realizadas hoje em dia por milhares de pessoas, sejam
casadas ou divorciadas. Algumas so dirigidas a amigos, outras a
conselheiros, a pastores, e outras apenas a si mesmos. Algumas
respostas so dadas em vocabulrio tcnico de psicologia, e so
simplesmente incompreensveis. Outras vezes so levadas para o
lado do humor. A maioria das piadas e frases contm alguma
verdade, mas, de forma geral,  como oferecer aspirina a uma pessoa
com cncer.
     O desejo de ter-se um amor romntico no casamento est
profundamente enraizado em nossa formao psicolgica. A maioria
das revistas populares possui pelo menos um artigo sobre como
manter o amor vivo no casamento. H uma infinidade de livros
escritos sobre o mesmo tema. Televiso e rdio abordam esse assunto
em programas e entrevistas. Manter o amor aceso em nossos
casamentos  um assunto muito srio.
      Mesmo com tantos livros, revistas e ajuda disponvel, por que
aparentemente to poucos casais parecem ter descoberto o segredo de
manter vivo o amor aps o casamento? Por que um casal que assiste
a um curso de comunicao e ouve as maravilhosas idias de como
melhorar o dilogo, volta para casa e no consegue colocar em
prtica os exerccios aprendidos? O que acontece, se depois de
lermos um artigo do tipo "100 Formas de Expressar Amor a Seu
Cnjuge" e colocarmos em prtica umas trs formas, que nos pare-
cem mais adequadas, nosso cnjuge ainda assim no reconhece
nosso esforo? -- Desistimos das outras 97 formas e retornamos ao
cotidiano de nossas vidas.
                     Devemos estar dispostos a
                   aprender a primeira linguagem
                    do amor de nossos cnjuges,
                     se quisermos comunicar o
                       amor de forma efetiva.
     A resposta s perguntas anteriores  o propsito desta obra.
No desejo afirmar que todos os livros e artigos j publicados no
ajudem. O problema  que no levamos em conta uma verdade
fundamental: As pessoas falam diferentes linguagens do amor.
      Na rea da lingstica h alguns grandes grupos de idiomas:
japons, chins, espanhol, ingls, portugus, grego, alemo, francs e
outros. A maioria de ns aprende somente a lngua de nossos pais e
irmos, nossa primeira linguagem, ou seja, nosso vernculo. Mais
tarde, podemos at aprender outros idiomas, mas em geral com mais
dificuldade. Ento surge o que chamamos de nossa segunda lingua-
gem. Falamos e compreendemos melhor nossa lngua nativa.
Sentimo-nos mais confortveis ao fal-la.
     Mas quanto mais utilizarmos uma lngua secundria, mais 
vontade nos sentiremos para express-la. Se falarmos somente nosso
idioma, e encontrarmos algum que tambm s fale o seu (diferente
do nosso), a comunicao entre ns ser bem limitada. Ser
necessrio apontar, murmurar, desenhar ou fazer mmica para
comunicar a idia que desejamos transmitir. Poderemos at nos
entender, mas ser uma comunicao bem rudimentar. As diferenas
de linguagem fazem parte da cultura humana. Se quisermos ter um
bom intercmbio cultural, ser necessrio aprendermos a linguagem
daquele com quem desejamos nos comunicar.
      O mesmo acontece no mbito do amor. Sua linguagem
emocional e a de seu cnjuge podem ser to diferentes quanto  o
idioma chins do ingls. No importa o tanto que voc se esforce
para manifestar seu amor em ingls, se seu cnjuge s entende
chins; jamais conseguiro entender o quanto se amam.
      O meu amigo do avio usava a linguagem das "palavras de
afirmao" para sua terceira esposa quando disse a ela o quanto a
achava bonita, o quanto a amava e o quanto se orgulhava de ser seu
marido. Ele utilizava a linguagem do amor, e era sincero, mas ela no
a entendia. Talvez ela procurasse o amor em seu comportamento,
mas no o encontrou. Ser sincero no  o suficiente. Devemos estar
dispostos a aprender a primeira linguagem de nosso cnjuge, se
quisermos comunicar eficazmente o nosso amor.
      Minha concluso, aps vinte anos de aconselhamento conjugai,
 que existem, basicamente, cinco linguagens do amor. Em
lingstica, um idioma pode ter inmeros dialetos e variaes.
Semelhantemente, com as cinco linguagens emocionais bsicas do
amor, tambm h vrios dialetos. Eles se encontram nos artigos das
revistas, tais como: "Dez Formas de Demonstrar Amor  Sua
Esposa"; "Vinte Maneiras de Segurar Seu Marido em Casa"; ou "365
Expresses do Amor Conjugal". No h dez, vinte, ou 365
linguagens bsicas do amor. Em minha opinio, h somente cinco.
No entanto, pode haver inmeros dialetos. O nmero de formas de se
expressar amor atravs da linguagem do amor  limitado apenas pela
imaginao das pessoas. O mais importante  falar a mesma
linguagem do amor de seu cnjuge.
      J se sabe h bastante tempo que no perodo da primeira
infncia uma criana desenvolve formas emocionais nicas. Por
exemplo, h algumas que possuem um padro muito baixo de auto-
estima, ao passo que outras o tm muito elevado. Algumas
desenvolvem padres de insegurana, enquanto outras crescem
sentindo-se seguras. Algumas se sentem amadas, queridas e
apreciadas, e outras, mal-amadas, incompreendidas e desapreciadas.
      As crianas que se sentem amadas por seus pais e amigos
desenvolvem a linguagem do amor emocional, com base em sua
formao psicolgica nica e tambm de acordo com a forma que
seus pais e outras pessoas prximas lhe deram carinho. Elas falaro e
entendero sua primeira linguagem do amor. Mais tarde elas podero
aprender outras lnguas para se comunicarem, mas sempre se sentiro
mais confortveis com o primeiro idioma que aprenderam. Crianas
que no se sentem amadas por seus pais e amigos tambm de-
senvolvero uma primeira linguagem do amor.
      O aprendizado dessa lngua, porm, ser distorcido e
apresentar defeitos da mesma forma que algum que recebe uma
educao com falhas na gramtica e desenvolve um vocabulrio
limitado. Essa limitao no significa que essas pessoas no venham
a ser boas comunicadoras. Implica, sim, que tero de trabalhar mais
diligentemente do que os que cresceram na atmosfera do amor
saudvel.
       muito raro que marido e mulher tenham a mesma primeira
linguagem emocional do amor. Nossa tendncia  falar nossas
primeiras linguagens do amor e ficamos confusos quando nosso
cnjuge no compreende o que desejamos comunicar. Expressamos
nosso amor, mas a mensagem no chega compreensvel porque, para
eles, o que falamos  uma lngua desconhecida. A se encontra o
problema. O propsito deste livro  oferecer uma soluo para esta
questo. Por isso me empenhei em escrever esta obra sobre o amor.
Uma vez que conheamos as cinco linguagens bsicas do amor e
compreendamos a nossa prpria, como tambm a de nosso cnjuge,
ento teremos a informao necessria para que coloquemos em
prtica as idias dos outros livros e artigos.
      Desde que voc identifique e aprenda a falar a primeira
linguagem do amor de seu cnjuge, creio que ter descoberto a chave
para um amor conjugai duradouro. O amor no pode evaporar-se
aps o casamento! Para mant-lo vivo, a maioria de ns ter de
aprender uma segunda linguagem do amor. No podemos confiar
somente em nossa lngua ptria, se nosso cnjuge no a compreende.
Se quisermos que ele compreenda o amor que lhe desejamos
comunicar, devemos express-lo na primeira linguagem do amor.


           2. Cultivando o Amor que Agradece

      Amor  o vocbulo mais importante em qualquer idioma -- e
tambm o que mais gera confuso! Pensadores, tanto seculares
quanto religiosos, concordam que este sentimento ocupa um papel
central em nossa vida. Diz-se que "o amor  uma coisa esplendorosa"
e "o amor faz o mundo girar". Milhares de livros, msicas, revistas e
filmes existem pela inspirao dessa palavra. Inmeros sistemas
filosficos e teolgicos estabeleceram um lugar de destaque para esse
sentimento. E o fundador da f crist coloca o amor como a ca-
racterstica que deve distinguir seus seguidores.1
      Psiclogos concluram que sentir-se amado  a principal
necessidade do ser humano. Por amor, subimos montanhas,
atravessamos mares, cruzamos desertos e enfrentamos todo tipo de
adversidade. Sem amor, montanhas tornam-se insuperveis, mares
intransponveis, desertos insuportveis e dificuldades avolumam-se
pela vida afora. O apstolo dos gentios, Paulo, exaltou o amor ao
afirmar que qualquer ato humano no motivado por esse sentimento
 em si vazio e sem significado. Concluiu que na ltima cena do
drama humano, somente trs caractersticas permanecero: "f,
esperana e amor. Porm, a maior delas,  o amor".2
       Se concordarmos que a palavra amor permeia a sociedade
humana, tanto no passado, como no presente, devemos admitir que
tambm  uma das mais confusas. Ns a utilizamos em milhares de
formas. Dizemos: "Eu amo cachorro quente!" e, numa outra frase:
"Eu amo minha me!" Ns a usamos para descrever atividades que
apreciamos: nadar, patinar e caar. Amamos objetos: comida, carros
e casas. Amamos animais: cachorros, gatos e at tartarugas. Amamos
a natureza: rvores, grama, flores e estaes. Amamos pessoas: me,
pai, filhos, esposas, maridos e amigos. Chegamos at a nos apaixonar
pelo prprio amor.
     Como se isso tudo no fosse suficientemente confuso, tambm
usamos a palavra amor para explicar determinados comportamentos:
"Agi dessa forma porque a amo". Essa explicao muitas vezes 
dada como desculpa. Um homem que se envolve em adultrio chama
esse relacionamento de amor. O pastor, por sua vez, chama-o de
pecado. A esposa de um alcolatra recolhe os "pedaos" aps o
ltimo "episdio" de seu marido. Ela chama essa atitude de amor; os
psiquiatras, porm, tratam-na como co-dependente. Um pai que
atende a todos os desejos de seu filho tambm chama essa atitude de
amor. Um terapeuta familiar chamaria de paternidade irresponsvel.
O que  um comportamento amoroso?
       O propsito deste livro no  o de desfazer a confuso que gira
em torno deste sublime sentimento, mas focalizar aquele tipo de
amor que  essencial a nossa sade emocional. Psiclogos infantis
afirmam que toda criana possui necessidades emocionais bsicas
que devem ser supridas para que se possa atingir uma estabilidade
emocional. Entre elas, nenhuma  to essencial quanto o amor, a
afeio e a necessidade de algum sentir que pertence a outro e 
querido. Com um suprimento adequado de afeio, uma criana
tornar-se- um adulto responsvel. Sem esse amor essencial, ele ou
ela ficar emocional e socialmente atrofiado.
      Logo que ouvi a metfora que cito a seguir, gostei muito dela:
"Dentro de cada criana h um `tanque emocional' esperando para
ser cheio com o amor. Se ela se sentir amada, desenvolver-se-
normalmente; porm, se seu "tanque de amor" estiver vazio, ela
apresentar muitas dificuldades. Diversos dos problemas de
comportamento de uma criana provm do fato de seu `tanque de
amor' estar vazio". Essa metfora foi dada pelo Dr. Ross Campbell,
um psiquiatra que se especializou no tratamento de crianas e
adolescentes.
      Enquanto eu o ouvia falar, pensei nas centenas de pais que, em
meu escritrio, desfilavam as inmeras reclamaes sobre seus
filhos. At ento, eu nunca pensara em uma criana daquelas como
um "tanque de amor" vazio, mas sem dvida via os resultados dessa
situao. Os problemas de comportamento apresentados eram uma
forma de procurar o amor que no recebiam. Eles buscavam o amor
nos lugares e nas formas erradas.
      Lembrei-me de Ashley que aos treze anos de idade cuidava de
uma doena sexualmente transmissvel. Seus pais estavam chocados.
Ficaram "uma fera" com a filha e tambm muito bravos com a
escola, a qual culpavam por ensinarem sobre sexo. "Por que  que ela
teve de fazer o que fez?", perguntavam.
                  No mago da existncia do ser
                   humano encontra-se o desejo
                   de intimidade e de ser amado.
                    O casamento foi idealizado
                  para suprir essas necessidades.
      Em minha conversa com Ashley, ela me falou do divrcio de
seus pais quando tinha apenas seis anos de idade.
      "Eu pensei que meu pai tinha ido embora porque no gostava
de mim! Quando minha me casou-se novamente eu estava com dez
anos de idade. Ento pensei que ela j tinha quem a amasse, e eu no
possua ningum. Eu desejava tanto ser amada por algum! E ento
conheci esse garoto l na escola. Ele era bem mais velho, mas
gostava de mim! Eu no conseguia acreditar! Ele era muito gentil
comigo e, por um tempo, acreditei que ele realmente gostava de
mim. Eu no queria fazer sexo, mas desejava desesperadamente ser
amada!"
     O "tanque de amor" de Ashley ficou vazio durante muitos
anos. Sua me e seu padrasto providenciavam tudo que ela
necessitava em termos materiais, mas no perceberam a enorme
carncia emocional que havia dentro dela. Eles certamente a amavam
e achavam que ela se sentia amada por eles. J era quase tarde
demais quando descobriram que no falavam a primeira linguagem
do amor de Ashley.
      A necessidade de algum ser amado emocionalmente, no
entanto, no  uma caracterstica unicamente infantil. Ela nos segue
pela vida adulta; inclusive no casamento. Quando nos apaixonamos,
temporariamente essa necessidade  suprida, mas ela se torna um
"quebra-galho" e, como acabamos descobrindo mais tarde, com
durao limitada e at prevista. Aps despencarmos dos pncaros da
paixo, a necessidade emocional de ser amado ressurge porque 
inerente  nossa natureza. Est no centro de nossos desejos
emocionais. Precisamos do amor antes de nos apaixonar e
continuaremos a necessitar dele enquanto vivermos.
       A necessidade de sermos amados por nosso cnjuge est na
essncia dos anseios conjugais. Recentemente certo cidado me
disse:
      "De que adianta ter manso, carros, casa na praia e tudo o
mais, se sua esposa no o ama?!"
     D para entender o que ele realmente desejava dizer? Era:
     "Mais do que tudo, eu desejo ser amado por minha esposa!"
     As coisas materiais no podem substituir o amor humano e
emocional. Uma esposa disse, certa vez:
     "Ele me ignora o dia inteirinho, mas  noite quer fazer sexo
comigo. Eu odeio isso!"
     Ela no odeia sexo, mas precisa desesperadamente do amor
emocional.
      Alguma coisa em nossa natureza clama por ser amado ou
amada. O isolamento  devastador para a psique humana. E por esse
motivo que o confinamento  considerado a mais cruel das punies.
No mago da nossa existncia h o ntimo desejo de sermos amados.
O casamento foi idealizado para atingir essa necessidade de
intimidade e de amor. Por esse motivo os antigos registros bblicos
dizem que o homem e a mulher tornam-se uma s carne. Isso no
significa que as pessoas perdero suas identidades; quer dizer que
ambos entraro nas vidas um do outro, de forma ntima e profunda.
O Novo Testamento desafia os maridos e as esposas a amarem-se
mutuamente. De Plato a Peck os escritores tm enfatizado a
importncia do amor no casamento.
      No entanto, esse amor que  to importante, tambm 
"escorregadio". Tenho ouvido a confisso de muitos casais contando
suas queixas secretas. Alguns chegam a mim porque a dor interior
tornou-se praticamente insuportvel. Outros, porque percebem que o
comportamento que assumem perante as falhas do cnjuge poder
levar o casamento  destruio. H tambm os que simplesmente
vm para falar que no querem mais continuar casados. Seus sonhos
de "viverem felizes para sempre" espatifaram-se contra o duro muro
da realidade. Repetidas vezes ouo as palavras:
      "Nosso amor terminou. O relacionamento morreu. Sentamo-
nos prximos um do outro, mas agora isso no existe mais. No
apreciamos mais ficar juntos. No nos completamos mais um ao
outro."
     Essas histrias testificam que tanto os adultos como as crianas
possuem "tanques de amor".
       Ser que l no interior de cada um desses casais machucados
existe um indicador invisvel de um "tanque" vazio? Ser que esses
comportamentos inadequados, separaes, palavras duras e esprito
crtico acontecem devido a esse "tanque" vazio? Se pudermos achar
uma forma de ench-lo, ser que o casamento renasceria? O "tanque"
cheio possibilitaria que os casais criassem um clima emocional onde
seria possvel discutir as diferenas e resolver os conflitos? Ser que
esse "tanque"  a chave para que um casamento perdure?
      Essas perguntas levaram-me a uma longa viagem. Em plena
estrada descobri os simples, porm poderosos pontos de vista
registrados neste livro. Essa caminhada levou-me no somente
atravs de mais de vinte anos de aconselhamento conjugai, mas
tambm s mentes e coraes de centenas de casais atravs da
Amrica do Norte. De Seattle a Miami, fui convidado a adentrar no
recndito do casamento de vrios casais e conversamos francamente.
As histrias apresentadas neste livro foram retiradas da vida real.
Nomes e lugares foram trocados para proteger a privacidade das
pessoas que falaram com toda a liberdade.
      Estou convencido de que manter cheio o "tanque de amor" do
casamento  to importante quanto manter o nvel do leo em um
automvel. Levar um casamento com o "tanque de amor" vazio pode
ser at mais difcil do que tentar dirigir um carro sem combustvel. O
que voc descobrir nesta obra tem o potencial para salvar milhares
de casamentos, podendo tambm melhorar o clima emocional de um
matrimnio que j esteja indo bem. Qualquer que seja a qualidade de
seu casamento, sempre pode melhorar.
      ADVERTNCIA: Compreender os cinco idiomas do amor e
aprender a falar a primeira linguagem do amor de seu cnjuge pode
alterar completamente o comportamento dele. As pessoas
relacionam-se de forma diferente quando seu "tanque de amor" est
cheio.
      Antes de examinarmos as cinco linguagens do amor,
precisamos abordar um outro importante, porm confuso fenmeno:
A eufrica experincia de apaixonar-se.


               Notas
      1. Joo 13.35
      2. 1 Corntios 13.13



                        3. Apaixonando-se

      Ela entrou em meu escritrio sem hora marcada e perguntou 
minha secretria se poderia falar comigo durante cinco minutos. Eu
conhecia Janice h muito tempo. Ela estava com 36 anos e nunca se
casara. Havia namorado vrios rapazes no passar dos anos: um deles
durante seis anos, outro durante trs e diversos por curtos perodos de
tempo. De vez em quando ela marcava uma consulta comigo para
conversar sobre alguma dificuldade especfica que estivesse atra-
vessando em algum de seus relacionamentos. Ela era, por natureza,
uma pessoa disciplinada, consciente, organizada, reflexiva e
cuidadosa. Era completamente fora de suas caractersticas aparecer
em meu escritrio sem ter hora marcada. Eu pensei: "S alguma crise
terrvel faria Janice vir aqui sem marcar hora!" Ento, eu disse 
minha secretria que a deixasse entrar. Eu realmente esperava v-la
debulhada em lgrimas, contando-me alguma trgica experincia
logo ao abrir a porta. No entanto, ela literalmente pulou para dentro
da sala, gritando animadamente. Perguntei-lhe:
      -- Como vai, Janice?
      -- tima! Nunca estive melhor em toda minha vida! Vou me
casar!
      --  mesmo? (Eu disse demonstrando minha surpresa!)
      -- Com quem? Quando?
      -- Com David Gallespie, em setembro.
    -- Isso  maravilhoso! H quanto tempo vocs esto
namorando?
      -- Trs semanas Sei que  loucura, Dr. Chapman, depois de ter
namorado tantos outros e de tantas vezes ter chegado perto do
casamento. Eu mesma no consigo acreditar, mas sei que o David  o
rapaz certo para mim! Pela primeira vez, ns dois descobrimos isso
juntos.  claro que no falamos sobre esse assunto na primeira vez
que samos, mas uma semana depois ele me pediu em casamento. Eu
sabia que ele me pediria e eu aceitaria. Nunca me senti assim antes,
Dr. Chapman. O senhor conhece os relacionamentos que tive nesses
anos todos e as lutas que enfrentei. Em cada um deles, alguma coisa
no dava certo. Nunca tive a certeza de que deveria me casar com
algum deles, mas agora sei que David  a pessoa preparada por Deus!
      Nesse momento Janice balanava-se para frente e para trs em
sua cadeira, rindo e dizendo:
      -- Sei que parece loucura, mas estou to feliz! Nunca estive
to feliz em toda minha vida.
       O que acontecia com Janice? Ela estava apaixonada. Em sua
mente, David era o homem mais maravilhoso que ela j conhecera.
Ele era perfeito em todas as formas e tambm se tornaria o marido
ideal. Ela pensava nele dia e noite. O fato de David j ter sido casado
duas vezes, possuir trs filhos e ter passado, somente no ano anterior,
por trs empregos diferentes, no lhe importava. Ela estava feliz e
convencida de que seria feliz para sempre ao lado dele. Ela estava
apaixonada.
     A maioria de ns entra para o casamento pela porta do amor.
Ocorre de conhecermos algum que possui caractersticas fsicas e
marcas em sua personalidade que disparam nosso sistema de alerta.
Os sinos tocam, e iniciamos o processo da descoberta de quem 
aquela pessoa. No primeiro encontro pode ser servido um
hambrguer ou um belo churrasco, dependendo do nosso oramento,
mas nosso real interesse no  a comida. Entramos em uma
empreitada para conhecer o amor. "Ser que esse sentimento ardente,
borbulhante dentro de mim pode ser algo real?"
      Algumas vezes essas borbulhas desaparecem logo no primeiro
encontro, ao descobrirmos que ela, ou ele, funga. Dessa forma, as
borbulhas escorregam por nossos dedos e no queremos mais comer
hambrguer com aquela pessoa. Outras vezes, porm, as borbulhas
aumentam mais ainda, aps aquele lanche. Arrumamos vrios outros
encontros e, pouco tempo depois, o nvel de intensidade chega a
ponto de afirmarmos: "Acho que estou apaixonada (o)!" Pensando
que o sentimento  algo real, contamos  outra pessoa esperando que
isso seja recproco. Se no , as coisas do uma esfriada, ou ento
redobramos nossos esforos para impressionar e acabamos,
eventualmente, conquistando o amor de nosso (a) amado (a). Quando
h reciprocidade comeamos a falar sobre casamento, porque todos
concordam que estar apaixonado  um alicerce necessrio para se
manter um bom casamento.
                        Nossos sonhos, antes de
                       nos casarmos, so de xtase
                      conjugai...  difcil pensar-se
                      qualquer outra coisa, quando
                          estamos apaixonados.
      Nesse patamar, estar apaixonado (a)  uma experincia
eufrica. Um fica emocionalmente obcecado pelo outro. Dorme-se
pensando nele (nela). Levanta-se e aquela pessoa  a primeira coisa
que nos vem  mente. Ansiamos por estar juntos. Gastar tempo um
com o outro  como estar na antecmara do cu. Quando andamos de
mos dadas,  como se nossos coraes batessem no mesmo
compasso. Beijaramos um ao outro para sempre, se no tivssemos
de ir  escola ou ao trabalho. O abraar estimula sonhos de
casamento e xtase. O rapaz apaixonado tem a iluso de que sua
amada  perfeita. A me pode ver falhas, mas ele, no. A me diz:
      -- Querido, voc j considerou o fato de que ela esteve em
tratamento psiquitrico durante cinco anos?
        Ele, porm, replica:
        -- Oh, me, d um tempo! J faz trs meses que ela est de
alta.
      Seus amigos tambm vem algumas falhas, mas no se atrevem
a dizer nada, a menos que ele pea, e as chances disso acontecer so
inexistentes porque, em sua cabea, ela  perfeita e o que os outros
pensam, no lhe importa.
     Nossos sonhos, antes de nos casarmos, so de xtase conjugai:
      -- Vamos fazer um ao outro superfelizes. Outros casais podem
discutir e brigar, mas isso no acontecer conosco! Ns nos amamos.
       Naturalmente, no ficamos de todo enganados. Sabemos, ao
utilizar o racional, que teremos algumas diferenas. Porm, temos
certeza de que conversaremos abertamente sobre elas, um de ns
ceder e assim chegaremos a um denominador comum.  muito
difcil pensar algo diferente quando se vive um clima de paixo.
      Somos levados a acreditar que, se realmente estivermos
apaixonados, esse amor durar para sempre. Os maravilhosos
sentimentos dos quais partilhamos no momento nos acompanharo
at o fim de nossas vidas. Nada se interpor entre ns. Estamos
enamorados e aprisionados pela beleza e charme da personalidade
um do outro. Nosso amor  a melhor coisa da qual j desfrutamos.
Notamos que alguns casais chegaram a perder esse sentimento, mas
isso nunca acontecer conosco. Fazemos, portanto, a seguinte
colocao:
     " possvel que eles nunca tenham sentido um amor verdadeiro
como o nosso!"
       Infelizmente, a eternidade da paixo  uma fico e no um
fato. A psicloga Dorothy Tennov desenvolveu longos estudos sobre
este fenmeno. Aps estudar os comportamentos entre os casais, ela
concluiu que o tempo mdio de extenso da obsesso romntica  de
dois anos. Se a paixo foi um fruto proibido, talvez dure um pouco
mais. Eventualmente, todos ns descemos das nuvens e pisamos com
nossos ps em terra novamente. Nossos olhos abrem-se e passamos a
enxergar as "verrugas" da outra pessoa. Descobrimos que alguns de
seus traos de personalidade so realmente irritantes. Seus padres
de comportamento aborrecem-nos. Possuem tambm capacidade para
machucar e irar-se, e utilizam tambm palavras duras e julgamentos
crticos. Esses traos que no percebemos quando estvamos
apaixonados tornam-se agora enormes montanhas. Ento nos
recordamos das palavras ditas por nossa me e perguntamos a ns
mesmos: "Como pude ser to tolo?"
      Bem-vindos ao mundo real do casamento, onde fios de cabelo
sempre estaro na pia e respingos brancos da pasta de dente estaro
no espelho; discusses ocorrem por causa do lado de se colocar o
papel higinico: se a folha deve ser puxada por baixo ou por cima. E
um mundo onde os sapatos no andam at o guarda-roupa e as
gavetas no fecham sozinhas; os casacos no gostam de cabides e ps
de meia somem quando vo para a mquina de lavar. Nesse mundo,
um olhar pode machucar, uma palavra pode quebrar. Amantes podem
tornar-se inimigos e o casamento um campo de batalha sem trgua.
      O que aconteceu com a paixo? Que coisa! Foi uma iluso que
nos enganou e levou-nos a assinar nossos nomes na linha
pontilhada... na alegria e na tristeza. No  de se admirar que tantos
amaldioem o casamento e o ex-cnjuge, a quem um dia amaram.
Alm disso, se fomos enganados, temos o direito de ficar bravos.
Ser que foi realmente amor? Acho que sim. O problema  que
houve falta de informao.
       A principal falha na informao  o falso conceito de que a
paixo dura para sempre. Deveramos saber disso. Uma simples
observao  o bastante para concluirmos que, se as pessoas
permanecessem obcecadas pela paixo, estaramos em grandes
apuros. As ondas da paixo iriam de encontro aos negcios, 
indstria,  igreja,  educao e ao restante da sociedade. Por qu?
Porque pessoas apaixonadas perdem o interesse nas outras coisas.
Por esse motivo tambm chamamos a paixo de obsesso. O
estudante colegial que entra em uma "paixo avassaladora", v suas
notas despencarem.  difcil concentrar-se nos estudos quando se
est apaixonado. Amanh vai cair na prova a Segunda Guerra
Mundial. Mas, quem se importa com essa guerra? Quando se est
apaixonado (a), tudo o mais parece irrelevante. Um certo senhor me
disse:
     -- Dr. Chapman, meu trabalho  estafante! Eu, ento, lhe
perguntei:
     -- O que voc quer dizer com isso?
      -- Eu conheci uma garota, apaixonei-me por ela e desde ento
no consigo fazer mais nada! No consigo concentrar-me no servio.
Fico o dia inteiro sonhando com ela!
      A euforia do estado de paixo concede-nos a iluso de que
estamos em um relacionamento bem ntimo. Sentimos como se nos
pertencssemos um ao outro. Passamos a pensar que somos capazes
de enfrentar qualquer problema que surja. Sentimo-nos altrustas em
relao um ao outro. Um jovem disse a respeito de sua noiva:
      "No consigo nem pensar em fazer algo que a magoe. Meu
nico desejo  v-la feliz!"
      Essa obsesso d-nos o falso sentimento de que nossas atitudes
egocntricas foram erradicadas e tornamo-nos um tipo de "Madre
Teresa de Calcut", de to desejosos que ficamos de fazer qualquer
coisa para o bem de nosso (a) amado (a). A razo pela qual nos
sentimos to  vontade para fazer tais coisas, deve-se ao fato de
sinceramente acreditarmos que a pessoa por quem estamos
apaixonados sente o mesmo por ns. Cremos que ela tambm est
comprometida em suprir nossas necessidades, e ama-nos tanto
quanto a amamos e tambm nada far para nos magoar.
      Esse modo de pensar  realmente uma utopia. No  que
sejamos hipcritas quanto ao que pensamos e sentimos, mas estamos
dominados por expectativas irreais. Cometemos um erro de avaliao
da natureza humana. Normalmente somos egostas. Nosso mundo
resume-se em ns mesmos. Ningum  inteiramente altrusta. A
euforia da paixo  que estabelece essa iluso.
      Uma vez que a experincia da paixo siga seu rumo normal (
bom lembrar que, em mdia, a paixo dura por volta de uns dois
anos), retornamos ao mundo real e comeamos a nos impor. Ele
expressa seus desejos, mas so diferentes dos dela. Ele deseja sexo,
mas ela est muito cansada! Ele quer comprar um carro novo, mas
ela diz que essa idia  um absurdo. Ela quer visitar os pais, mas ele
diz que no quer gastar tanto tempo com a famlia dela. Ele quer
jogar futebol, mas ela diz:
     -- Voc gosta mais de futebol do que de mim!!
     Gradativamente a iluso da intimidade dilui-se e os desejos
individuais, as emoes, os pensamentos e os padres de
comportamento assumem seus lugares. Tornam-se duas pessoas.
Suas mentes no se fundiram em uma s e suas emoes misturaram-
se superficialmente no oceano do amor. Agora, ento, as ondas da
realidade comeam a separ-los. Eles saem do domnio da paixo e
nesse ponto muitos desistem e separam-se, divorciam-se e partem em
busca de uma nova paixo; ou ento desenvolvem o rduo trabalho
de aprenderem a amar-se mutuamente sem a euforia da paixo.
                A experincia da paixo no possui
              enfoque em nosso prprio crescimento,
              nem no crescimento e desenvolvimento
             do cnjuge. Dificilmente tambm fornece
                       o senso de realizao.
      Alguns pesquisadores, entre eles o psiquiatra M. Scott Peck e a
psicloga Dorothy Tennov, chegaram  concluso de que a
experincia da paixo no deveria, de forma alguma, ser chamada de
amor. Dr. Peck concluiu que o apaixonar-se no  amor verdadeiro,
por trs razes:
      Primeira, apaixonar-se no  um ato da vontade nem uma
escolha consciente. No importa o quanto desejemos, no con-
seguimos apaixonar-nos voluntariamente. Por outro lado, mesmo que
no busquemos essa experincia, ela pode, simplesmente, acontecer
em nossa vida. Muitas vezes apaixonamo-nos no momento errado e
pela pessoa errada!
       Segunda, apaixonar-se no  amor verdadeiro porque no
implica em nenhuma participao de nossa parte. Qualquer coisa que
faamos apaixonados, requerer pouca disciplina e esforo. Os
longos e dispendiosos telefonemas realizados, o dinheiro gasto em
viagem para ficarmos juntos, os presentes, e todo trabalho envolvido,
nada representam. Da mesma forma que os pssaros constroem
instintivamente seus ninhos, a natureza da pessoa apaixonada
impulsiona na realizao de atos inusitados e no naturais, de um
para com o outro.
      Terceira, a pessoa apaixonada no est genuinamente in-
teressada em incentivar o crescimento pessoal daquela por quem
nutre sua paixo. "Se temos algum propsito em mente ao nos
apaixonarmos,  o de terminar nossa prpria solido e, talvez,
assegurar essa soluo atravs do casamento".1 A paixo no se
focaliza em nosso crescimento pessoal e nem tampouco no da outra
pessoa amada. Pelo contrrio, a sensao  a de que j se chegou
onde se deveria alcanar e no  necessrio crescer mais.
Encontramo-nos no pice da felicidade e nosso nico desejo 
continuar l. E nosso (a) amado (a), naturalmente, tambm no
precisa mais crescer, pois j  perfeito (a). Esperamos somente que
ele (ela) mantenha essa perfeio.
      Se apaixonar-se no  amor, ento o que ? Dr. Peck afirma: "E
um componente instintivo e geneticamente determinado do
comportamento de acasalamento. Em outras palavras, um colapso
temporrio das reservas do ego que constituem o apaixonar-se;  uma
reao estereotipada do ser humano a uma configurao de
tendncias sexuais internas e estimulaes sexuais externas, as quais
designam-se ao crescimento da probabilidade da unio e elo sexual,
tendo em vista a perpetuao da espcie".
      Quer concordemos ou no com essa concluso, os que dentre
ns se apaixonaram e tambm saram desse estado de paixo,
concluiro que essa experincia arremessa-nos a uma rbita
emocional diferente de qualquer outra que porventura
experimentamos. A tendncia  o rompimento com a nossa razo, o
que nos leva a fazer e a dizer coisas que nunca faramos, ou diramos
em momentos de maior sobriedade. De fato, quando samos desse
estado de paixo, questionamos como pudemos ter feito tais coisas.
Quando a onda da emoo passa e voltamos ao mundo real, onde as
diferenas so notrias, quantos de ns fizeram para si a pergunta:
     "Por que me casei? No combinamos em nada!" No entanto,
quando estvamos no auge da paixo, pensvamos que com-
binvamos em tudo -- pelo menos, em tudo que era importante.
      Isso significa que, por termos sido "fisgados" dentro da iluso
da paixo, encontramo-nos agora frente a duas opes: 1 -- estamos
destinados a uma vida miservel com nosso cnjuge, ou 2 --
devemos nos separar e tentar novamente? Nossa gerao tem optado
pela ltima deciso, ao passo que a anterior escolheu a primeira.
Antes de concluirmos automaticamente o fato de que fizemos a
melhor escolha, devemos examinar os dados. Atualmente, 40% dos
primeiros casamentos, nos Estados Unidos, terminam em divrcio;
60% dos segundos e 75% dos terceiros, tambm. Pelo que se pode
ver, a perspectiva de um segundo e terceiro casamentos felizes, no 
muito atingida.
      As pesquisas realizadas parecem indicar que existe uma
terceira e melhor alternativa: reconhecer que a paixo  o que  --
um pico emocional temporrio -- e ento desenvolver o amor
verdadeiro com nosso cnjuge. Esse tipo de sentimento  de natureza
emocional, mas no obsessivo.  o amor que une razo e emoo.
Envolve um ato da vontade e requer disciplina, pois reconhece a
necessidade de um crescimento pessoal. Nossa necessidade
emocional bsica no  apaixonar-se, mas ser genuinamente amado
(a) pelo outro;  conhecer o amor que cresce com base na razo e na
escolha e no no instinto. Preciso ser amado por algum que
escolheu me amar, que v em mim algo digno de ser amado.
      Esse tipo de amor requer esforo e disciplina.  a escolha que
fazemos de gastar nossa energia em benefcio da outra pessoa,
sabendo que, se sua vida  enriquecida por nosso esforo, tambm
nos sentimos satisfeitos -- a satisfao de termos realmente amado
algum. No exige a euforia na experincia da paixo. Para falar a
verdade, o amor verdadeiro no comea enquanto a experincia da
paixo no tiver seguido seu curso.
                      Amor racional, volitivo,
                     o tipo de amor para o qual
                     os sbios nos conclamam.
      No se deve levar em considerao os atos de bondade
praticados por algum que se encontre sob a influncia da paixo
obsessiva. Uma fora instintiva impulsiona e suscita aes que vo
alm do comportamento normal. Porm, um retorno ao mundo real
onde se inclui a escolha humana, permite optarmos por sermos gentis
e generosos, o que  o amor verdadeiro.
     A necessidade emocional de amor deve ser suprida se formos
emocionalmente saudveis. Adultos casados desejam sentir-se
amados por seus cnjuges. Sentimo-nos seguros quando nossos
companheiros aceitam-nos, desejam-nos e esto comprometidos com
nosso bem-estar. Durante o estgio da paixo sentimos todas essas
emoes.  fantstico enquanto dura. Nosso erro  achar que ela
nunca acabar.
      Essa obsesso, no entanto, no dura para sempre. Se
equipararmos o casamento a um livro, poderemos compar-lo 
introduo do mesmo. O mago desta obra  o amor racional e
volitivo. Esse  o tipo para o qual os sbios sempre nos conclamam.
E um amor intencional.
      Essa  uma boa notcia aos casais que perderam seus
sentimentos de paixo. Se o amor  uma opo, ento eles possuem a
capacidade de amar aps a experincia da paixo haver passado e
regressarem ao mundo real. Esse tipo de amor inicia-se com uma
atitude -- o modo de pensar. Amor  a atitude que diz: "Sou casado
(a) com voc e escolho lutar pelos seus interesses!" Ento, os que
optam por amar encontraro formas apropriadas para demonstrar
essa deciso.
      Algum pode comentar: "Isso parece to estril! Amor como
uma atitude e com um comportamento apropriado? Onde esto as
estrelas cadentes e as fortes emoes? Onde ficam a ansiedade do
encontro, a piscada de olho, a eletricidade do beijo e o entusiasmo do
sexo? E a segurana emocional de se saber que ocupamos o primeiro
lugar na mente da outra pessoa?"
      Este livro  exatamente sobre isso. Como suprir as profundas
necessidades de amor de uma pessoa? Se aprendermos e optarmos
por isso, ento o amor que compartilharmos tornar-se- melhor do
que qualquer coisa que possamos sentir enquanto dominados pela
paixo.
      Durante vrios anos tenho compartilhado o conceito das cinco
linguagens do amor em meus seminrios e nas sesses de
aconselhamento. Milhares de casais atestaro a validade do que voc
descobrir atravs desta leitura. Meus arquivos esto lotados de
cartas de pessoas com quem nunca me encontrei, dizendo: "Um
amigo meu me emprestou uma de suas fitas sobre s linguagens do
amor e sua mensagem revolucionou meu casamento. Tnhamos
tentado h anos amar-nos, mas no conseguamos. Agora que
falamos as linguagens adequadas do amor, o clima emocional de
nosso casamento tem melhorado muito!"
       Quando o "tanque do amor" emocional de seu cnjuge est
cheio e ele se sente seguro de seu amor, o mundo todo fica mais claro
e ele caminha para atingir o mais alto potencial de sua vida. Porm,
quando este "reservatrio" est vazio e ele se sente usado e no
amado, o mundo todo parecer escuro e no conseguir utilizar seu
potencial de vida. Nos prximos cinco captulos explicarei as cinco
primeiras linguagens emocionais do amor e ento, no de nmero 9,
ilustrarei como descobri-las, pois podem tornar seu esforo de amar
mais produtivo.


              Notas:
     1. M. Scott Peck, The Road Less Travelled (A Estrada Menos
     Percorrida) (New York: Simon & Schuster, 1978), pp. 89,90.
     2. Ibid., p. 90


   4. A Primeira Linguagem do Amor: Palavras de
                            Afirmao

      Mark Twain disse certa vez: "Um bom elogio pode me manter
vivo durante dois meses". Se tomarmos suas palavras ao p da letra,
seis elogios por ano manteriam seu "tanque do amor" em nvel
operacional. Sua esposa, porm, provavelmente precisar de mais do
que isso.
       Uma forma de se expressar o amor emocional  utilizar
palavras que edificam. Salomo, um dos escritores da Bblia,
escreveu: "A morte e a vida esto no poder da lngua; o que bem a
utiliza come do seu fruto".1 Muitos casais nunca aprenderam o
tremendo poder de uma afirmao verbal mtua. Mais tarde, este rei
acrescentou: "A ansiedade no corao do homem o abate, mas a boa
palavra o alegra".2
     Elogios verbais e palavras de apreciao so poderosos
comunicadores do amor. So os melhores comunicados em forma de
expresso direta e simples, como:
     "Voc ficou to elegante com esse terno!" "Voc est muito
bem com esse vestido!" "Ningum faz essas batatas melhor que
voc!"
      "Querido, muito obrigada por ter lavado a loua para mim esta
noite!"
     "Muito obrigada por pagar mais um dia da faxineira esta
semana. Quero que saiba que estou realmente grata!"
     "Muito obrigado por ter feito um jantar to gostoso!"
      O que dever acontecer ao clima emocional do casamento se o
marido e a mulher ouvirem essas palavras de afirmao
regularmente?
     Anos atrs eu estava em meu escritrio com a porta aberta
quando uma senhora apareceu de repente e perguntou:
     -- O senhor tem um minuto?
     -- Sim, claro -- respondi. Ela se sentou e disse:
     -- Dr. Chapman, estou com um problema. No consigo fazer
com que meu marido pinte o nosso quarto. J faz nove meses que lhe
peo diariamente, mas no tem adiantado. J tentei tudo o que podia,
mas no h jeito.
      Meu primeiro pensamento foi: "Minha senhora, parece que
voc bateu na porta errada. No temos pintores aqui". No entanto,
virei-me para ela e disse:
     -- Fale-me sobre isso. E ela comeou a contar:
     -- Bem, sbado passado foi um grande exemplo. Lembra-se
como o dia estava lindo? Sabe o que meu marido fez o dia inteiro?
Lavou e encerou o carro.
     -- E o que a senhora fez?
     -- Fui  garagem e disse:
     -- Bob, no consigo entend-lo. O dia hoje est perfeito para
pintar o quarto e voc est aqui lavando e encerando o carro!
     -- E seu comentrio deu certo? Ele foi pintar o quarto?
     -- No. O quarto encontra-se do jeito que estava, sem pintura.
No sei mais o que fazer!
     -- Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: A senhora  contra carros
limpos e encerados?
     -- No, mas quero que meu quarto seja pintado!
      -- A senhora tem certeza de que seu marido sabe que a senhora
gostaria que ele pintasse o quarto?
     -- Estou plenamente convicta. Tenho pedido isso a ele durante
nove meses.
     -- Deixe-me fazer-lhe mais uma pergunta: Seu marido faz
alguma coisa bem feita?
     -- Como o qu?
       -- Coisas como recolher o lixo, limpar os vidros de seu carro,
colocar combustvel no automvel, pagar a conta de luz, ajud-la a
vestir um casaco, etc.
     -- Sim, ele faz muito bem algumas dessas coisas.
      -- Ento, tenho duas sugestes. Primeira, nunca mais
mencione a pintura do quarto. Esquea e jamais fale com ele sobre
isso.
     Ela olhou para mim e disse:
     -- No vejo em que isso pode ajudar!
                      O objetivo do amor no 
             voc conseguir algo que deseje, mas fazer
               alguma coisa pelo bem-estar daquele a
                 quem ama. No entanto,  fato que,
              quando recebemos elogios, dispomo-nos
                mais a retribuir a gentileza recebida.
      -- Escute, voc acabou de dizer que ele j sabe qual  o seu
desejo: gostaria que ele pintasse o quarto. No  mais preciso dizer-
lhe isso. Ele j sabe. A segunda sugesto  a seguinte: na prxima
vez que seu marido fizer alguma coisa bem feita, expresse isso a ele
verbalmente, elogiando-o. Se ele levar o lixo para fora, diga-lhe algo
como "Bob, quero que voc saiba que sou muito grata por ter levado
o lixo para fora".
     -- No diga jamais:
      "Se demorasse mais para levar esse lixo para fora, as moscas
fariam isso por voc!"
     -- Quando ele pegar as contas para pagar, diga algo como:
      "Obrigada por pagar nossas contas; h maridos que no fazem
isso e quero que saiba que sou realmente muita grata!"
     -- Todas as vezes que ele fizer algo de bom, elogie-o.
     -- No vejo como isso pode fazer com que ele pinte o quarto!
     -- A senhora pediu meu conselho, eu o dei. Faa como achar
melhor!
     Ela no estava muito satisfeita comigo quando foi embora. Trs
semanas mais tarde ela voltou a meu escritrio e disse:
     -- Deu certo!
     Ela aprendeu que as palavras elogiosas so realmente
motivadoras.
      No sugiro que use de bajulao para conseguir o que deseja de
seu cnjuge. O objetivo do amor no  obter o que se quer, mas fazer
algo pelo bem-estar daquele a quem se ama.  verdade, porm, que
ao recebermos palavras elogiosas, de afirmao, tornamo-nos mais
motivados a sermos recprocos e a fazermos algo que nosso cnjuge
deseje.
                     PALAVRAS ENCORAJADORAS

      Elogio verbal  uma, entre as muitas formas de se expressar
palavras de afirmao ao seu cnjuge. Outra maneira: as palavras
encorajadoras. O termo encorajar significa "inspirar coragem". Em
determinadas fases da vida todos ns nos sentimos inseguros. No
possumos a coragem necessria, e esse medo impede-nos de
realizarmos certos atos positivos que gostaramos de concretizar. O
potencial latente de seu cnjuge, nestas reas de instabilidade, talvez
espere suas palavras de encorajamento.
       Allison sempre gostou de escrever. Mais tarde, na faculdade,
fez alguns cursos de jornalismo. Percebeu rapidamente que seu
entusiasmo em redigir superava, em muito, seu interesse pela
Histria, que fora sua matria predileta. J era muito tarde para que
mudasse de faculdade mas, aps se formar e antes de seu primeiro
filho, ela escreveu vrios artigos. Apresentou um deles  redao de
uma revista; porm, como no foi aceito, no teve mais coragem de
tentar novamente em outro lugar. Agora, com os filhos j mais
velhos e, com um pouco mais de tempo, ela resolveu voltar a
escrever.
      O marido de Allison, Robert, prestara pouca ateno nos
artigos dela nos primeiros anos de casamento. Ele se ocupara com
sua prpria carreira, pois desejava galgar todos os degraus de sua
empresa. Ainda em tempo, Robert percebeu que o real significado da
vida encontrava-se no em realizaes, mas nos relacionamentos. Ele
aprendeu a dar mais valor para Allison e aos interesses dela. Nesse
ritmo, foi natural que, em uma das noites, ele pegasse um dos artigos
escritos por sua esposa e o lesse. Ao terminar ele se dirigiu para onde
Allison lia um livro. Muito entusiasmado, ele disse:
      -- Desculpe interromper sua leitura, mas eu tenho que lhe
dizer uma coisa: Acabei de ler seu artigo "Aproveite seu Feriado".
Allison, voc  uma excelente escritora. Esta matria precisa ser
publicada. Voc escreve de forma clara e usa palavras que faz com
que o leitor consiga visualizar o que se relata. Seu estilo  fascinante.
Voc tem de levar este artigo para algumas revistas.
      -- Voc acha realmente? -- ela perguntou um pouco hesitante.
     -- Acho sim! Seu material  muito bom mesmo!
      Quando Robert saiu da sala, ela no continuou sua leitura. O
livro ficou aberto em seu colo e ela sonhou acordada durante meia
hora sobre o que o marido acabara de falar. Quis saber se outras
pessoas veriam seu artigo da mesma forma que seu esposo o
observara. Lembrou-se de quando lhe passaram um fax agradecendo,
porm dispensando seu artigo. Mas agora era diferente. Seus textos
estavam melhores. Ela havia amadurecido. Antes que levantasse para
pegar um copo d'gua, tomou uma deciso. Levaria seus artigos para
a apreciao de algumas revistas. Iria atrs da possibilidade deles
serem publicados.
      As palavras encorajadoras de Robert foram pronunciadas h
catorze anos. Allison j possui vrios artigos publica-
      dos desde ento, e agora j tem um contrato para escrever. 
uma excelente escritora. Porm, foram as palavras encorajadoras de
seu marido que a inspiraram e impulsionaram a dar o primeiro passo
no rduo processo de ter um artigo publicado.
       Talvez seu cnjuge possua alguma qualidade que tenha grande
potencial, mas se encontra adormecida. Aquela capacidade talvez
aguarde suas palavras encorajadoras. Quem sabe seja preciso que ele
(ela) se matricule em algum curso para desenvolver esse potencial.
Talvez seja necessrio que ele (ela) se encontre com algum da rea
em questo, para pegar algumas dicas do prximo passo a ser dado.
Suas palavras podem dar a seu cnjuge a coragem necessria para ele
ir atrs de seu sonho.
      Por favor, perceba que no falo para pressionar seu cnjuge a
fazer alguma coisa que voc queira que ele realize. Oriento sobre
como encoraj-lo a desenvolver alguma aptido que ele j possua.
Por exemplo, alguns maridos pressionam suas esposas a fazer
regime. Eles dizem que as encorajam, mas elas sentem isso como
uma condenao. Somente quando a pessoa, por si, decide perder
peso,  que voc deve encoraj-la. At que parta dela o desejo, suas
palavras pesaro como um sermo.  muito raro esse tipo de discurso
encorajador, pois soa mais como julgamento, destinado a estimular a
culpa. No expressa amor, mas rejeio.
                   Encorajamento requer empatia
             que nos leva a enxergar o mundo segundo
                   a perspectiva de nosso cnjuge.
               Devemos, em primeiro lugar, procurar
                 saber o que  importante para ele.
      Se, no entanto, seu cnjuge lhe disser: "Estou pensando em
fazer uma dieta neste vero!" A, ento, voc ter a oportunidade de
transmitir-lhe palavras encorajadoras, algo como: "Se voc fizer isso,
posso dizer-lhe que ser um sucesso! Essa  uma das coisas que
gosto em voc. Quando coloca algo na cabea, d um jeito de faz-
lo. Se isso  o que realmente deseja, farei o que puder para ajud-lo
(a). E no se preocupe com o preo do tratamento, pois daremos um
jeito em relao ao dinheiro". Tais palavras podero dar coragem
para que seu cnjuge ligue  clnica que promove aquela dieta.
      Encorajamento requer empatia que nos leva a ver o mundo da
perspectiva de nosso cnjuge. Devemos, primeiramente, aprender o
que  importante para ele (ela). A, ento, seremos capazes de
encoraj-lo (a). O encorajamento verbal comunica: "Eu sei. Eu me
preocupo. Estou do seu lado. Como posso ajud-lo?"  uma forma de
dizer que acreditamos nele (a) e em suas habilidades.  dar crdito e
louvor.
       A maioria de ns possui mais potencial do que poderamos
imaginar que tivssemos. O que nos segura , na maioria das vezes, a
falta de coragem. Um cnjuge amoroso pode ser um importante
catalisador.  natural que seja difcil elaborar e dizer palavras
encorajadoras. Talvez no seja sua primeira linguagem. Pode ser que,
para voc, seja necessrio grande esforo para aprender a falar essa
segunda lngua. Isso ser especialmente difcil se voc tem um
padro de palavras crticas e condenatrias. Porm, posso assegurar-
lhe que seu esforo ser recompensado.

                       PALAVRAS BONDOSAS

      O amor  esplendoroso. Se desejamos comunic-lo de forma
verbal devemos utilizar palavras bondosas. Isso tem a ver com a
forma atravs da qual nos expressamos. Uma mesma sentena pode
ter dois diferentes significados, dependendo de como ela 
apresentada. A frase "Eu amo voc", quando dita com bondade e
ternura, pode ser uma genuna expresso de amor. O que dizer da
mesma frase dita da seguinte forma: "Eu amo voc?" O ponto de
interrogao muda todo o significado. Algumas vezes nossas
palavras dizem uma coisa, mas o tom de voz afirma outra
completamente diferente. Enviamos mensagens dbias. Nosso
cnjuge, geralmente, interpretar a mensagem que lhe enviarmos
com base na tonalidade da voz e no nas palavras que usarmos. A
frase: "Eu fao questo de lavar a loua hoje a noite!", dita em tom
de voz cavernosa, no ser recebida como uma expresso de amor.
Por outro lado, podemos compartilhar mgoa, dor e mesmo raiva, de
maneira meiga, e aquela mensagem ser uma manifestao de amor.
Por exemplo: "Fiquei desapontada e magoada por voc no haver se
oferecido para me ajudar esta noite!", dita de forma honesta, gentil,
pode ser uma expresso de amor. A pessoa que fala quer ser
conhecida por seu cnjuge. Ao compartilhar seus sentimentos dar
um passo para aumentar a intimidade entre ambos. Solicitar uma
oportunidade para conversar sobre uma dor, a fim de cur-la. A
mesma palavra dita em voz alta, irritada, no ser uma expresso de
amor, mas sim de condenao e julgamento.
      A maneira como falamos  extremamente importante. O rei
Salomo disse com toda sabedoria: "A resposta branda desvia o
furor". Quando seu cnjuge estiver bravo, deprimido e disser
palavras agressivas, se voc optar em permanecer gentil, no
somente deixar de responder agressivamente, mas usar palavras
brandas. Receba o que ele diz como uma comunicao de seu estado
emocional. Permita que ele externe sua ira, raiva e sua percepo da
situao. Procure enxergar de seu ponto de vista e ento expresse de
forma bondosa e gentil sua opinio sobre o porqu dele (a) se sentir
daquela forma.
      Se voc entender errado o motivo da alterao de suas
emoes, reconhea o erro e pea perdo. Se a sua motivao for
diferente da que ele percebe, explique-a de forma gentil. Voc dever
procurar a compreenso e reconciliao e no provar seu ponto de
vista como a nica forma lgica para explicar o ocorrido. Isso  amor
maduro, o tipo que devemos aspirar se buscarmos o crescimento em
nossos casamentos.
       O amor jamais registra uma lista de erros. Ele no traz  tona
fracassos passados. Nenhum de ns  perfeito. No casamento, nem
sempre fazemos o melhor ou o mais certo. Faze- mos e dizemos
coisas duras a nossos cnjuges. Tambm jamais apaguemos o
passado. Devemos confessar e concordar que agimos mal. Peamos
perdo e tentemos agir diferentemente no futuro. Aps confessar a
falta e solicitar o perdo, no poderei fazer mais nada para aliviar a
dor causada a meu cnjuge. Quando erro com minha esposa e ela
expressa que foi magoada e sugere que eu pea perdo, preciso fazer
uma escolha: justia ou perdo. Se eu escolher a justia e tentar
compens-la, ou ento faz-la pagar por seu ato errado, farei de mim
mesmo um juiz e ela uma r. A intimidade torna-se impossvel de ser
restaurada. O perdo  o caminho do amor. Fico admirado como h
pessoas que misturam o dia de hoje com o de ontem. Insistem em
trazer para o presente os fracassos do passado e, ao fazerem isso,
estragam um dia potencialmente maravilhoso.
       "No posso acreditar que voc tenha feito isso!'' "No sei se
algum dia poderei esquecer isso!" "Voc no tem a menor idia de
como me magoou!" "No entendo como voc pode ficar a sentado
(a) to tranqilo (a) depois de ter me tratado dessa maneira!"
      "Voc deveria se ajoelhar e implorar o meu perdo!" "No sei
se conseguirei perdo-lo (la)!" Essas frases no so de amor, mas de
amargura, ressentimento e vingana.
                   Se desejamos desenvolver um
               relacionamento precisamos saber quais
                  so os desejos da pessoa amada.
                  Se queremos amar um ao outro,
                   precisamos saber como faz-lo.
      A melhor coisa que podemos fazer com os fracassos do
passado  torn-los em simples histria. Sim, eles ocorreram, e
certamente machucaram. E talvez ainda magoem, mas ele
reconheceu seu erro e pediu o seu perdo. No conseguimos apagar o
passado, mas podemos aceit-lo como experincia de vida. Vivamos
o dia de hoje livres das mgoas anteriores.
     O perdo no  um sentimento, mas um compromisso.  a
opo de se mostrar misericrdia e no de se jogar a ofensa no rosto
do ofensor. Perdo  uma expresso de amor.
      "Amo voc. Preocupo-me com voc e decido perdo-lo (la).
Mesmo que eu continue ainda por um tempo a sentir-me machucado
(a), no permitirei que o ocorrido interponha-se entre ns. Espero
que aprendamos com essa experincia. Voc no  um fracassado
porque teve um fracasso. Voc  meu marido (esposa) e juntos
continuaremos nossa caminhada."
      Estas so palavras de afirmao, ditas no dialeto de palavras
gentis.

                       PALAVRAS HUMILDES

      O amor faz solicitaes, no imposies. Quando dou ordens a
meu cnjuge, torno-me pai (me) e ele (ela) filho (a). O pai diz ao
filho de trs anos o que ele deve fazer, ou melhor, o que ele precisa
realizar. Isso  necessrio porque uma criana nesta idade ainda no
sabe como navegar nas traioeiras guas da vida. No casamento, no
entanto, somos iguais, parceiros adultos. No somos perfeitos, mas
adultos e parceiros. Se vamos desenvolver um relacionamento nti-
mo, precisamos conhecer os desejos um do outro. Se queremos amar
um ao outro, precisamos saber o que ele (ela) pretende.
      No entanto, a forma como expressamos esses desejos  muito
importante. Se os colocamos como ordens, eliminamos as
possibilidades da intimidade e afugentamos nosso cnjuge. Se, no
entanto, expressarmos nossas necessidades e desejos como pedidos,
apontaremos um caminho, mas no empurraremos ningum para ele.
O marido que diz: "Querida, sabe aquela torta de ma deliciosa que
voc faz? Ser que poderia preparar uma esta semana? Eu amo
aquela sobremesa!", conceder uma dica de como ela pode
expressar-lhe amor e, dessa forma, ambos crescero em intimidade.
Por outro lado, o esposo que diz: "Desde que nosso filho nasceu,
voc nunca mais fez aquela torta de ma. Pelo jeito, vou ficar sem
com-la por mais uns 18 anos", deixou de ser adulto e tornou a
comportar-se como um adolescente. Tais reclamaes no constroem
a intimidade.
     A esposa que diz: "Ser que voc poderia limpar a calha este
final de semana?", expressa amor ao fazer uma pergunta, um pedido.
Porm, a que diz: "Se voc no der um jeito de limpar logo essa
calha, ela vai acabar despencando do telhado. J existem brotos de
rvore nela e espalham-se por todos os lados!", no demonstra amor,
mas sim torna-se uma mulher dominadora.
      Quando algum faz um pedido a seu cnjuge, afirma as
habilidades dele. Faz entender que ele (ela) possui, ou pode fazer
algo, que  significativo ou valioso para o outro. No entanto, quando
d ordens, torna-se um tirano. Seu cnjuge no se sentir afirmado,
mas diminudo. O pedido implica no elemento escolha. Seu parceiro
pode atender ou no o seu pedido, porque o amor  sempre uma
deciso.  isso que o torna significativo. Saber que meu cnjuge
ama-me a ponto de atender meu pedido comunica emocionalmente
que ele (ela) se importa comigo, respeita-me, admira e deseja fazer
algo que me agrade. No h como desenvolver o amor emocional
atravs de intimaes. Meu cnjuge talvez obedea s minhas
ordens, mas isso no ser uma expresso de seu amor. Ser uma
forma de medo, culpa ou de alguma outra emoo, mas jamais de
amor. Ento, um pedido cria uma oportunidade de se expressar amor,
ao passo que uma ordem sufoca essa possibilidade.

                       DIALETOS VARIADOS

      Palavras de Afirmao so uma das cinco linguagens bsicas
do amor. Dentro desse idioma, no entanto, h vrios dialetos. J
falamos sobre alguns, mas ainda h muitos outros. Diversos livros e
artigos j foram escritos sobre esse tema. Todos eles tm em comum
o uso de palavras que afirmam o cnjuge. O psiclogo William
James diz que, possivelmente, a mais profunda necessidade humana
 a de ser apreciado (a). Palavras de Afirmao podero suprir essa
necessidade em muitas pessoas.
      Se voc no  um homem, ou mulher que gosta de expressar
palavras amorosas; se essa no  sua primeira linguagem mas acha
que  a de seu cnjuge, sugiro que adquira uma caderneta e chame-a
de "Palavras de Afirmao". Quando voc ler um artigo ou um livro
romntico, escreva ali algumas palavras de afirmao que tenha
gostado. Quando assistir a alguma palestra sobre amor, ou ouvir
algum amigo dizer alguma coisa positiva sobre outra pessoa, anote.
Com o tempo voc ter colecionado uma lista de palavras para serem
usadas ao transmitir amor a seu cnjuge.
      Outra coisa que se deve fazer  pronunciar palavras de
afirmao de forma indireta, ou seja, dizer algo positivo sobre seu
cnjuge, mesmo na ausncia dele. Eventualmente, algum
transmitir a ele (ela) o que voc disse; e assim ganhar os bnus do
amor. Diga a sua sogra que a filha dela  sensacional. Possivelmente,
quando ela contar isso a sua esposa, com certeza aumentar alguma
coisa e voc acabar ganhando mais crdito. Tambm elogie seu
cnjuge na frente dos outros quando ele, ou ela, estiver presente. E
quando voc for o alvo do elogio, certifique-se de repartir o crdito
com seu cnjuge.
      H muitas outras formas de se dizer palavras de afirmao,
entre elas, escrev-las. Frases escritas tm a vantagem de serem lidas
vrias vezes.
       Aprendi uma lio muito importante sobre palavras de
afirmao e linguagens do amor em Little Rock, Arkansas. Minha
visita a Bill e Betty Jo ocorreu em um belo dia da primavera. Eles
moravam em um condomnio fechado, em uma casa com uma
gradinha na frente, um gramado bem verde no jardim e canteiros de
viosas flores. Era uma viso idlica. Ao entrar, porm, percebi que o
clima interior era bem diferente. O casamento deles desmoronara.
Aps vinte anos de matrimnio e possuidores de duas lindas
crianas, perguntavam-se, primeiramente, por que haviam se casado.
Discordavam de tudo. A nica coisa com que concordavam  que
ambos amavam os filhos. Ao desenrolar sua histria, percebi que Bill
era muito dedicado ao seu trabalho e muito pouco tempo oferecia a
Betty Jo, sua esposa, a qual trabalhava meio perodo, possivelmente
para no permanecer dentro de casa. A forma de convivncia entre os
dois era a de evitarem estar juntos. Tentavam ficar longe um do outro
para que seus conflitos no assumissem propores maiores. O
ponteiro do mostrador do "tanque de amor" de cada um deles
apontava para o termo "vazio".
     Disseram que j tinham procurado aconselhamento; porm, em
nada adiantara. Eles assistiriam ao meu seminrio sobre casamento e
eu partiria no dia seguinte. Aquele, portanto, seria meu nico
encontro com Bill e Betty. Resolvi, ento, "colocar todos os ovos em
uma cesta s".
      Gastei uma hora em particular com cada um. Ouvi atentamente
as verses de suas histrias. Percebi que, apesar do vazio existente no
relacionamento deles e do desacordo reinante naquela convivncia,
havia certas coisas que apreciavam um no outro. Bob disse-me:
      "Ela  uma boa me, uma excelente dona de casa e uma eximia
cozinheira... quando resolve cozinhar. Porm, no demonstra a
menor afeio por mim. Trabalho feito um louco e simplesmente no
h por parte dela o menor reconhecimento".
      Em minha conversa com Betty ela concordou que Bill era um
excelente provedor. Ela, no entanto, reclamou:
      "Ele no move uma palha para me ajudar em casa e nunca tem
tempo para mim. O que adianta ter esta casa, o carro novo e todas as
outras coisas se no podemos curti-los juntos?"
      Obtive mais informaes e ento decidi focalizar meu
aconselhamento em dar a mesma sugesto para cada um. Disse a Bob
e a Betty Jo separadamente que eles possuam a chave para mudar o
clima emocional do casamento. Eu lhes afirmei:
      "Essa chave  expressar a apreciao pelas coisas que gosta
nele (nela) e, no momento, suspender as reclamaes sobre o que no
se agrada."
      Repassei com eles os comentrios positivos que fizeram um do
outro e ajudei-os a fazer uma lista desses traos positivos. A relao
de Bill focalizava as atividades de Betty Jo como boa me, excelente
dona de casa e exmia cozinheira. A lista de Betty Jo registrava a
dedicao de Bill ao trabalho e sua proviso financeira  famlia. As
relaes foram feitas da forma mais detalhada possvel. A lista de
Betty Jo ficou assim:


 Ele no faltou um dia de trabalho em vinte anos.  um trabalhador
dinmico.
 Ele recebeu vrias promoes nesses anos todos. E sempre deseja
aumentar sua produtividade.
 Ele paga as prestaes da casa mensalmente.
 Ele paga as contas de gua, gs e luz em dia.
 Ele nos comprou um carro novo h trs anos.
 Ele corta a grama, ou arruma algum para faz-lo, semanalmente,
durante a primavera e o vero.
 Ele varre as folhas ou contrata algum para faz-lo durante o
outono.
 Ele providencia bastante dinheiro para alimentao e roupas da
famlia.
 Ele leva o lixo para fora nos dias de sua coleta.
 Ele me d dinheiro para comprar presentes de Natal para toda a
famlia.
 Ele concorda que eu gaste o dinheiro que recebo em meu emprego,
da forma que eu desejar.


A lista de Bill ficou assim:


 Ela arruma as camas todos os dias.
 Ela passa o aspirador na casa uma vez por semana.
 Ela leva diariamente as crianas para a escola, depois de dar-lhes
um bom caf da manh.
 Ela faz janta trs vezes por semana.
 Ela realiza as compras no supermercado. Ajuda as crianas a fazer
seus deveres de casa.
 Ela leva e traz as crianas quando h atividades na escola e na
igreja.
 Ela leciona para crianas pequenas na Escola Dominical.
 Ela leva minhas roupas ao tintureiro.
 Ela lava as roupas e passa quando  preciso.


      Sugeri que acrescentassem a essas listas coisas que per-
cebessem nas semanas seguintes. Solicitei tambm que duas vezes
por semana selecionassem alguma atitude positiva do outro e
elogiassem. Dei-lhes ainda uma recomendao que se Bill a
elogiasse, ela no lhe respondesse com outro elogio, mas deveria
simplesmente receb-lo e dizer:
      "Muito obrigada por suas palavras."
       Disse a mesma coisa a Bill. Encorajei-os a proceder dessa
maneira durante dois meses e, se achassem que funcionava, deveriam
ento continuar. Se, no entanto, a experincia no ajudasse a
melhorar o clima emocional do casamento, eles deveriam
simplesmente encarar tudo aquilo como outra tentativa que no dera
certo.
      No dia seguinte peguei o avio e voltei para casa. Anotei em
minha agenda para dois meses depois ligar a Bill e Betty, a fim de
saber o que acontecera. Quando lhes telefonei, j em pleno vero,
pedi para falar particularmente com cada um. Fiquei impressionado
ao notar que Bill dera um grande passo  frente. Ele percebeu que eu
concedera o mesmo conselho  sua esposa, mas encarara tudo de
forma positiva. Para falar a verdade, ele achou timo! Ela expressava
apreciao pelo seu trabalho duro e pela proviso que dava  famlia.
Ele disse:
    "Ela realmente conseguiu fazer com que eu me sentisse um
homem novamente. Ainda temos muito trabalho pela frente, Dr.
Chapman, mas acredito francamente que estamos no caminho certo."
     Quando conversei com Betty Jo, no entanto, achei que ela dera
um passo muito pequeno. Ela me falou:
      "Alguma coisa melhorou, Dr. Chapman. Bill elogia-me, como
o senhor sugeriu, e acredito que haja sinceridade nisso. Mas ele ainda
no gasta nenhum minuto comigo. Trabalha o tempo todo e no tem
uma hora para mim."
      Enquanto eu ouvia Betty Jo, as "luzes" acenderam. Sabia que
fizera uma grande descoberta. A linguagem do amor de uma pessoa
no  necessariamente a mesma da outra. Era bvio que a primeira
linguagem do amor de Bill era "Palavras de Afirmao". Ele era um
trabalhador dedicado e apreciava seu emprego. O que ele mais queria
de sua esposa era que ela expressasse admirao por isso. Aquele
padro foi provavelmente estabelecido em sua infncia, e a
necessidade de receber elogios ainda era premente em sua vida adul-
ta. Betty Jo, por sua vez, possua uma carncia emocional em outra
rea. Era-lhe agradvel receber elogios, mas ansiava por algo mais,
exatamente a segunda linguagem do amor.


              Notas

     1. Provrbios 18.21
     2. Provrbios 12.25



  5. A Segunda Linguagem do Amor: Qualidade de
                               Tempo

     Era o meu dever perceber qual a primeira linguagem do amor
de Betty Jo, logo no incio, pelo que ela me disse naquela noite de
primavera quando os visitei em Little Rock:
      "Bill  um bom provedor, mas no gasta tempo algum comigo!
Do que me servem a casa, o carro novo e as demais coisas se no os
"curtimos" juntos?"
     O que ela desejava? Ter um tempo de qualidade com seu
marido. Ela queria que ele focalizasse nela a sua ateno, que lhe
dedicasse mais tempo e pudessem realizar algumas atividades juntos.
      Quando digo "Qualidade de Tempo" desejo afirmar que voc
deve dedicar a algum sua inteira ateno, sem dividi-la. No
significa sentar no sof e assistir televiso. Quando o tempo  gasto
dessa forma, quem recebe a ateno so as estaes de TV, e no o
cnjuge. O que pretendo afirmar  algo como sentar-se ao sof com a
televiso desligada, olhar um para o outro e conversar, no processo
de dedicao mutua.  dar um passeio juntos, s os dois.  ambos
sarem para comer fora,  um olhar nos olhos do outro e conversar.
Voc j percebeu que, nos restaurantes,  perfeitamente possvel
notar a diferena entre um casal de namorados e um de casados? Os
namorados miram-se nos olhos e "batem papo". Os casados sentam-
se  mesa e olham ao redor do restaurante. Pode-se dizer que foram
ali apenas para comer!
     Quando me sento ao sof com minha esposa e dedico-lhe vinte
minutos de minha inteira ateno e ela faz o mesmo por mim,
concedemos um ao outro vinte minutos de nossa existncia. Nunca
mais teremos aquele tempo novamente! Entregamos ali parte de
nossas vidas um ao outro. Esse  um poderoso comunicador do amor
emocional.
      Um nico remdio no pode curar todas as enfermidades
existentes. Em meu aconselhamento para Bill e Betty Jo, cometi um
erro muito srio, pois afirmei que palavras de afirmao teriam o
mesmo significado para os dois. Esperava com isso que, se cada um
deles desse ao outro uma afirmao verbal, o clima emocional
mudaria e ambos sentir-se-iam amados. Isso funcionou para Bill.
Seus sentimentos em relao a Betty Jo tornaram-se mais positivos.
Ela passou a apreciar mais o trabalho duro que ele desempenhava.
Porm, o mesmo no ocorreu com Betty Jo, porque "Palavras de
Afirmao" no era sua primeira linguagem do amor, mas sim a
qualidade de tempo.
      Peguei novamente o telefone, liguei para Bill e agradeci-lhe o
esforo feito nos ltimos dois meses. Disse-lhe que ele fizera um
bom trabalho ao dizer palavras de afirmao para Betty Jo e ela as
ouvira. Ele me disse:
      -- Mas Dr. Chapman, ela ainda continua triste. Acho que as
coisas no melhoraram muito para ela!
     E eu lhe respondi:
      -- Voc tem razo, Bill. E acho que sei o porqu. O problema
 que sugeri a linguagem do amor errada!
      Bill no tinha a menor noo do que eu estava falando.
Expliquei-lhe ento que os motivos que levam uma pessoa a
experimentar o amor emocional por outra no so necessariamente os
mesmos.
     Ele concordou comigo que a sua linguagem do amor era
      realmente "Palavras de Afirmao". Contou-me ento que
desde menino isso era importante para ele e estava contente ouvir
Betty Jo expressar apreciao pelas coisas que ele fazia. Expliquei,
ento, que a linguagem de Betty Jo no era "Palavras de Afirmao",
mas sim qualidade de tempo. Passei-lhe tambm o conceito de
dedicar ateno integral ao cnjuge, dizendo-lhe que no deveria
ouvi-la enquanto lia jornal ou assistia televiso, mas sim olh-la nos
olhos e dedicar-lhe toda a ateno; fazer com o cnjuge algo que ele
aprecia, e ser realmente sincero nessa atividade. Ele ento me disse:
"Algo como ir com ela a um concerto..." As luzes comeavam a
brilhar em Little Rock.
      -- Dr. Chapman, ela sempre reclamou disso! Ns no temos
atividades em comum. Realmente no gasto sequer um momento
com ela. Betty Jo lembra-me o tempo todo que antes de nos
casarmos, costumvamos passear e tnhamos vrias atividades juntos,
mas agora vivo ocupado demais. Essa  realmente sua linguagem do
amor, sem sombra de dvida. Mas... Dr. Chapman, o que eu posso
fazer, se meu trabalho realmente exige muito de mim!?
      Pedi-lhe, ento, que me falasse sobre seu servio. Por dez
minutos ele me contou a histria de como subira os degraus de sua
firma, de quo arduamente trabalhara para isso e orgulhava-se de
seus feitos. Falou-me tambm de seus planos para o futuro e que,
pelos seus clculos, dentro de cinco anos chegaria ao posto que
sonhava.
     Perguntei-lhe ento:
     -- Voc quer chegar l sozinho, ou deseja a companhia de
Betty Jo e de seus filhos?
      -- Quero que eles estejam comigo.  por isso que sofro tanto
quando ela reclama do tempo que gasto no servio. Realizo o que
fao por ns. Quero que ela participe disso, mas Betty insiste em
reagir negativamente.
      -- Voc comea a entender o porqu dela ser to negativa Bill?
A linguagem do amor de Betty Jo  "Qualidade de Tempo". Voc lhe
dedica to pouco tempo que o "tanque do amor" dela est vazio. Ela
no sente segurana em seu amor. Por isso, em sua mente, ela rejeita
o que o afasta dela, ou seja, seu trabalho. Ela realmente no odeia sua
profisso. Ela detesta o fato de sentir to pouco amor de sua parte. S
h uma soluo para isso, Bill, e o preo  alto. Voc ter de arrumar
um tempo para gastar com Betty Jo. Voc precisa am-la na
linguagem dela.
      -- O senhor est certo, Dr. Chapman. Como devo comear?
      -- Voc ainda tem o caderno onde anotou as caractersticas
positivas de Betty Jo?
      -- Tenho, est bem aqui.
      -- timo. Faa uma outra lista. O qu, em sua opinio, Betty
Jo gostaria de realizar em sua companhia? Procure lembrar-se de
coisas que ela j mencionou ao longo dos anos.
      E a lista de Bill ficou assim:


 Pegar nosso carro novo e irmos para as montanhas passar uma
semana (s vezes com as crianas, ou somente ns dois);
 Encontr-la para almoar (em um bom restaurante ou, algumas
vezes, at no McDonald's);
 Contratar uma bab para cuidar das crianas e juntos jantarmos fora
(s ns dois);
 Todas as vezes que eu chegar em casa  noite, sentar e contar a ela
sobre meu dia e ouvir o que ela tem a dizer sobre o dela (ela no
gosta que eu veja televiso ou leia quando conversamos);
 Gastar um tempo com os filhos, e discutir a vida escolar deles;
 Gastar um tempo s brincando com as crianas;
 Fazer em um determinado sbado um piquenique com ela e as
crianas e no reclamar das formigas e nem das moscas;
 Tirar frias com a famlia, pelo menos uma vez por ano;
 Sair para conversarmos, enquanto caminhamos (mas sem andar na
frente dela).


     Ao terminar a lista, Bill disse:
     -- So essas as coisas das quais me recordo, que ela fala ao
longo de todos estes anos.
     -- Voc j sabe o que eu vou sugerir-lhe, no , Bill?
     -- Colocar essa lista em prtica, no ? -- respondeu ele.
      --  isso mesmo. Um tpico da lista por semana, durante os
prximos dois meses. Como voc vai arrumar tempo? D um jeito.
Voc  um homem inteligente e no estaria onde est se no
soubesse tomar decises importantes. Voc possui a habilidade para
planejar sua vida e incluir Betty Jo em seus planos.
     -- Est certo. Vou dar um jeito.
      -- Outra coisa, Bill. Tal projeto no implica na diminuio de
seus alvos. Significa que, quando voc chegar ao topo, Betty Jo e
seus filhos estaro l com voc.
                  O aspecto central da "Qualidade
                     de Tempo"  estar prximo.
               No quero dizer simples proximidade...
                       O estar junto tem a ver
                     com o focalizar a ateno.
      -- E isso o que eu mais desejo! Esteja eu no topo ou no, quero
que ela seja feliz e pretendo desfrutar a vida ao seu lado e das
crianas.
       E os anos se passaram... Bill e Betty Jo chegaram ao topo,
apesar de um pequeno revs na vida, graas  linguagem do amor. O
mais importante, porm,  que alcanaram a vitria juntos. Os filhos
j deixaram o ninho e eles concordam que vivem os melhores anos
de suas vidas. Bill tornou-se um sincero apreciador de concertos e
Betty Jo aumentou a lista dos tpicos que aprecia no esposo. Ele no
se cansa de ir ao teatro. Comeou recentemente sua prpria
companhia e est novamente prximo ao topo. Seu trabalho j no 
uma ameaa para Betty Jo. Ela est animada e encoraja-o bastante.
Ela sabe que est em primeiro lugar na vida do marido. Seu "tanque
do amor" est cheio, e se comear a esvaziar, ela sabe que uma
simples solicitao sua far com que Bill conceda-lhe ateno
irrestrita.

                           ESTAR JUNTOS

      O aspecto central da "Qualidade de Tempo"  estar sempre
juntos. No quero dizer simples proximidade. Duas pessoas sentadas
em uma mesma sala esto prximas, mas no necessariamente juntas.
O estar junto tem a ver com o focalizar a ateno. Quando um pai
est sentado no cho e brinca de bola com seu filho de dois anos, sua
ateno est focalizada na criana e no na bola. Naquele momento,
por mais breve que seja, enquanto durar, eles esto juntos. Se, no
entanto, o pai fala ao telefone enquanto chuta a bola para o filho, sua
ateno est dividida. H maridos e esposas achando que gastam o
tempo juntos mas, na realidade, simplesmente vivem prximos.
Esto na mesma casa, ao mesmo tempo, mas no esto juntos. Um
marido que assiste a uma sesso de esportes na televiso enquanto
conversa com a esposa no lhe concede "Qualidade de Tempo", pois
ela no recebe sua total ateno.
      Dedicar "Qualidade de Tempo" no significa olhar nos olhos
um do outro o tempo todo. Quer dizer fazer coisas juntos e conceder
ateno total a quem est conosco. A atividade com a qual nos
envolvemos  secundria. A importncia  emocional e refere-se 
ateno total que concedemos e recebemos. A atividade em si  um
veculo que proporciona o sentimento da interao. O que 
importante no fato do pai chutar a bola para o filho de dois anos, no
 a atividade em si, mas as emoes suscitadas entre os dois.
      Da mesma forma, marido e esposa que jogam tnis juntos, a
verdadeira "Qualidade de Tempo" focaliza no o jogo em si, mas o
fato de que fazem algo em companhia um do outro. O importante  o
que ocorre a nvel emocional. Investir o tempo juntos em uma
atividade em comum significa que nos importamos um com o outro,
apreciamos estar prximos e gostamos de fazer coisas em conjunto.

                     CONVERSA    DE   QUALIDADE

       Como as palavras de afirmao, a linguagem da "Qualidade de
Tempo" tambm possui vrios dialetos. Um dos mais utilizados  o
da conversa de qualidade. Afirmo com isso a existncia de um
dilogo acolhedor onde duas pessoas compartilham experincias,
pensamentos, emoes e desejos, de forma amigvel, e em um
contexto sem interrupes. A maioria das pessoas que reclamam que
seus cnjuges no conversam, raramente no toma parte em algum
dilogo mais ntimo. Se afirmam isso  porque nada falam, de forma
literal. Querem dizer que se a primeira linguagem do amor de seu
cnjuge for "Qualidade de Tempo", esse tipo de dilogo 
importantssimo para sua parte emocional, no que diz respeito a
sentir-se amado.
      Conversa de qualidade  bem diferente da primeira linguagem
do amor. Palavras de afirmao focalizam o que afirmamos, ao passo
que conversa de qualidade focaliza o que ouvimos. Se externo meu
amor por voc atravs da "Qualidade de Tempo" e gastamos esse
tempo juntos, significa que este propsito estar em fazer voc vir 
tona, ouvir atentamente o que pretende dizer. Farei perguntas, no
por obrigao, mas com o desejo genuno de entender seus
pensamentos, sentimentos e desejos.
      Conheci Patrick quando ele tinha 43 anos e estava casado h
dezessete. Lembro-me bem dele porque suas primeiras palavras
foram dramticas. Ele se sentou na cadeira de couro de meu
escritrio e aps uma breve apresentao inclinou-se para frente e
disse tomado de grande emoo:
     -- Dr. Chapman, tenho sido um idiota, um perfeito idiota!
Perguntei-lhe:
      -- O que o fez chegar a essa concluso?
     -- Tenho 17 anos de casado e, de repente, minha mulher me
deixou. S agora pude perceber como sou idiota!
      Ao ouvir suas palavras, mantive minha pergunta inicial:
      -- De que forma voc acha que tem sido um idiota?
      -- Deixe-me explicar. Minha esposa chegou em casa aps um
dia de trabalho e contou-me que estava passando por alguns
problemas em seu emprego. Eu a ouvi e disse-lhe o que ela deveria
fazer. (Eu sempre lhe dei conselhos.) Ento afirmei que ela mesma
precisava confrontar aquela situao, pois os problemas no
costumam sumir facilmente, e ela deveria conversar com as pessoas
envolvidas ou o supervisor de seu departamento. Seria necessrio
que ela enfrentasse aquela situao. No dia seguinte, porm, ela
chegou do servio e falou dos mesmos problemas. Eu ento
perguntei se ela fizera o que eu sugerira no dia anterior. Ela sacudiu a
cabea e disse que no. Repeti, naquele momento, o mesmo
conselho. Disse-lhe que aquela era a forma correta de lidar com a
situao. No dia seguinte ela chegou em casa e apresentou
novamente os mesmos problemas. Mais uma vez eu lhe perguntei se
fizera o que eu propusera. Mais uma vez ela sacudiu a cabea e disse
que no. Aps umas trs ou quatro noites fiquei muito bravo e disse-
lhe que no contasse mais comigo enquanto no fizesse o que eu lhe
recomendara. Ela no precisava viver sob aquela presso, pois
resolveria seu problema se simplesmente fizesse o que eu lhe falara.
Na prxima vez em que ela veio me falar sobre aquele problema, eu
lhe disse:
      -- No quero mais ouvir sobre isso. J lhe falei vrias vezes o
que fazer. Se voc no quer ouvir meus conselhos, tambm no
desejo mais ouvir falar sobre este assunto!
                  Muitos de ns somos treinados a
                 analisar problemas a fim de dar-lhes
               solues. Esquecemos que o casamento
                    um relacionamento, e no um
                     projeto a ser terminado ou
                    um problema a ser resolvido.
     Ele prosseguiu o seu relato:
      -- Eu me retirei e dirigi-me ao meu trabalho. Como fui idiota!
Agora percebo que, quando ela me falava sobre suas lutas no
trabalho, no desejava meus conselhos. Ela queria solidariedade.
Desejava que eu a ouvisse, desse-lhe ateno, e dissesse-lhe que
entendia a dor, a presso e a tenso pelas quais passava. Ela queria
ouvir que eu a amava e estava ao seu lado. Ela no desejava
conselhos, porm a minha compreenso. Mas eu jamais tentei
entend-la. Estava muito afastado dela ao conceder-lhe apenas
conselhos. Que louco fui eu! E agora ela foi embora. Por que a gente
no percebe estas coisas quando estamos passando por elas? Eu
estava completamente cego para o que acontecia. S agora percebo
como falhei com ela.
      A esposa de Patrick suplicava por uma conversa de qualidade.
Emocionalmente, ela esperava que ele lhe desse ouvidos ao ouvir sua
dor e frustrao. Patrick, porm, no focalizava sua ateno em
ouvir, mas em falar. Ele escutava somente o suficiente para perceber
o problema e formular uma sada. Ele no a ouvia o tempo necessrio
para compreender sua splica por apoio e compreenso.
       Ns somos como Patrick. Somos treinados para tomar
conhecimento dos problemas e dar solues. Esquecemos que o
casamento  um relacionamento, no um projeto a ser terminado ou
um problema a ser resolvido. Uma convivncia a dois implica em
simpatia, em ouvir com a inteno de entender o que o outro cnjuge
pensa, sente e deseja. Devemos tambm estar dispostos a aconselhar,
mas somente quando solicitados e jamais de forma arrogante. A
maioria de ns no sabe ouvir. Somos mais eficientes em pensar e
falar. Aprender a ouvir pode ser to difcil quanto estudar uma lngua
estrangeira. Porm, se quisermos comunicar o amor, precisamos
aprender. Isso  especialmente importante, se a primeira linguagem
de seu cnjuge for "Qualidade de Tempo" e se o dialeto dele for
conversa de qualidade. Felizmente, h muitos livros e artigos escritos
sobre a arte de ouvir. No repetirei o que j foi escrito em vrios
outros trechos, mas gostaria de dar algumas dicas que podem ajudar
bastante:


      1. Procure olhar nos olhos de seu cnjuge quando ele lhe falar
alguma coisa. Essa atitude ajuda sua mente a no divagar e comunica
que ele realmente recebe sua total ateno.


2. No faa outra coisa enquanto ouve seu cnjuge. Lembre-se:
"Qualidade de Tempo"  dedicar ao que lhe fala sua total ateno. Se
voc porventura assistir TV, ler ou praticar qualquer outra atividade
pela qual esteja muito envolvido, e no puder desviar a ateno
imediatamente, diga isso a seu cnjuge: "Sei que voc quer falar
comigo agora, e estou interessado em ouvir-lhe. S que gostaria de
conceder-lhe mais ateno, e no momento no  possvel. Se voc me
conceder dez minutos para eu terminar o que estou fazendo,
sentaremos juntos e ento ouvirei o que voc tem a dizer." A maioria
dos (as) esposos (as) dever atender a uma solicitao dessas.


3. "Escute" o sentimento. Pergunte a voc mesmo o tipo de emoo
que seu cnjuge sente no momento. Quando achar que descobriu,
confirme. Por exemplo: "Tenho a impresso que voc est
desapontado por eu ter esquecido de..." Essa  uma oportunidade
para voc certificar-se de seus sentimentos. Tambm comunica que
ouve com ateno o que lhe  dito.


4. Observe a linguagem corporal. Punhos cerrados, mos trmulas,
lgrimas, cenho franzido e expresso dos olhos fornecem pistas do
que seu cnjuge sente. Algumas vezes, a linguagem verbal diz uma
coisa, enquanto a corporal afirma outra. Solicite um esclarecimento a
fim de poder confirmar seus reais sentimentos.


5. Recuse interrupes. Pesquisas recentes indicam que, em mdia,
as pessoas ouvem apenas 17 segundos antes de interromperem para
inserir na conversa as prprias idias. Se eu lhe dedicar minha total
ateno enquanto voc fala, evitarei defender-me a fim de fazer-lhe
acusaes ou mesmo, dogmaticamente, evidenciar minha posio.
Meu objetivo  perceber seus sentimentos e pensamentos. O alvo no
 autodefender-me ou permitir que voc ganhe uma discusso; a
inteno  compreend-lo (a).

                      APRENDENDO     A   FALAR

      Uma conversa de qualidade requer no somente considerao
ao ouvir, mas tambm disposio em expor-se. Quando uma esposa
diz: "Gostaria tanto que meu marido conversasse comigo! Nunca sei
o que ele pensa ou sente..." Ela clama por intimidade; quer sentir-se
prxima de seu esposo. Mas, como sentir-se ao lado de algum a
quem no conhece? Para que ela se sinta amada, o marido precisa
aprender a se expor. Se a primeira linguagem do amor dela for
"Qualidade de Tempo" e seu dialeto, conversa de qualidade, seu
tanque emocional nunca estar completo at que ele partilhe com ela
seus pensamentos e sentimentos.
                     Se voc precisa aprender a
                linguagem da conversa de qualidade,
                 comece a observar as emoes que
                   sente quando est fora de casa.
       Para muitos de ns, o ato de expor-se no  nada fcil. Muitos
adultos foram criados em lares onde a expresso dos pensamentos e
sentimentos no s jamais foi encorajada, como tambm era
condenada. Pedir um brinquedo era recebido com um sermo sobre a
situao econmica familiar. A criana sentia-se culpada por causa
daquele desejo e, ento, rapidamente aprendia a no expressar mais
seus desejos. Quando um filho ou filha expressava raiva, os pais
repreendiam-no (na) severamente com palavras condenatrias. O que
acontecia ento? A criana aprendia que expressar sentimentos de
raiva tambm no era algo apropriado. Se um deles passasse a sentir-
se culpado por expressar seu desapontamento pelo fato de no poder
ir ao supermercado com o pai, aprendia a guardar seu desagrado para
si. Ns, adultos, ao atingirmos a maturidade, aprendemos a negar
nossos sentimentos. Deixamos de ter contato com nosso ser
emocional.
     Uma esposa pergunta a seu marido:
     -- Como voc se sentiu com a reao de Mark?
     E o marido responde:
     -- Eu acho que ele est errado. Ele deveria ter feito assim,
assim e assim...
      Note, porm, que ele no expressa seus sentimentos. Sim-
plesmente manifesta seus pensamentos. Talvez ele tenha motivos
para sentir-se triste, com raiva, ou desapontado. No entanto, vive a
tanto tempo no nvel do raciocnio, que nem ao menos reconhece a
existncia de seus sentimentos. O ato de aprender a linguagem da
conversa de qualidade pode ser comparado ao aprendizado de uma
lngua estrangeira. O incio sempre  uma aproximao dos
sentimentos, e o aluno pouco a pouco torna-se consciente de que 
uma criatura emocional, apesar do fato de ter ignorado aquela faceta
de sua vida.
      Se voc precisa aprender a linguagem da conversa de
qualidade, comece a perceber os sentimentos que lhe ocorrem
quando est longe de casa. Compre um bloquinho de rascunho e
mantenha-o diariamente com voc. Trs vezes, durante o dia, faa a
si mesmo as seguintes perguntas:


 Que emoes senti nas ltimas trs horas?
 O que senti a caminho do trabalho quando o motorista atrs de mim
ficou o tempo todo colado em meu pra-choque?
 Como eu me senti quando fui colocar combustvel no carro e a
bomba automtica no funcionou e fez com que o tanque
transbordasse, derramasse e molhasse de gasolina toda a parte de trs
do carro?
 Como me senti quando, ao chegar ao escritrio, soube que minha
secretria fora requisitada para um outro projeto da empresa e no
estaria presente toda a manh?
 Como me senti quando meu supervisor me comunicou que o
projeto no qual eu trabalhava teria de ser concludo em trs dias,
quando pensei que teria mais duas semanas?


      Escreva seus sentimentos no bloco de rascunho e, ao lado,
coloque uma ou duas palavras para lembr-lo do evento
correspondente ao sentimento. Sua lista deve ficar mais ou menos
assim:
Situao                          Sentimentos
1. motorista colado atrs         1. raiva
2. posto de gasolina              2. desagrado
3. sem secretria                 3. desapontamento
4. projeto em trs dias           4. frustrao e ansiedade


      Faa este exerccio trs vezes ao dia e voc descobrir sua
natureza emocional. Utilize seu bloquinho e comunique a seu
cnjuge as emoes que experimentou, juntamente com as situaes
enfrentadas. Quanto mais voc fizer isso, melhor ser. Em algumas
semanas sentir-se- mais confortvel para expressar suas emoes a
ele (a). Finalmente, ser tambm capaz de, mais  vontade, conversar
sobre seus sentimentos em relao ao () esposo (a), aos filhos e a
eventos que ocorram em casa. Lembre-se que as emoes em si no
so certas nem erradas. So simplesmente nossas reaes
psicolgicas aos acontecimentos da vida.
     Constantemente tomamos nossas decises baseados em nossos
pensamentos e emoes. Quando o motorista estava "grudado" em
seu carro, a caminho do trabalho, e voc ficou com raiva, ser que
alguns dos seguintes pensamentos passaram por sua cabea?
 Gostaria que ele sasse da pista;
 Gostaria que ele me ultrapassasse;
 Se eu no corresse o risco de ser multado, gostaria de pisar fundo o
acelerador e deix-lo para trs, "comendo poeira";
 Gostaria de dar uma boa freada de forma que ele entrasse com tudo
na traseira de meu carro, e a seguradora tivesse de me dar um carro
novo;
 Talvez eu deva sair para a direita e deix-lo passar.


       Voc, eventualmente, tomou alguma dessas decises ou o outro
motorista reduziu a marcha, ou ultrapassou seu carro e voc
conseguiu chegar seguro ao trabalho. Cada evento de nossa vida gera
emoes, pensamentos, desejos e tambm aes.  expresso desse
processo chamamos de auto-revelao. Se voc optar em aprender o
dialeto da conversa de qualidade, esse  o caminho pelo qual dever
trilhar.

                      TIPOS   DE   PERSONALIDADE

      Nem todos estamos desconectados de nossas emoes, mas
quando o assunto vem  tona, todos somos afetados por nossa
maneira especfica de ser. Tenho observado dois tipos bsicos de
personalidade. Ao primeiro, chamarei de "mar Morto". Na pequena
nao de Israel, o mar da Galilia segue rumo ao sul atravs do rio
Jordo at o mar Morto. Este no vai a lugar nenhum. Ele recebe,
mas nada retribui. Esse tipo de personalidade adquire muitas
experincias, emoes e diversos pensamentos ao longo do dia.
Possui um amplo reservatrio onde armazena informaes e sente-se
absolutamente feliz em no falar. Se voc perguntar  personalidade
mar Morto:
      "O que h de errado? Por que voc ainda no abriu a boca esta
noite?"
      A resposta, muito provavelmente, ser:
     "Nada h de errado. Por que voc pensa assim?"
      E aquela resposta ser absolutamente honesta. Ele est feliz por
nada falar. Gostaria de fazer uma longa viagem, de norte a sul do
pas, para no dizer uma nica palavra e estar sinceramente feliz.
      Em outro extremo, porm, encontra-se o "riacho rpido". Esse
tipo de personalidade pode ser descrita como aquela que, entre o que
passa pelos olhos ou ouvidos leva no mximo sessenta segundos at
que saia pela boca. Sobre o que vem, ou ouvem, falam rapidamente.
De fato, se no houver ningum em casa para que comentem a
respeito, daro um jeito para falar com algum:
     "Sabe quem eu vi hoje?"
     "Sabe o que eu ouvi hoje?"
      Se no conseguem conversar ao telefone, falam consigo
mesmos, porque no possuem algum reservatrio.  comum que o
mar Morto e o riacho Rpido casem-se. Isso ocorre porque, quando
esto em pleno namoro, as caractersticas opostas tornam-se muito
atraentes para ambos.
                  Uma forma de se aprender novos
              padres de comportamento  estabelecer,
               diariamente, um perodo no qual cada
                um poder falar sobre trs situaes
                  que ocorreram durante o dia e os
             sentimentos que tiveram em relao a elas.
      Se voc for o mar Morto e sair com o riacho Rpido, pro-
vavelmente ter uma noite maravilhosa. No ter de se preocupar em
iniciar uma conversa e nem em mant-la. Para falar a verdade, no
deve nem pensar sobre isso. Tudo o que far ser balanar sua cabea
e fazer "hum, hum..." e esta expresso preencher a noite toda. Voc
chegar em casa e pensar: "Que noite! Que pessoa maravilhosa!"
Por outro lado, se for um riacho Rpido e sair com o mar Morto,
tambm ter um encontro igualmente maravilhoso porque este
reservatrio  o melhor ouvinte do mundo. Voc deve falar durante
umas trs horas. O mar Morto ouvir atentamente o riacho Rpido e,
ao chegar em casa seu comentrio ser: "Que pessoa maravilhosa!"
Haver uma atrao recproca. Porm, cinco anos aps o casamento,
o riacho Rpido acordar em uma bela manh e dir:
     "Estamos casados h cinco anos mas eu no o conheo!"
     O Mar Morto, por outro lado dir:
      "Eu a conheo muito bem! Gostaria muito que ela in-
terrompesse um pouco esse dilvio de palavras e desse-me ateno".
      A boa notcia, nisso tudo,  que o mar Morto provavelmente
aprender a falar e o riacho Rpido saber ouvir. Somos
influenciados mas no dominados por nossas personalidades.
       Uma forma de se aprender novos padres de comportamento 
estabelecer, diariamente, um perodo no qual cada um falar sobre
trs situaes que ocorreram durante o dia e os sentimentos que
tiveram em relao a elas. Chamo esse mtodo de "Dose Mnima
Diria" para um casamento saudvel. Se voc comear com esse
perodo, em algumas semanas, ou meses, a conversa de qualidade
fluir mais livremente entre vocs.

                   ATIVIDADES    DE   QUALIDADE

      Alm da linguagem bsica do amor "Qualidade de Tempo" --
que  dedicar total ateno a seu cnjuge -- h um outro dialeto que
se chama atividades de qualidade. Em um recente seminrio sobre
casamento, pedi que os casais completassem a seguinte sentena:
"Sinto mais amor por meu cnjuge quando ________". Veja as
respostas dadas por um jovem marido, casado h oito anos:
      "Sinto-me mais amado por minha esposa quando exercemos
atividades em conjunto, ou seja, coisas que eu goste de fazer e ela
tambm aprecie. Dessa forma conversamos mais.  como se
estivssemos namorando outra vez".
      Essa  uma linguagem tpica de pessoas cuja primeira
linguagem do amor  "Qualidade de Tempo". A nfase  dada no
estarem juntos, em realizarem ao lado um do outro as mesmas
atividades, e em dedicarem ateno total s suas necessidades.
      Entende-se por atividades de qualidade qualquer coisa pela
qual um ou os dois se interessem. A nfase no est no que se faz,
mas no porqu decidiu-se realiz-lo. O objetivo  terem uma
experincia juntos, e termin-la de forma a afirmarem: "Ele (ela) se
interessa por mim. Ele quis fazer comigo algo que eu apreciava e
realizou-o com uma atitude muito positiva". Isso  amor e, para
algumas pessoas,  a forma em que ele fala mais alto.
      Tracie cresceu em meio a concertos. Em toda sua infncia, a
casa sempre esteve repleta de msica clssica. Pelo menos uma vez
ao ano ela acompanhava seus pais a um festival. Larry, por outro
lado, gostava de msica "country". Ele nunca fora a um concerto e
seu rdio estava sempre ligado em estaes de msica popular. Ele
chamava a preferncia de sua esposa de sinfonia de elevador. Se ele
no tivesse se casado com Tracie, teria atravessado sua vida sem
jamais assistir a um concerto. Antes do casamento, enquanto atra-
vessava a fase da paixo obcecada, ele chegou at a assistir a alguns
espetculos musicais. Porm, mesmo apaixonado, ele perguntou se
ela chamava "aquilo" de msica!
      Aps o casamento, decidiu que nunca mais sairia de casa para
ouvir um concerto. No entanto, quando anos mais tarde descobriu
que "Qualidade de Tempo" era a primeira linguagem do amor de
Tracie e ela apreciava de forma especial o dialeto das atividades de
qualidade, quis acompanh-la e o fez entusiasmado. Seu propsito
era claro. Ele no ia para assistir ao concerto, mas para demonstrar
amor a Tracie e falar alto em sua linguagem. Com o passar do tempo,
chegou a apreciar os concertos e, ocasionalmente, a deleitar-se com
um ou dois movimentos. Talvez ele nunca se torne um amante da
msica erudita, mas provavelmente diplomou-se em demonstrar
amor  sua esposa.
                    Um dos pontos positivos das
                 atividades de qualidade  que elas
                   possibilitam o armazenamento
                   de um banco de memrias ao
                     qual podemos nos reportar
                         pelos anos futuros.
      Entre as atividades de qualidade citamos plantar um jardim,
descobrir e ir a liquidaes, colecionar antiguidades, ouvir msica,
fazer piqueniques, caminhar, lavar o carro juntos durante o vero,
etc. Essas atividades limitam-se apenas pelo interesse e desejo de
tentar, ou no, novas experincias. Os ingredientes especiais para
uma atividade de qualidade, so:


1. Desejo de faz-la, proveniente de um dos dois.
2. O outro estar disposto a execut-la.
3. Ambos estarem conscientes porque devem realiz-la -- expressar
amor de forma a permanecerem juntos.


       Um dos pontos positivos das atividades de qualidade  que elas
possibilitam o armazenamento de um banco de memrias ao qual
podemos nos reportar pelos anos futuros. Feliz  o casal que se
lembra de uma caminhada feita de manh ao longo da praia; de uma
rvore plantada no jardim; do tempo em que colocaram iscas para
acabar com as formigas do pomar; do projeto de pintura dos quartos;
da noite em que foram juntos ter aulas de patim e um deles caiu e
quebrou a perna; dos passeios pelo parque; dos concertos; dos
recitais e, como esquecer, do tempo gasto apreciando uma cascata
aps a longa caminhada de bicicleta at encontr-la? Podem at
sentir os respingos que caram em seus rostos. Essas so memrias
de amor, especialmente para aquelas pessoas cuja primeira
linguagem for "Qualidade de Tempo".
     E, como achar tempo para tais atividades, especialmente se
ambos trabalham fora? Achamos a ocasio da mesma forma que a
encontramos para almoar e jantar. Por qu? Porque so to
essenciais para nosso casamento como as refeies o so para nossa
sade.
      Isso  difcil? E preciso planejamento?
      Sim!
      Implica em que tenhamos de abrir mo de algumas atividades
particulares?
     Talvez!
      Significa que faremos algumas coisas que, particularmente, no
apreciamos?
     Certamente!
     Ser que compensa?
     Sem sombra de dvida!
     O que posso aprender com isso?
      O prazer de viver com um cnjuge que  amado e sabe disso,
pois compreende que o (a) esposo (a) aprendeu a falar sua primeira
linguagem de forma fluente.
      Gostaria de dar uma palavra de agradecimento a Bill e Betty
Jo, de Little Rock, que me ensinaram o valor da primeira linguagem
do amor -- "Palavras de Afirmao", e tambm a segunda --
"Qualidade de Tempo".
      Agora, vamos at Chicago para encontrarmos a terceira
linguagem do amor.


      6. A Terceira Linguagem do Amor: Receber
                             Presentes

       Estudei antropologia em Chicago. Devido s detalhadas
etnografias, visitei pessoas fascinantes por todo o mundo. Estive na
Amrica Central onde pesquisei as avanadas culturas dos maias e
dos astecas. Cruzei o Pacfico e analisei as tribos da Melansia e
Polinsia. Estudei os esquims das vegetaes das tundras, ao norte;
e os aborgines ainos do Japo. Examinei os padres de cultura
relativos ao amor e casamento, e descobri que em cada cultura, o ato
de dar presentes faz parte deste processo.
      Os antropologistas, em geral, so apaixonados pelos padres
culturais que distinguem as culturas e eu tambm o sou. Ser que o
ato de presentear  uma expresso fundamental de amor que
transcende barreiras culturais? Ser que a atitude de amor est
sempre acompanhada do ato de conceder? Essas perguntas so
acadmicas e de certa forma at filosficas, mas a resposta a elas 
sim. Podemos inclusive notar uma profunda implicao prtica nos
casais norte-americanos.
      Fiz uma viagem antropolgica de campo  ilha de Dominica.
Nosso propsito era estudar a cultura dos ndios do Caribe. Foi nessa
viagem que conheci Fred. Ele no era do Caribe, mas um jovem
negro de 28 anos. Perdera uma de suas mos com uma dinamite, em
uma temporada de pesca. Devido ao acidente teve de abandonar sua
carreira de pescador. Ele possua muito tempo disponvel e eu
apreciei o fato de poder contar com sua companhia. Passamos muitas
horas juntos e conversamos sobre sua cultura.
     Em minha primeira visita  sua casa, ele me perguntou:
     -- Sr. Gary, o senhor aceitaria um suco?
     Ao que aceitei prontamente. Ele, ento, virou-se para seu irmo
mais novo e disse:
     -- Pegue um suco para o senhor Gary.
      Seu irmo deu-nos as costas, saiu de casa, subiu em um
coqueiro e trouxe um lindo coco verde em suas mos. Fred
recomendou-lhe que o abrisse. Com trs rpidos movimentos de faca
seu irmo furou-o, e fez uma abertura triangular na parte de cima.
     Fred entregou-me o coco e disse:
     -- Aqui est seu suco.
      O lquido era esverdeado mas eu o bebi assim mesmo, todinho!
Eu o tomei porque sabia que aquele fora um ato de amor. Eu era seu
amigo e eu sabia que ali s se oferece suco aos companheiros.
      Ao final de algumas semanas, quando j se aproximava minha
hora de partida daquela pequena ilha, Fred deu-me uma ltima prova
de seu amor. Era uma enorme concha em espiral, que ele mesmo
havia tirado do oceano. Tinha uma camada que, de tanto ser
friccionada pelas rochas, lembrava, ao toque, uma seda macia. Ele
me disse que aquele objeto encontrava-se naquelas praias h muitos
anos e gostaria que eu o levasse como recordao daquela bela ilha.
Ainda hoje, quando olho para aquela concha, quase posso ouvir o
som das ondas do Caribe. Porm, ela  mais do que uma recordao
das praias de Dominica;  uma demonstrao de amor.
         Um presente  algo que voc pode segurar em suas mos e
dizer:
         "Ele pensou em mim!" ou,
         "Ela se lembrou de mim!"
      Antes de comprarmos um presente para algum, pensamos
naquela pessoa. O objeto em si  um smbolo daquele pensamento.
No importa se foi caro ou barato. O importante  que ele seja a
prova desse desejo. E no  somente a inteno em nvel da mente
que se conta, mas o pensamento demonstrado de forma concreta
atravs de um presente que se torna uma expresso de amor.
      Muitas mes contam histrias de que seus filhos trouxeram-
lhes flores do quintal como presente. Elas se sentem amadas, mesmo
que seja uma simples flor do jardim delas que no gostariam que
fosse apanhada. Desde muito pequenas as crianas sentem-se
inclinadas a dar alguma coisa a seus pais, e isto  uma boa indicao
de que dar presentes  fundamental para o amor.
      Presentes so smbolos visuais do amor. A maioria das
cerimnias de casamento inclui dar e receber alianas. A pessoa que
realiza a cerimnia diz:
      "Estas alianas so os sinais visveis dos elos espirituais que
unem estes dois coraes em um amor que nunca terminar". Isso
no  uma simples retrica.  a expresso de uma significante
verdade -- os smbolos possuem valores emocionais. Creio que isso
pode ser bem exemplificado quando, perto da desintegrao de um
casamento, marido e mulher deixam de usar suas alianas. Esse  um
sinal muito ntido de que o casamento est em srios problemas.
Certo esposo me disse o seguinte:
      "Quando ela atirou sua aliana contra mim e saiu cega de raiva
batendo atrs de si a porta da casa, tornou-se evidente que nosso
problema era serissimo. A aliana ficou no mesmo lugar onde foi
jogada durante dois dias, porque eu no me abaixei para peg-la.
Quando finalmente a apanhei, ca em um pranto convulsivo."
      As alianas so um smbolo do que o casamento deveria ser.
Porm, aquela colocada na palma de mo dele, e no no dedo dela,
funcionava como um lembrete visual de que aquele casamento
desmoronara-se. A aliana solitria provocou profundas
consideraes e emoes naquele marido.
      Smbolos visuais de amor so mais importantes para uns do
que para outros. Por esse motivo, existem os que aps se casarem
nunca mais tiram a aliana; porm, tambm h alguns que nem
chegam a us-la. Essa  outra evidncia de que as pessoas possuem
linguagens do amor diferentes. Se receber presentes  sua primeira
linguagem do amor, ento voc dar enorme valor  aliana recebida
e us-la- com grande orgulho. Ao longo da vida, outros presentes
tambm sero motivo de grandes emoes. Voc ver neles expres-
ses de amor. Sem lembranas como smbolos visuais, o amor do
cnjuge poder at ser questionado.
      Existem presentes de todos os tamanhos, cores e formatos.
Alguns so caros, outros baratos. Para aquela pessoa cuja primeira
linguagem do amor  receber presentes, o preo pouco contar, a
menos que haja uma enorme discrepncia entre o que se deu e o que
se poderia oferecer. Se um marido milionrio concede regularmente
 sua esposa presentes de somente um dlar, ela poder questionar se
aquela  realmente uma expresso de amor. Por outro lado, quando
as finanas da famlia so reduzidas, um presente de um dlar
significar tanto quanto um outro de um milho de dlares.
                 Se a primeira linguagem do amor
              de seu cnjuge for "Receber Presentes",
               voc pode se tornar expert nessa rea.
                   De fato, essa  uma das mais
               simples linguagens para se aprender.
     Presentes podem ser comprados, achados ou elaborados. O
marido que pra ao longo de uma estrada e apanha para sua esposa
uma rosa silvestre, achou ali uma singela expresso de amor, a
menos que ela seja alrgica a flores do campo!! Para o esposo que
pode pagar, h muitos cartes bonitos e tocantes e no so to caros
assim! Para aqueles que no podem fazer esta despesa, eles mesmos
podem ter os seus, e sem pagar nada. Pegue uma folha de papel, uma
tesoura, recorte em forma de corao e escreva no meio a frase: "Eu
amo voc!" Os presentes no precisam ser caros.
     Mas, como deve agir aquela pessoa que diz no saber dar
presentes?
      "No sei dar presentes. Durante toda minha infncia e
adolescncia recebi poucos presentes. No sei escolher o que
oferecer s pessoas. Isso no  natural em mim!"
     Parabns! Voc acabou de fazer a primeira grande descoberta
no caminho para se tornar um grande amante! Voc e seu cnjuge
possuem diferentes linguagens do amor. Agora que j sabe disso,
comece a busca para descobrir sua segunda linguagem do amor. Se a
primeira linguagem do amor de seu cnjuge  "Receber Presentes",
voc poder se tornar expert no assunto. De fato, essa  uma das mais
simples linguagens para se aprender.
      Por onde comear? Faa uma lista de todos os presentes que na
sua opinio seu cnjuge gostaria de receber. Podem ser lembranas j
concedidas por voc ou outras pessoas da famlia ou amigos. A lista
poder dar uma idia dos presentes que seu cnjuge desejaria ganhar.
Se voc tiver dificuldade em fazer uma seleo destes objetos,
consulte outros membros da famlia. Neste meio tempo, "chute", mas
faa uma lista com presentes que estejam mais  mo e adquira-os
para seu cnjuge. No espere por uma ocasio especial. Se "Receber
Presentes" for a primeira linguagem do amor dela (dele),
praticamente tudo o que voc lhe conceder ser recebido como
expresso de amor. Se ela (ele) foi muito crtica em relao aos
presentes que voc ofereceu no passado, pois muitos deles no foram
por ela (ele) apreciados, ento essa  uma grande dica de que receber
presentes, por certo, no  a primeira linguagem de amor do seu
cnjuge.
                      PRESENTES   X   DINHEIRO

      Se voc est para se tornar um presenteador eficaz, deve mudar
sua atitude em relao ao dinheiro. Cada um de ns possui uma
percepo individual dos propsitos de nosso salrio na vida, e temos
vrias emoes relacionadas  forma como ele  empregado. Alguns
se sentem bem quando o gastam. Outros, porm, possuem uma
perspectiva de economizar e poupar o mximo possvel. Em geral,
apreciamos o fato de economizar e gastar nosso dinheiro sabiamente.
      Se voc aprecia gastar seu salrio, praticamente no ter
dificuldade em comprar presentes para seu cnjuge. Porm, se voc
for tipo "mo fechada", sem dvida experimentar uma resistncia
emocional  idia de gastar seu dinheiro como expresso de amor.
Voc no compra algo nem para si, por que comprar para seu
cnjuge? Essa atitude, porm, no revela que voc, a bem da
verdade, adquira algo para si mesmo. A economia e o investimento
de seu dinheiro proporcionam-lhe segurana emocional.
      Voc prov suprimento para sua prpria segurana emocional
na forma como lida com o seu salrio. O que voc realmente no faz
 suprir as necessidades emocionais de seu cnjuge. Se porventura
descobrir que a primeira linguagem do amor dele  realmente
"Receber Presentes", ento talvez perceba que comprar presentes
para ele, ou ela,  o melhor investimento que realizar! Voc
investir em seu relacionamento e encher o "tanque do amor"
emocional de seu cnjuge. Com o "tanque cheio", ele ou ela
corresponder ao seu amor emocional em uma linguagem que voc
por certo entender. Quando as necessidades emocionais de ambos
so supridas, o casamento toma uma dimenso totalmente nova. No
se preocupe com seus investimentos. Voc sempre ser um
poupador, mas investir no amor de seu cnjuge ser como comprar a
ao mais cara da bolsa de valores.

                    O PRESENTE    DA   PRESENA

      Existe um tipo de presente que  intangvel e muitas vezes fala
mais alto do que qualquer outro que voc possa ter nas mos. Eu o
chamo de presente da sua presena, ou presente de si mesmo. Estar
ao lado de seu cnjuge quando este precisa de voc fala mais alto do
que aquele cuja primeira linguagem  receber presentes. Jan disse-me
certa vez:
      -- Meu marido Donald gosta mais de futebol do que de mim!
      E eu ento lhe perguntei:
      -- Por que voc diz isso?
      -- No dia em que nosso filho nasceu, ele foi jogar bola. Eu
fiquei a tarde toda sozinha, deitada em um leito da maternidade,
enquanto ele se divertia com os colegas o tempo todo. Fiquei
arrasada. Aquele era um dos momentos mais preciosos de nossas
vidas. Queria que o desfrutssemos juntos. Desejava que ele
estivesse ali comigo. Mas Don abandonou-me e foi jogar!
      Aquele marido poderia ter mandado dzias de rosas para a
esposa, mas elas de forma alguma falariam to alto quanto se ele
estivesse no hospital, ao lado da esposa. Posso afirmar que Jan ficou
profundamente magoada com aquela experincia. O "beb" tem
agora 15 anos e ela ainda fala do ocorrido com todas as emoes
presentes, como se tivesse acontecido no dia anterior. Procurei
sond-la com a seguinte pergunta:
      -- Voc baseou sua concluso, de que Don aprecia mais a
futebol do que a voc, naquela experincia?
     -- No s, mas tambm. No dia do funeral de minha me, ele
tambm foi jogar bola.
      -- Mas ele foi ao funeral?
      -- Foi. Mas assim que a cerimnia terminou, ele foi direto
jogar. Eu no podia acreditar. Meus irmos levaram-me para casa,
pois meu marido tinha ido jogar futebol!
      Mais tarde tive a oportunidade de perguntar a Don sobre essas
duas situaes. Ele sabia exatamente do que eu falava:
      -- , eu sabia que ela falaria ao senhor sobre isso. Eu estava l
durante todo o trabalho de parto e tambm quando o beb nasceu.
Tirei fotos. Eu estava muito feliz e no via a hora de contar para os
meus colegas do time a boa notcia. Mais tarde, quando voltei ao
hospital, "minha bola murchou"! Ela estava furiosa comigo. Eu no
podia acreditar que era ela quem me dizia todas aquelas coisas
horrorosas! Achei que ela ficaria orgulhosa por eu ter prazer em
querer dar a boa notcia ao time...
                  A presena do (a) esposo (a) em
                        tempo de crise  o maior
                        presente que se pode dar
                     a um cnjuge cuja primeira
                           linguagem do amor
                        seja "Receber Presentes".
      Ele prosseguiu:
      -- E quando a me dela morreu? Provavelmente no lhe
contou que eu tirei uma semana de frias antes que minha sogra
morresse e fiquei o tempo todo entre o hospital e a casa dela, fazendo
reparos e ajudando no que era preciso. Aps sua morte, terminando o
funeral, achei que tinha feito tudo o que podia. Eu precisava de um
descanso. Gosto muito de futebol e sabia que um joguinho ajudar-
me-ia a relaxar e a aliviar um pouco a tenso dos ltimos dias. Achei
que ela compreenderia isso. Fiz tudo o que achei ser importante para
ela, mas no foi suficiente. Ela nunca esquecer e sempre jogar na
minha cara aqueles dois dias. Ela diz que eu gosto mais de futebol do
que dela. Isso  ridculo!
      Don era um marido sincero que falhou em compreender a
tremenda importncia de sua presena. A permanncia dele era mais
importante para ela do que qualquer outra coisa. A presena do (a)
esposo (a) em tempos de crise  o maior presente que se pode dar a
um cnjuge cuja primeira linguagem do amor seja "Receber
Presentes". A presena fsica torna-se o smbolo do amor. Retire esta
presena e a percepo desta virtude evapora-se. Durante o
aconselhamento, Don e Jan trataram das feridas e dos ressentimentos
do passado. Ela conseguiu perdo-lo e ele pde compreender porque
sua presena era to importante para ela.
       Se a presena de seu cnjuge  muito importante para voc, eu
o (a) incentivo a expressar-lhe isso. No espere que ele (ela) leia sua
mente. E se porventura ouvir a expresso: "Gostaria muito que voc
estivesse l comigo amanh (hoje  noite, esta tarde, etc.)"; por favor,
leve esse pedido a srio. Talvez, de seu ponto de vista, sua presena
no seja to importante, mas se voc no atender a esta solicitao,
poder comunicar uma mensagem negativa. Um determinado esposo
me disse certa vez:
      -- Quando minha me morreu, o supervisor de minha esposa
lhe disse que ela poderia se ausentar do emprego durante duas horas
e depois desse perodo deveria voltar ao trabalho. Ela, ento, disse-
lhe que seu esposo precisava do apoio dela; por isso, no voltaria
mais naquele dia.
      O supervisor ento lhe disse:
     -- Se voc no voltar, poder perder seu emprego. Minha
esposa ento replicou:
      -- Meu esposo  mais importante do que meu trabalho.
      -- Ela passou aquele dia comigo. De alguma forma, naquela
oportunidade eu me senti mais amado por ela do que nunca antes.
Jamais esqueci aquele seu ato. E sabe o que aconteceu? Ela no
perdeu o emprego. Seu supervisor foi mandado embora e ela assumiu
o posto que era dele.
     Aquela esposa falara a linguagem do amor de seu marido e ele
jamais esqueceu disso.
      Quase toda literatura existente sobre o amor indica que em seu
mago encontra-se o esprito da entrega voluntria. Todas as cinco
linguagens do amor desafiam-nos a doarmos ns mesmos a nossos
cnjuges; no entanto, para alguns, receber presentes, smbolos
visveis do amor,  o que fala mais alto. A maior ilustrao dessa
verdade veio de Chicago, onde conheci Jim e Janice.
      Eles participaram de meu seminrio sobre casamento e ficaram
encarregados de me levar, na tarde de sbado, ao Aeroporto O'Hare.
Tnhamos umas trs horas antes de meu embarque e eles
perguntaram se eu gostaria de ir a um restaurante. Como estava com
fome, concordei alegremente. E naquela tarde, tive muito mais do
que uma refeio grtis.
      Jim e Janice cresceram em fazendas da regio de Illinois.
Mudaram para Chicago logo aps se casarem. Ela me contou um fato
ocorrido quinze anos depois do feliz matrimnio e dos trs filhos. Ela
comeou a falar assim que nos sentamos:
      -- Dr. Chapman, o motivo de traz-lo at o aeroporto foi para
partilharmos com o senhor um milagre.
      Alguma coisa nesta palavra faz-me recuar, principalmente
quando no conheo a pessoa que a usa. "O que ser que vem por
a?", pensei. Ocultando esses pensamentos para mim mesmo,
dediquei toda minha ateno a ela. Eu no sabia, mas estava prestes a
levar um choque.
     -- Dr. Chapman, Deus usou o senhor para fazer um milagre
em nosso casamento.
      Nossa, como me senti culpado! Um minuto atrs eu
questionava o uso da palavra milagre, e agora, Janice dizia que eu era
o veculo daquele milagre. Passei, ento, a ouvir com mais interesse.
Janice continuou:
      -- H trs anos assistimos, pela primeira vez, um seminrio do
senhor aqui mesmo em Chicago. Eu estava desesperada. Pensava
seriamente em deixar Jim e j havia dito isso a ele. Nosso casamento
estava vazio h muito tempo. Eu j tinha desistido. Durante anos eu
dizia a Jim que precisava de seu amor, mas ele no esboava
nenhuma reao. Eu amava as crianas e sabia que elas me adoravam
tambm, mas no sentia nenhum amor da parte de Jim. Para ser sin-
cera, naquela poca eu praticamente o detestava. Ele era uma pessoa
absolutamente metdica. Fazia tudo por hbito. Era to previsvel
quanto um relgio e ningum conseguia alterar aquela rotina.
     Ela continuou:
      -- Durante muitos anos, tentei ser uma boa esposa. Eu
cozinhava, lavava, passava... Colocava em prtica tudo o que uma
boa esposa deveria realizar. Fazia sexo porque sabia que era
importante para ele. Porm, no havia jeito de me sentir amada por
Jim. Sentia-me como se ele tivesse deixado de se interessar por mim
aps o casamento e simplesmente no me valorizava mais. Sentia-me
usada e desvalorizada.
       -- Quando falei com Jim sobre meus sentimentos, ele
simplesmente riu e disse que ns tnhamos um casamento to bom
quanto qualquer outro da vizinhana. Ele no conseguia entender
porque eu estava to infeliz. Lembrou-me ento que as contas
estavam pagas, tnhamos uma bela casa, um carro novo, e eu podia
me dar ao luxo de escolher trabalhar fora ou em casa, e deveria estar
alegre ao invs de reclamar o tempo todo. Ele nem ao menos tentou
compreender meus sentimentos, o que me fez sentir totalmente
rejeitada. E foi assim que trs anos atrs chegamos ao seu seminrio.
     Ela suspirou e prosseguiu:
      -- At ento, nunca havamos participado de nenhum estudo
sobre o casamento. Eu no sabia o que me esperava e, sinceramente,
minhas expectativas eram negativas. Achei que nunca, nada nem
ningum mudaria Jim. Durante e depois do seminrio, ele quase no
falou. Aparentemente demonstrou gostar do assunto. Inclusive,
achou o senhor muito engraado. Mas no comentou comigo sobre
nenhuma das idias do seminrio. No esperava mesmo que o fizesse
e tampouco lhe perguntei coisa alguma. Como j disse, eu j desistira
de esperar alguma mudana. Como o senhor bem sabe, o seminrio
terminou no sbado  tarde. Naquele dia  noite e no domingo, as
coisas foram como de costume. Porm, na segunda-feira  tarde, ele
chegou do servio e trouxe-me uma rosa.
     Fez uma nova pausa, para respirar fundo e prosseguiu:
     -- Onde voc arrumou isso? -- eu perguntei. Ele respondeu:
     -- Comprei de um vendedor de flores. Achei que voc gostaria
de ganhar uma rosa.
      -- Eu comecei a chorar e agradeci comovida. Logo descobri
que ele comprara a rosa de um vendedor em alguma esquina. De fato
eu havia visto um naquele dia. Mas isso no importava, pois o que
valia  que ele me trouxera aquela rosa. Na tera-feira  tarde ele me
ligou do escritrio e perguntou-me o que eu achava se ele trouxesse
uma pizza para jantarmos. Ele pensou que eu apreciaria no cozinhar
naquela noite.
     Disse-lhe que achava a idia tima e ele trouxe aquele lanche
para casa. Ns curtimos muito aquela pizza. As crianas tambm
gostaram muito e agradeceram-lhe por t-la trazido. Dei-lhe um
abrao e manifestei minha sincera apreciao por tudo.
     Fez uma pequena pausa e prosseguiu:
      -- Ao chegar em casa na quarta-feira  noite trouxe para cada
um de nossos filhos um pacote de biscoitos e uma plantinha para
mim. Disse que a rosa logo morreria e achava que eu gostaria de algo
que durasse mais tempo. Eu pensei que tivesse alucinaes! No
podia acreditar que Jim fizesse aquelas coisas e nem o porqu delas.
Na quinta-feira aps o jantar ele me deu um carto onde escrevera
que, apesar de no saber dizer seu amor por mim, gostaria que eu
soubesse o quanto eu significava para ele. Novamente chorei e sem
relutncia abracei-o e beijei-o. Nessa hora ele falou: "Por que no
arrumamos uma bab para ficar em casa no sbado  noite e vamos
ns dois jantar fora?" Meio fora de rbita respondi que seria
maravilhoso. Na sexta-feira  noite, ao vir para casa, parou em uma
loja de doce e trouxe para cada um de ns um pacotinho com nossos
doces preferidos. De novo ele nos fez surpresa e disse que aquela era
nossa sobremesa.
      Janice parou novamente para dar um profundo suspiro e
prosseguiu:
      -- No sbado  noite, eu estava em "alfa". No tinha idia do
que tinha acontecido a Jim, nem se aquilo duraria muito tempo. S
sabia que adorava cada minuto. Aps nosso jantar naquele sbado,
disse-lhe que no entendia aquela sua atitude e pedi que ele me
contasse o que acontecera.
     Nesse momento, ela olhou para mim muito sria e disse:
      -- Dr. Chapman, quero que o senhor entenda exatamente o que
ocorreu. Este homem, depois que nos casamos, nunca mais me dera
flor alguma. Jamais me dedicara um nico carto. Ele sempre dizia
que compr-los era um desperdcio de dinheiro porque voc olhava
uma vez para os mesmos e depois os jogava fora. Acredite ou no, s
samos para jantar uma nica vez em cinco anos. Nunca adquiriu
algo para as crianas e esperava que eu comprasse somente o
extremamente essencial. Jamais trouxe uma pizza para jantarmos.
Esperava encontrar a comida pronta todas as noites, ao chegar em
casa. Estou, ento, desejosa de dizer que o que aconteceu foi uma
mudana radical de comportamento. Nesse momento, virei-me para
Jim e perguntei:
     -- O que voc respondeu quando, ainda no restaurante, ela lhe
perguntou o que acontecera?
      -- Disse a ela que, ao ouvir seu seminrio sobre as linguagens
do amor, compreendi que a linguagem dela era o "Receber
Presentes''. Nessa hora, tambm percebi que h muitos anos no lhe
dava uma lembrana sequer. Para ser sincero, creio que no lhe
ofereci algo desde nosso casamento. Lembro-me que quando
namorvamos, costumava trazer-lhe flores e outros presentinhos, mas
depois que nos casamos, achei que no deveria mais arcar com essa
despesa. Contei-lhe ento que decidira dar-lhe durante uma semana
um presente por dia e observaria se aquilo causaria alguma mudana
nela. Tenho de admitir que presenciei uma enorme diferena em suas
atitudes durante aquela semana.
     Fez uma pequena pausa e prosseguiu:
      -- Disse-lhe tambm que confirmava ser verdadeiras as
palavras que o senhor dissera, e aprender a linguagem certa do amor
era a chave para que o cnjuge se sentisse amado. Pedi perdo por ter
ficado to endurecido todos aqueles anos, falhando tanto em suprir
sua necessidade de sentir-se amada. Disse a ela que realmente a
amava e apreciava todas as coisas que ela fazia por mim e pelas
crianas. Disse-lhe tambm que, com a ajuda de Deus, iria me tornar
um expert em presentear e iria me aprimorar nisso por toda minha
vida. Nessa hora, Janice me disse:
     -- Mas, Jim, voc no pode continuar a me comprar presentes
todos os dias pelo resto de nossas vidas. No h oramento que
agente isso! Eu lhe respondi:
      -- Pode ser que no d para comprar todos os dias, mas pelo
menos uma vez por semana, acho que sim. Isso soma 52 novos
presentes por ano que voc deixou de receber nos ltimos cinco anos.
E quem disse que terei de comprar todos eles? Posso muito bem
fazer alguns. Posso utilizar a idia do Dr. Chapman de, na primavera,
apanhar uma flor do nosso jardim.
     Janice ento o interrompeu:
      -- Dr. Chapman, que eu me lembre, ele no falhou nenhuma
semana j h trs anos. Ele  um novo homem. O senhor no acredita
como somos felizes! Nossos prprios filhos tm nos chamado de
pombinhos apaixonados. Meu "tanque" tem transbordado de to
cheio!
     Virei-me ento para Jim e perguntei:
     -- E quanto a voc, Jim, tambm se sente amado por Janice?
      -- Eu sempre me senti amado por ela, Dr. Chapman. Ela  a
melhor dona de casa do mundo! Cozinha como ningum. Minhas
roupas esto sempre limpas e passadas. Ela  tima para lidar com as
crianas. Sei que ela me ama.
     Ele sorriu e continuou:
      -- Minha linguagem do amor est muito bvia para o senhor,
no ?
     Concordei com ele. E tambm com ela, ao lembrar da palavra
milagre utilizada ao incio de nossa conversa.
     No  necessrio que os presentes sejam caros e oferecidos
semanalmente. Para algumas pessoas, o valor deles nada tem a ver
com o preo, mas sim com o amor implcito.
      No captulo sete, deixaremos mais clara a linguagem do amor
de Jim.


 7. A Quarta Linguagem do Amor: Formas de Servir

      Antes de nos despedirmos de Jim e Janice, reexaminemos a
resposta dele  minha pergunta:
     -- Voc se sente amado por Janice?
     -- Eu sempre me senti amado por ela, Dr. Chapman. Janice  a
melhor dona de casa do mundo! Cozinha como ningum. Minhas
roupas esto sempre limpas e passadas. Ela  tima para lidar com as
crianas. Sei que ela me ama.
      A primeira linguagem do amor de Jim  o que eu chamo de
"Formas de Servir", ou seja, aquilo que voc sabe que seu cnjuge
gostaria que voc fizesse.  procurar agraciar realizando coisas que
ele (ela) aprecia, expressando amor atravs de diversas "Formas de
Servir".
      Estas formas podem ser as mais variadas possveis, tais como
preparar uma boa refeio, pr uma mesa bem arrumada, lavar a
loua, passar o aspirador, arrumar a cmoda, limpar o pente, tirar os
cabelos da pia, remover as manchinhas brancas do espelho (aquelas
causadas por pasta de dente), tirar os insetos mortos do vidro do
carro, levar o lixo para fora, trocar a fralda do beb, pintar o quarto,
aspirar a estante, manter o carro em boas condies de uso, limpar a
garagem, cortar a grama, tirar o mato do jardim, retirar as folhas
mortas, aspirar a persiana, levar o cachorro para passear, dar comida
para o gato, trocar a gua do aqurio -- todas formas de servio. Para
que sejam realizadas  necessrio pensar, planejar e executar
(dispndio de fora e energia). Se feitas com o esprito certo e
positivo, so incontestveis expresses de amor.
      Jesus Cristo deu uma ilustrao simples, porm profunda, ao
expressar amor atravs de uma forma de servio quando lavou os ps
dos discpulos1. Em uma cultura onde as pessoas usavam sandlias e
caminhavam por estradas poeirentas, era costume os servos da casa
lavar os ps dos convidados que chegavam. Depois daquela simples
expresso de amor, o Filho de Deus encorajou seus discpulos a
seguirem seu exemplo.
      Anteriormente, Jesus dissera que, em seu Reino, os que
desejavam ser grandes deveriam ser servos um dos outros. Na
maioria das sociedades existentes, o maior reina sobre o menor, mas
Cristo disse que os que quisessem ser grandes, deveriam servir aos
outros. O apstolo Paulo resumiu essa filosofia ao dizer: "Sirvam uns
aos outros, em amor".2
     Pude observar o impacto de "Formas de Servir" em uma
pequena cidade no Estado da Carolina do Norte, chamada China
Grove. Ela fica na parte central daquela regio, originalmente
estabelecida junto s rvores chamadas "Chinaberry" (Fruta da
China), perto da lendria Mayberry, Andy Griffith, distante uma hora
e meia do Monte Pilot. Na poca em que esta histria aconteceu,
China Grove era uma cidade txtil, com uma populao de 1.500
habitantes. Devido a meus estudos de antropologia, psicologia e
teologia, estive fora daquela localidade durante mais de dez anos. Eu
realizava uma das duas visitas anuais, que costumava fazer, para
manter contato com minhas razes.
      A maioria das pessoas que eu conhecia, com exceo do Dr.
Shin, o mdico local, e Dr. Smith, o dentista, trabalhava no moinho.
Havia, naturalmente, o pregador Blackburn, dirigente da
congregao evanglica local. Para a maioria das pessoas que
moravam em China Grove, a vida centralizava-se no trabalho e na
igreja. A conversa no moinho era sobre a ltima deciso do
superintendente e como ela afetara, particularmente, seu prprio
trabalho. Os cultos focalizavam principalmente as antecipadas
alegrias do cu. Naquele primitivo local americano, descobri a
linguagem do amor nmero quatro.
      Estava em p debaixo de uma rvore Chinaberry, aps o culto
de domingo, quando Mark e Mary aproximaram-se de mim. No
reconheci nenhum deles. Deduzi que haviam nascido enquanto
estivera fora. Apresentando-se, Mark disse:
     -- Pelo que entendi, o senhor ministra estudo sobre
aconselhamento conjugai, no  verdade?
        Sorri e lhes respondi:
        -- Sim, estou comeando. Ele ento me interrogou:
        --  possvel um casamento dar certo, se o casal discorda em
tudo?
     Era uma daquelas perguntas tericas a qual eu sabia que tinha
um fundo pessoal.
      Desconsiderei a conotao terica da pergunta e fiz-lhe uma
interrogao pessoal:
        -- H quanto tempo vocs esto casados?
     -- H dois anos. E no concordamos em nada!
     -- D-me algum exemplo:
     -- Bem, para comear, Mary no gosta que eu v caar.
Trabalho a semana inteira no moinho e, quando chegam os sbados,
gosto de infiltrar-me na floresta. No so todos os sbados, mas
somente quando a temporada de caa est aberta.
     Mary, que estivera calada at ento, disse:
      -- Quando a estao de caa no est aberta ele vai pescar. E
no  verdade que ele caa somente nos sbados. Ele sai do trabalho
para ir caar.
      -- Uma, ou duas vezes por ano, tiro dois ou trs dias de licena
e, juntamente com outros colegas, vamos caar nas montanhas. No
vejo mal algum nisso!
     -- Em que mais vocs discordam? perguntei:
       -- Bem, ela quer que eu v  igreja o tempo todo. No me
importo de ir aos cultos aos domingos de manh, mas,  noite, prefiro
descansar. Tudo bem que ela queira ir, mas no acho que eu precise
estar l tambm.
     Mary novamente replicou:
     -- Voc tambm no quer que eu v! Faz escndalo cada vez
que eu passo pela porta em direo  igreja.
      Sabia que aquela conversa no deveria continuar ali, embaixo
daquela rvore e em frente  igreja. Como um jovem aspirante a
conselheiro, achei que me metia em algo muito complicado para
mim, mas como tinha sido treinado para fazer perguntas e ouvir,
continuei:
     -- Em que mais vocs discordam? Dessa vez, Mary respondeu:
      -- Ele quer que eu fique em casa o dia inteiro e faa todo o
servio domstico. Fica simplesmente maluco se eu visito minha
me, ou saio para fazer compras ou qualquer outra coisa.
      Ele imediatamente interrompeu:
      -- Eu no me importo que ela visite sua me. No entanto,
quando chego em casa, gosto de achar tudo em ordem. H semanas
em que ela no arruma nem a cama durante trs ou quatro dias e nos
outros, quando chego, ela nem ao menos comeou o jantar. Trabalho
duro e gostaria de alimentar-me logo ao chegar. Alm disso, a casa
est sempre na maior baguna! H brinquedos do beb espalhados
por todo lugar, e ele est sempre sujo. No gosto de sujeira. Acho
que ela se sentiria feliz se vivesse em um chiqueiro. No somos ricos
e moramos em uma pequena casa do moinho; mas pelo menos ela
poderia ser limpa!
      Mary ento perguntou:
      -- O que o senhor acha de ele me dar uma ajuda em casa? Ele
age como se os esposos no precisassem jamais ajudar. Tudo o que
ele quer  trabalhar e caar. Espera que eu faa todo o resto. Por ele,
eu teria at de lavar o carro!
     Com o propsito de achar que seria melhor eu procurar alguma
forma de ajudar e no de buscar mais problemas, perguntei a ele:
      -- Mark, quando namoravam, antes de se casarem, voc j ia
caar todos os sbados?
      -- Na maioria deles. Mas eu sempre chegava em casa a tempo
de v-la no sbado  noite. Ainda tinha a oportunidade de lavar meu
carro, antes de encontr-la. Eu no gostava de sair com minha
caminhonete suja.
     -- Mary, quantos anos voc tinha quando se casou? Eu
perguntei.
     -- Dezoito. Ns nos casamos assim que eu terminei o colegial.
Mark formou-se um ano antes de mim, e j trabalhava.
      -- No ltimo ano do colegial, Mark via voc constantemente?
      -- Sim, ele me visitava quase todas as noites. Chegava  tarde
e muitas vezes ficava para jantar com toda a famlia. Costumava
ajudar-me nas tarefas da casa e depois nos sentvamos e
conversvamos at a hora do jantar.
    -- Mary, o que vocs dois faziam depois do jantar? Ela olhou
em minha direo com um sorriso sem graa e disse:
      -- Bem, o que os namorados costumam fazer... Mas, se eu
tivesse algum trabalho escolar, ele sempre me ajudava. Algumas
vezes estudvamos horas juntos. Certa vez eu fui encarregada de
montar um projeto de Natal para a classe que se formaria. Ele me
ajudou todas as tardes, durante trs semanas. Ele foi sensacional!
     "Mudei de marcha" e engatei a terceira na rea das discrdias.
     -- Mark, quando os dois namoravam, voc costumava ir com
Mary  igreja aos domingos  noite?
      -- Sim, eu ia. Se no fosse, no tinha como v-la no domingo 
noite. O pai dela era superexigente.
      -- E ele nunca reclamou disso! Mary acrescentou. De fato, ele
parecia gostar de ir. At nos ajudou na programao de Natal!
Quando terminamos o primeiro projeto, comeamos a preparar o
palco para a pea natalina. Ficamos umas duas semanas envolvidos
naquilo. Ele  muito talentoso para pintar e montar cenrios.
     Achei que comeava a enxergar alguma luz no fim do tnel,
mas temia que Mark e Mary no a vissem. Virei-me, ento para ela e
perguntei:
     -- Quando voc namorava Mark, o que a convenceu de que ele
a amava? O que fez com que ele fosse diferente dos outros rapazes
que voc conhecia?
      -- Foi a forma de como ele me ajudava a fazer as coisas. Ele
tinha tanto entusiasmo em colaborar! Nenhum dos outros rapazes
demonstrou esse tipo de interesse, mas parecia realmente natural em
Mark. Ele chegava at a me ajudar a lavar a loua quando ia jantar
em minha casa. Ele era a pessoa mais maravilhosa que eu j tinha
conhecido. Mas foi s a gente casar, e tudo mudou! Ele no fez mais
nada!
     Dirigindo-me novamente para Mark, perguntei:
      -- Em sua opinio, por que voc acha que fazia todas aquelas
coisas para ela e com ela, antes de casarem?
      -- Na poca, para mim era natural faz-las.  o que se espera
que algum nos faa, se esse algum gosta de ns.
     -- E por que voc acha que parou de ajud-la depois do
casamento? Perguntei.
      -- Eu acho que pensei ser como era em minha famlia. Meu pai
trabalha e minha me toma conta da casa. Nunca o vi aspirar o p,
lavar loua ou fazer qualquer outro servio domstico. Em virtude de
minha me no trabalhar fora, ela mantinha a casa sempre limpa,
cozinhava, lavava e passava. Acho que simplesmente pensei que
deveria agir como meu pai.
        Torcendo para que ele raciocinasse como eu, perguntei:
     -- Mark, um minuto atrs o que voc ouviu Mary responder,
quando perguntei o que a fez sentir-se amada por voc durante o
namoro?
        Ele respondeu:
        -- O fato de eu ajud-la a fazer as coisas e realiz-las ao lado
dela.
                     Os pedidos direcionam o amor,
             mas cobranas impedem que ele seja liberado.


        Ainda dirigi-me a Mark e perguntei:
     -- D para voc entender como ela se sentiu rejeitada quando
voc parou de ajud-la?
        Ele sacudiu a cabea para cima e para baixo... Ento afirmei:
     -- Tambm  compreensvel que voc tenha seguido o modelo
do casamento de seus pais. A maioria de ns faz isso, mas sua
mudana de comportamento com Mary foi muito radical. Isso fez
com que ela achasse que seu amor por ela havia terminado.
     Depois virei-me para Mary e disse-lhe:
     -- O que voc ouviu Mark responder, quando perguntei a ele o
porqu dele ajud-la na poca de namoro?
     -- Ele disse que so coisas as quais se espera que se faam
quando uma pessoa gosta de outra. Ele realizava aquilo para
demonstrar seu amor por mim.
      Ela acrescentou que aquilo era natural nele. Porque na mente
dele era essa a forma de se demonstrar amor. Ento lhe perguntei:
      -- Quando os dois se casaram e foram morar em sua prpria
residncia, ele esperou para ver o que voc faria para demonstrar-lhe
amor. Suas expectativas eram que mantivesse a casa limpa,
cozinhasse, etc. Resumindo, ele aguardou que fizesse coisas por ele
como expresso de seu amor. Voc entende que, por no v-la
realizar o que esperava, ele passou a no sentir-se mais amado?
     Agora era Mary quem balanava a cabea. E eu continuei:
       -- Meu ponto de vista do porqu de ambos estarem to
infelizes  que nenhum de vocs demonstra amor um pelo outro,
atravs de atos de bondade.
     Mary disse:
     -- Acho que voc est certo e o motivo pelo qual parei de fazer
as coisas para ele, foi porque me ressenti de tanta cobrana. Era
como se ele quisesse fazer com que eu ficasse igual  me dele.
     Eu concordei com ela:
      -- Voc est certa. Ningum gosta de fazer as coisas
foradamente. O prprio amor  entregue espontaneamente. O amor
no pode ser obrigatrio. Podemos solicitar que os outros faam
algumas coisas para ns, mas no devemos exigi-las. Pedidos
direcionam o amor, mas cobranas impedem que ele seja liberado.
     Mark interrompeu-me e disse:
     --  isso mesmo, Dr. Chapman, ela est certa. Tenho
realmente feito muitas cobranas e crticas a Mary porque estou
desapontado com ela como esposa. Disse mesmo algumas coisas
muito cruis, que devem ter feito com que ela ficasse muito magoada
comigo.
     Olhando para ambos, disse-lhes:
     -- Acredito que as coisas agora podem ser consertadas. Tirei
um bloco de papel do meu bolso e destaquei duas folhas:
      -- Vamos tentar uma coisa. Quero que cada um de vocs se
sente nos degraus da igreja e faa uma lista de pedidos. Mark,
gostaria que preparasse uma relao de trs ou quatro coisas que, se
Mary resolvesse faz-las, levariam voc a se sentir amado quando
chegasse  casa no final do dia. Se ter as camas arrumadas  muito
importante, ento coloque isso no papel.
     Virei-me para Mary e disse-lhe o mesmo:
      -- Mary, quero que voc faa uma lista de trs ou quatro coisas
com as quais realmente gostaria que Mark a ajudasse, atitudes que, se
ele as praticasse, ajudariam voc a acreditar que ele a ama. (Aprecio
muito as listas. Elas nos foram a pensar de forma concreta).
     Aps cinco ou seis minutos, eles me entregaram suas listas. A
de Mark ficou assim:


1. Arrumar as camas diariamente;
2. Lavar o rosto do beb quando eu estiver para chegar em casa;
3. Colocar seus sapatos na sapateira antes que eu chegue em casa.
4. Tentar, pelo menos, comear o jantar antes de eu chegar, de forma
que possamos nos alimentar 30 a 45 minutos aps a minha chegada.


     Li a lista de Mark em voz alta e disse:
      -- Posso entender que, se Mary decidir fazer estas quatro
coisas, voc as ver como formas dela demonstrar amor por voc?
     Ele respondeu:
      --  isso mesmo! Se ela fizer estas quatro coisas, isso
certamente cooperar muito para que eu mude minha atitude para
com ela.
     Em seguida, li a lista de Mary:


1. Gostaria que ele lavasse o carro uma vez por semana e no
esperasse isso de mim.
2. Gostaria que ele trocasse a fralda do beb quando chegasse em
casa, especialmente quando estou atarefada na cozinha no preparo do
jantar.
3. Gostaria que ele passasse o aspirador na casa para mim, pelo
menos uma vez por semana.
4. Gostaria que, no vero, ele cortasse a grama todas as semanas a
fim de no deixar que ela crescesse tanto, a ponto de eu ter vergonha
do nosso jardim.


     Eu ento disse:
      -- Mary, entendo o que voc deseja. Se Mark decidir fazer
essas quatro coisas, voc as receber como formas genunas de
expresses de amor?
      --  isso mesmo. Seria maravilhoso se ele fizesse essas coisas
para mim.
      -- Essa lista parece razovel para voc, Mark? -- perguntei-
lhe. Voc poderia faz-las, se assim decidisse?
     -- Sim --, ele disse.
     -- Mary, voc acha os itens da lista de Mark razoveis?
     Voc poderia realiz-las, se assim decidisse?
     -- Sim, eu posso fazer essas coisas. Mas eu me sinto frustrada
porque no importa o quanto eu faa, pois nunca  suficiente.
      -- Mark, voc entende que proponho uma mudana do modelo
de casamento que voc tem?
      -- Sabe de uma coisa, meu pai corta a grama e tambm lava o
carro! acrescentou ele.
      -- Mas pelo jeito ele nunca passou o aspirador na casa nem
trocou fralda de nenhum dos filhos, estou certo?
      -- Est!
      -- Voc no  obrigado a faz-las. Quero deixar isso bem
claro; porm, se as realizar, sero comunicadas como expresses de
amor a Mary.
                   Aquilo que fazemos um para o
                      outro antes do casamento,
                   no garante que continuaremos
                   a realiz-lo depois de casados.
      E para Mary, eu disse:
      -- Voc tambm precisa entender que no  obrigada a fazer as
coisas da lista, mas, se decidir realiz-las, estas sero quatro formas
que realmente tero significado para ele.
      Virando-me ento para ambos, disse:
     -- Gostaria de sugerir que vocs tentassem esse novo
procedimento por dois meses e ento avaliassem se os ajudou ou no.
Ao final deste perodo, talvez queiram acrescentar novos itens s
suas listas e partilh-las um com o outro. Eu, no entanto,
recomendaria que no houvesse o acrscimo de mais de um item por
ms.
      -- Isso faz sentido -- Mary replicou.
     -- Acho que voc nos deu uma grande ajuda -- acrescentou
Mark.
     Virando as costas, ambos saram de mos dadas e caminharam
em direo ao carro.
      Ao ficar sozinho novamente, comecei a caminhar e disse em
alta voz: "Acho que a igreja  para isso. Creio que vou gostar de
trabalhar com aconselhamento!"
      E nunca mais esqueci o enfoque obtido embaixo daquela
rvore.
     Aps anos de pesquisa, percebi que a situao de Mark e Mary
foi muito especial para mim. Raramente encontramos um casal onde
ambos possuam a mesma linguagem do amor. Tanto para Mark como
para Mary, "Formas de Servir" era sua primeira linguagem do amor.
Centenas de pessoas identificam-se com uma ou outra e reconhecem
que a principal forma atravs da qual sentem-se amadas por seus
cnjuges,  atravs de "Formas de Servir".
      Guardar os sapatos, trocar as fraldas do beb, lavar loua ou o
carro, aspirar o p ou cortar a grama falam muito alto para aqueles
cuja primeira linguagem do amor  "Formas de Servir".
      Voc talvez indague: "Mas se Mark e Mary tinham a mesma
linguagem do amor, por que possuam tantos problemas?" A resposta
est no fato de que eles falavam dialetos diferentes. Eles faziam
coisas um para o outro, mas no as que consideravam as mais
importantes. Quando forados a pensar de forma concreta, facilmente
identificavam seus dialetos. Para Mary, era lavar o carro, trocar a
fralda do beb, aspirar o p e cortar a grama, ao passo que para Mark
era arrumar as camas, lavar o rosto do beb, guardar os sapatos na
sapateira e j ter o jantar comeado ao chegar em casa. Quando
comearam a falar os dialetos certos, os "tanques do amor" de ambos
comearam a encher. Desde que a primeira linguagem do amor de
ambos era "Formas de Servir", aprender o dialeto especfico de cada
um foi relativamente fcil para eles.
      Antes de deixarmos para trs Mark e Mary, gostaria de fazer
trs observaes. Primeira, eles ilustram claramente que o que
fazemos um para o outro antes do casamento, no  garantia de que
continuaremos a faz-lo depois de casados. Antes do matrimnio
somos levados pela fora da paixo. Aps o casamento, voltamos a
ser as pessoas que ramos antes de nos apaixonarmos. Nossas aes
so influenciadas pelo modelo de nossos pais, nossa prpria
personalidade, nossa percepo do amor, nossas emoes,
necessidades e nossos desejos. Apenas uma coisa  certa sobre nosso
comportamento: no ser o mesmo da poca em que estvamos
apaixonados.
       E isso me leva  segunda verdade ilustrada por Mark e Mary.
Amor  uma deciso, e no pode ser coagido. Mark e Mary
criticavam o comportamento um do outro e no chegavam a lugar
algum. A partir do ponto em que decidiram fazer pedidos um ao
outro, e no cobranas, o casamento tomou outro rumo. Crticas e
cobranas no levam a lugar algum. O excesso de observaes pode
levar um cnjuge a concordar com o outro. Ele (ela) pode fazer as
coisas do modo dela (dele) mas, muito provavelmente, aquela no
ser uma expresso de amor. Voc pode dar outra direo ao amor
atravs de pedidos: Eu gostaria muito que lavasse o carro, trocasse a
fralda do beb, cortasse a grama; porm, no h como colocarmos
em algum a vontade para tal. Cada um de ns decide diariamente
amar ou no nossos cnjuges. Se escolhermos gostar dele, ento a
expresso desse amor da forma que seu cnjuge solicita, torn-lo-
mais efetivo em termos emocionais.
       H uma terceira verdade, que somente  ouvida pelos amantes
mais maduros. As crticas de meu cnjuge sobre meu
comportamento, fornecem-me dicas "quentes" a respeito de sua
primeira linguagem do amor. As pessoas tendem a criticar mais seus
cnjuges na rea em que eles mesmos tm suas mais profundas
necessidades emocionais. A observao que fazem  uma forma
intil de suplicar amor. Se conseguirmos entender essa caracterstica,
tornaremos estas crticas mais produtivas. Uma esposa poder dizer a
seu marido, aps ser observada por ele:
     "Parece-me que isso  algo muito importante para voc.
Poderia explicar por que considera (tal coisa) to crucial?"
      Crticas exigem explicaes. Uma conversa poder transformar
a crtica mais em pedido do que em cobrana. A constante
reprovao de Mary  caa de Mark no significava que ela odiava
aquele esporte. Ela culpava isso por deix-lo impossibilitado de lavar
o carro, aspirar o p e cortar a grama. Quando ele aprendeu a suprir
sua necessidade de amor ao falar sua linguagem emocional, ela se
libertou para tambm apoi-lo em seu esporte favorito.

                      CAPACHO    OU   AMANTE?

      "Eu o sirvo h vinte anos. Isso inclui todas as modalidades de
servio. Sou seu capacho porque ele simplesmente me ignora,
maltrata-me e humilha-me na frente dos amigos e da famlia. No o
odeio. No lhe desejo mal, mas estou profundamente magoada e no
quero mais viver com ele".
      Essa esposa utilizou "Formas de Servir" durante vinte anos,
mas sem expresso de amor. Seus atos demonstravam medo, culpa e
ressentimento.
                 Devido s mudanas sociolgicas
                       dos ltimos trinta anos,
                     no h mais um esteretipo
                do papel do esposo e nem da esposa,
                       na sociedade moderna.
       Um capacho  um objeto inanimado. Voc pode limpar seus
ps nele, chut-lo, coloc-lo de lado, ou fazer qualquer outra coisa
que deseje. Ele no tem vontade prpria. Pode servir a seu dono, mas
no am-lo. Quando ns, homens, tratamos nossas esposas como
objetos, exclumos a possibilidade de receber amor. Manipulao que
utiliza a culpa ("Se voc for realmente uma boa esposa, far isso para
mim"), no  uma linguagem do amor. Coao pelo medo ("Acho
melhor voc fazer isso para mim, seno se arrepender") tambm no
tem nada a ver com o amor. Ningum deve ser capacho. Podemos ser
usados, mas somos criaturas que possuem emoes, pensamentos e
desejos. Temos a habilidade de tomar decises e de agir. Usar ou
manipular outras pessoas no  um ato de amor, mas de traio. Voc
induz a quem manipula a desenvolver hbitos desumanos. O amor
diz: "Pelo fato de eu am-lo muito, no vou permitir que me trate
desse jeito. No  bom para voc nem para mim".
                  SUPERANDO        OS   ESTERETIPOS

      O aprendizado da linguagem do amor "Formas de Servir"
implica que examinemos nossos esteretipos dos papis de esposo e
esposa. Mark fazia o que a maioria de ns, maridos, realiza
normalmente. Seguia o modelo dos papis assumidos pelos pais.
Porm, nem isso ele realizava direito. Seu pai lavava o carro e
cortava a grama. Mark no fazia nada disso, mas essa era a imagem
mental que ele tinha a respeito do que um marido deveria realizar.
No resta a menor dvida de que ele no se via limpando a casa nem
trocando as fraldas do beb. Ainda bem que ele teve boa vontade em
quebrar seu esteretipo ao perceber como essas coisas eram
importantes para Mary. Isso ser necessrio para todos ns se a
primeira linguagem do amor de nossos cnjuges solicitar algo que
parea inadequado a nosso papel.
       Devido s mudanas sociolgicas dos ltimos trinta anos, no
h mais um esteretipo comum dos papis do esposo e da esposa na
sociedade moderna. Isso no significa, contudo, que todos os
esteretipos tenham desaparecido, mas que o nmero deles
multiplicou. Antes da era da televiso, a imagem que as pessoas
tinham de um esposo e de uma esposa e de como deveria ser esse
relacionamento, era primeiramente influenciada pelos prprios pais.
Com a invaso da televiso e com a proliferao da separao dos
casais, o modelo desses papis tornou-se grandemente influenciado
por foras de fora do lar. Sejam quais forem suas percepes a
respeito,  muito provvel que seu cnjuge possua expectativas
diferentes a respeito dos papis conjugais. E necessrio "vontade
poltica" para examinar e mudar esteretipos, e assim expressar amor
de forma mais efetiva. Lembre-se, no h recompensas para se
manter esses esteretipos; por outro lado, h benefcios tremendos
em atender s necessidades emocionais de seu cnjuge.
     Bem recentemente, uma esposa me disse:
      -- Dr. Chapman, vou mandar todos meus amigos assistirem a
seu seminrio!
     E eu, ento, lhe perguntei:
     -- Por que voc far isso?
       -- Porque meu casamento mudou radicalmente. Antes do
seminrio, Bob nunca me ajudava em nada. Ns dois comeamos
nossas carreiras aps a faculdade, mas sempre coube a eu fazer tudo
em casa. Era como se nunca tivesse passado pela cabea dele realizar
alguma coisa. Depois do seminrio ele comeou a me perguntar de
que forma poderia me ajudar. Eu fiquei maravilhada! No incio, nem
acreditava que fosse verdade, mas essa postura tem persistido j por
trs semanas.
     Ela suspirou profundamente e continuou:
      -- Tenho de admitir que houve situaes cmicas, no percurso
destas trs semanas, porque ele no sabia fazer nada! A primeira vez
em que colocou a roupa para lavar, ao invs de usar o detergente
diludo, colocou o alvejante. Nossas toalhas azuis ganharam "lindas"
bolas brancas. Depois, chegou a hora de ele utilizar pela primeira vez
nosso triturador de lixo. Pareceu estranho quando comeou a sair
espuma de sabo na pia ao lado. Ns paramos o processo, e depois de
desligar a mquina coloquei minha mo na abertura do aparelho.
Tirei dali um quarto de um pedao de sabo em barra que antes
daquela aventura estava inteirinho. Mas ele me amava de acordo com
a minha linguagem e meu "tanque do amor" enchia-se
gradativamente! Agora ele j sabe fazer de tudo em casa e ajuda-me
muito. Temos, tambm, bons momentos juntos porque no preciso
trabalhar o tempo todo. E, "pode crer", tambm aprendi a linguagem
dele e mantenho seu "tanque" cheio.
     -- Foi assim to simples?
      Simples? Sim. Fcil? No. Bob teve de trabalhar duro para
quebrar o esteretipo com o qual convivera durante trinta e cinco
anos. No foi do "dia para a noite", mas ele com certeza poder dizer
que aprender a primeira linguagem do amor de sua esposa e decidir-
se por utiliz-la fez uma diferena tremenda no clima emocional de
seu casamento.
     Passemos, agora, para a linguagem do amor nmero cinco.


              Notas
     1. Joo 13.3-17
     2. Glatas 5.13


    8. A Quinta Linguagem do Amor: Toque Fsico

      H muito se sabe que o toque fsico  uma forma de se
comunicar o amor emocional. Inmeras pesquisas na rea do
desenvolvimento infantil chegaram s seguintes concluses: Os
bebs que so tomados nos braos, beijados e abraados
desenvolvem uma vida emocional mais saudvel do que os que so
deixados durante um longo perodo de tempo sem contato fsico. A
importncia do toque no que se refere s crianas no  uma idia
moderna. Durante o ministrio terreno de Cristo, os hebreus que
moravam na Palestina reconheciam que Jesus era um grande mestre e
levavam seus filhos at ele para que tocasse neles.1 Como podemos
nos lembrar, seus discpulos repreenderam aos pais daquelas
crianas, pois acharam que o Filho de Deus estava ocupado demais
para aquela atividade to "frvola". Porm, as Escrituras afirmam-nos
que Jesus se indignou com os seus seguidores e disse: "Deixai vir a
mim os pequeninos, no os embaraceis, porque dos tais  o Reino
dos Cus. Em verdade vos digo: Quem no receber o reino de Deus
como uma criana, de maneira nenhuma entrar nele. Ento,
tomando-as nos braos e impondo-lhes as mos, as abenoava."2
     Pais sbios, em qualquer cultura, tambm tocam seus filhos de
forma amorosa.
     O toque fsico  tambm um poderoso veculo de comunicao
para transmitir o amor conjugai. Andar de mos dadas, beijar,
abraar e manter relaes sexuais so formas de se comunicar o amor
emocional para o cnjuge.
      Os antigos costumavam dizer: "O caminho para se conquistar o
corao de um homem  atravs de seu estmago". Muitos deles
engordaram tanto a ponto de correrem risco de vida, devido s
esposas serem adeptas desta filosofia. Naturalmente, os antigos no
se referiam ao corao fsico, mas ao centro do romantismo. Seria
mais adequado dizer: "A forma de alcanar o corao de alguns
homens  atravs de seus estmagos". Lembro-me bem das palavras
de um certo marido:
      "Dr. Chapman, minha esposa  uma cozinheira de forno e
fogo. Ela gasta horas cozinhando. Faz os pratos mais elaborados
que existem. E quanto a mim? Sou um daqueles homens que
apreciam pur e carne moda. Vivo dizendo que ela est gastando
muito tempo na cozinha. Eu adoro comida simples. Ela fica
aborrecida e diz que no gosto dela. Mas eu a amo! S desejaria que
ela facilitasse as coisas para si mesma e no gastasse muito tempo
com pratos to trabalhosos. Dessa forma, passaramos mais tempo
juntos e ela teria mais energia para fazer outras coisas".
     Obviamente, essas "outras coisas" chegavam mais perto de seu
corao do que refeies sofisticadas.
       A esposa daquele homem era emocionalmente frustrada. Ela
crescera em uma famlia onde a me era uma excelente cozinheira e
o pai sabia apreciar seus esforos. Ela se lembrava de seu pai ter dito
 sua me: "Quando me sento  mesa com uma refeio como esta
diante de mim, torna-se fcil am-la". Seu pai diariamente elogiava
os quitutes feitos por sua me. Em particular e em pblico ele
elogiava os dotes culinrios da esposa. Aquela filha aprendera
direitinho o modelo deixado por sua me. O problema  que ela no
estava casada com o seu prprio pai. Seu esposo possua uma
linguagem do amor muito diferente.
      Em minha conversa com aquele esposo, no levou muito tempo
at eu descobrir que as "outras coisas" s quais ele se referia era
sexo. Quando a esposa respondia positivamente no tocante a relao
sexual, ele sentia segurana em seu amor. No entanto, quando por
qualquer motivo ela se esquivava sexualmente do marido, nem toda
sua habilidade culinria era suficiente para convenc-lo de que ela o
amava. Ele no era contra os pratos elaborados, mas em seu corao
eles no poderiam, de forma alguma, substituir aquilo que ele
considerava "amor".
      A relao sexual, porm,  somente um dialeto na linguagem
do toque fsico. Dos cinco sentidos, o do toque diferencia-se dos
outros quatro, pois no se limita a uma localizao especfica no
nosso organismo. Pequenos receptores tteis acham-se espalhados ao
longo de todo o corpo. Quando esses receptculos so tocados ou
apertados, os nervos carregam esses impulsos para o crebro. Este os
interpreta e percebemos o objeto do toque como quente ou frio,
spero ou macio. Causam dor ou prazer. Tambm os interpretamos
como amorosos ou hostis.
                     O toque fsico pode iniciar
                   ou terminar um relacionamento.
                   Pode comunicar dio ou amor.
       Algumas partes do corpo so mais sensveis do que outras. A
diferena deve-se ao fato dos pequenos receptores tteis no estarem
espalhados aleatoriamente pelo nosso organismo, mas sim
distribudos em grupos. Portanto, a ponta da lngua  altamente
sensvel ao toque, ao passo que atrs dos ombros  uma das partes
mais insensveis. As pontas dos dedos e a ponta do nariz tambm so
reas extremamente sensveis. Nosso objetivo, no entanto, no 
entender as bases neurolgicas das sensaes do toque, mas sim sua
importncia psicolgica.
      O toque fsico pode iniciar ou terminar um relacionamento.
Pode comunicar dio ou amor. A pessoa cuja primeira linguagem do
amor  "Toque Fsico" receber uma mensagem que ir muito alm
das palavras "Eu odeio voc" ou "Eu amo voc". Um tapa no rosto 
algo difcil para qualquer criana enfrentar, mas para aquela que
possuir o "Toque Fsico" como primeira linguagem do amor, ser
devastador. Um abrao afetivo comunica amor a qualquer criana,
mas aquela que possuir o "Toque Fsico" como primeira linguagem
do amor, desfrutar de forma mais intensa aquele gesto, sentindo-se
amada e segura. A mesma atitude  vlida para os adultos.
       No casamento, o toque de amor existe em vrias formas.
Levando-se em conta que os receptores ao toque localizam-se por
todo o corpo, um afago amoroso em qualquer parte pode comunicar
amor a seu cnjuge. Isso no significa que todos os toques sejam
iguais. Seu cnjuge apreciar a alguns mais do que a outros. Seu
melhor professor, sem dvida alguma, ser seu (sua) prprio (a)
esposo (a). Afinal de contas, ele (ela)  a quem voc demonstrar
amor. Ele (ela) sabe exatamente o tipo de toque que mais lhe agrada.
No insista em toc-la (o) de seu jeito e em seu tempo. Aprenda a
falar o dialeto dele (dela), pois alguns toques podem ser considerados
desconfortveis ou irritantes. A insistncia em praticar tais atos pode
comunicar o oposto ao amor. Talvez afirme que voc no  sensvel
s necessidades dele (dela) e no se importa com a sua percepo de
prazer. No caia no erro de achar que o que lhe traz prazer tambm
trar a seu cnjuge.
      Toques amorosos podem ser explcitos e exigir sua completa
ateno, como afago nas costas e jogos sexuais que terminem em
uma relao. Por outro lado, tambm podem ser implcitos e breves,
como um toque nos ombros ao encher uma xcara de caf, ou um
rpido roar no corpo ao passar pela cozinha. Toques explcitos,
naturalmente, levam mais tempo, no somente a prtica deles em si,
como tambm a percepo de como progredir quando se visa
comunicar amor dessa forma ao cnjuge. Se uma massagem nas
costas comunica eficazmente seu amor a seu (sua) esposo (a), ento,
todo tempo, dinheiro e energia que voc gastar para aprender a ser
um (a) bom (boa) massagista ser, sem dvida, um bom
investimento. Se a relao sexual for o primeiro dialeto de seu
parceiro, leia e converse sobre a arte do amor sexual de forma a
aprimorar sua expresso de amar.
      Toques implcitos de amor levam menos tempo; porm
desenvolvem o treinamento, especialmente se o `Toque Fsico " no
for sua primeira linguagem do amor, e se voc cresceu em uma
famlia onde as pessoas no se expressavam dessa forma. Sentar-se
pertinho um do outro no sof para assistirem televiso, no exigir
tempo extra e poder comunicar amor de forma abundante.
      Pequenos toques ao passar por seu cnjuge implicam fraes
de segundos. Afagos ao sair e ao chegar em casa podem envolver
beijos e abraos ligeiros mas falaro muito alto para seu (sua) esposo
(a).
      Uma vez que voc descubra que o `Toque Fsico"  a primeira
linguagem do amor de seu cnjuge, sua nica limitao  sua prpria
imaginao, quanto s formas de expressar amor. Descobrir novas
formas e lugares de toque pode ser um excitante desafio. Se voc no
for algum que tem o hbito de "tocar sob a mesa", descobrir que
essa prtica poder acender fagulhas quando jantarem fora. Voc
poder encher o "tanque do amor" de seu cnjuge, se caminharem de
mos dadas at chegarem ao carro, mesmo que voc no tenha o
hbito de fazer isso em pblico. Se voc, normalmente, no beija seu
cnjuge ao entrar no carro, poder descobrir que esse gesto tornar
sua viagem mais atraente. Abraar sua esposa antes dela sair para as
compras poder, alm de expressar amor, traz-la mais rpido para
casa. Tente novos toques em novos lugares e pergunte a seu cnjuge
o que sentiu: se os achou prazerosos ou no. Lembre-se: a ltima
palavra  dele (dela). Voc est aprendendo a falar a lngua dele
(dela).

              O CORPO EXISTE PARA SER TOCADO

      Tudo o que h em mim reside em meu corpo. Tocar em mim
significa afag-lo. Afastar-se dele  distanciar-se de mim,
emocionalmente. Em nossa sociedade, um aperto de mo comunica
acordo e exclusividade. Quando, em raras ocasies, um homem
recusa apertar a mo de outro, a mensagem que essa atitude
comunica  que as coisas no vo bem naquela amizade. Todas as
sociedades possuem formas de toque fsico como cumprimento
social. A maioria dos homens americanos no se sente confortvel
com fortes abraos e beijos, mas na Europa eles tm a mesma funo
de um aperto de mo.
      Em cada sociedade h formas adequadas e inadequadas de se
tocar as pessoas do sexo oposto. A recente ateno voltada para os
assdios sexuais tem evidenciado as formas inapropriadas. No
casamento, entretanto, tudo isso  determinado pelo casal, dentro de
algumas amplas diretrizes. Abuso fsico , naturalmente, condenado
pela sociedade e existem organizaes sociais cujo objetivo  ajudar
tanto esposas quanto esposos vtimas dos excessos. Nossos corpos
foram feitos para toques, mas no para abusos.
                    Se a primeira linguagem do
                     amor de seu cnjuge for o
                  "Toque Fsico", nada ser mais
                    importante do que abra-la
                    (o) quando ela (ele) chorar.
      Este sculo caracteriza-se como a era da abertura e liberdade
sexual. Essa conquista, porm, tem demonstrado que o casamento
onde ambos os cnjuges so livres para ter relaes sexuais com
outros parceiros  uma iluso. Os que no discordam disso por
motivos morais, no aceitam por razes emocionais. H alguma coisa
em nossa necessidade por intimidade e amor que no nos permite dar
tal liberdade a nosso cnjuge. A dor emocional  profunda e a
intimidade evapora-se quando tomamos conhecimento de que nosso
cnjuge est envolvido sexualmente com outra pessoa. Os arquivos
dos conselheiros esto repletos de registros de esposos e esposas que
tentam superar o trauma emocional de um cnjuge infiel. Esse
problema, entretanto,  multiplicado para aquele cuja primeira
linguagem do amor  o `Toque Fsico".  por isso que machuca tanto
-- o "Toque Fsico" como expresso do amor -- agora  dado a
outra pessoa. No  que o tanque emocional tenha se esvaziado; o
fato  que ele explodiu! Sero necessrios inmeros reparos para que
aquelas necessidades emocionais sejam supridas.

                   AS CRISES   E O   TOQUE FSICO

      De forma mais ou menos instintiva, abraamos uns aos outros
em tempos de crise. Por qu? Pois o "Toque Fsico"  um poderoso
comunicador de amor. Em pocas difceis, mais do que em qualquer
outra, precisamos nos sentir amados. Nem sempre devemos mudar as
situaes, mas podemos super-las se nos sentirmos amados.
       Todos os casamentos atravessam crises. A morte dos pais 
inevitvel. Acidentes automobilsticos aleijam e matam centenas de
pessoas anualmente. Enfermidades no respeitam ningum.
Desapontamentos fazem parte da vida. A coisa mais importante a ser
feita por seu cnjuge quando este atravessar alguma crise na vida, 
am-lo. Se a primeira linguagem do amor de seu (sua) esposa (a) for
o "Toque Fsico", nada ser mais importante do que abra-lo (a)
quando ele (a) chorar. Suas palavras talvez no tenham muita
importncia, mas o toque fsico comunicar que voc se preocupa
com ele(ela). As crises propiciam uma oportunidade singular para se
expressar amor. Toques afetuosos sero lembrados muito tempo
ainda aps as dificuldades terem passado. Porm, a ausncia de seu
toque talvez jamais seja esquecida.
      Desde minha primeira visita a West Palm Beach, na Flrida,
muitos anos atrs, recebo com alegria os convites para voltar e dar
meus seminrios naquela regio. Em uma dessas ocasies, conheci
Pete e Patsy. Eles no eram originrios da Flrida (poucos o so),
mas j moravam ali h vinte anos e sentiam-se em casa. Meu
seminrio fora promovido pela igreja local, e no percurso do
aeroporto para a igreja o pastor comunicou-me que Pete e Patsy
haviam solicitado que eu passasse a noite na casa deles. Procurei
demonstrar contentamento, mas sabia de experincias anteriores que
aquele tipo de solicitao implicaria em uma sesso de
aconselhamento at altas horas da madrugada. No entanto, eu me
surpreenderia mais de uma vez naquela noite.
      Quando o pastor e eu adentramos aquela espaosa casa estilo
espanhol, decorada com muito bom gosto, fui apresentado a Patsy e
Charlie, o gato da famlia. Ao olhar ao redor pude aferir que ou os
negcios de Pete iam muito bem, ou seus pais deixaram-lhe uma
grande fortuna, ou ele estava enterrado em dvidas. Depois descobri
que meu primeiro palpite estava correto. Quando me levaram ao
quarto de hspedes, Charlie, o gato, antecipou-se e pulou na cama
onde eu dormiria, e esticou-se muito  vontade. Eu pensei: Esse gato
est com tudo!
       Pete chegou logo depois e comemos um delicioso lanche.
Ficou combinado que jantaramos aps o seminrio. Vrias horas
mais tarde, enquanto cevamos, eu aguardava o momento em que a
sesso de aconselhamento comearia. Mas no comeou. Ao
contrrio do que imaginei, Pete e Patsy formavam um casal saudvel
e feliz. Para um conselheiro isso  uma raridade. Estava curioso para
descobrir qual era o segredo deles, mas me encontrava exausto, e
como sabia que ambos me levariam no dia seguinte ao aeroporto,
decidi fazer minha sondagem ao amanhecer. Eles, ento,
conduziram-me a meu quarto.
      Charlie, o gato, foi muito gentil em deixar o quarto quando eu
cheguei. Saltando da cama ele procurou outro local e eu, em poucos
minutos, assumi seu lugar naquele confortvel leito. Aps uma
rpida reflexo sobre aquele dia, adormeci. Antes, porm, que
perdesse o contato com a realidade, a porta do quarto foi escancarada
e um monstro pulou sobre mim! Eu ouvira falar sobre o escorpio da
Flrida, mas aquele no era um deles. Sem pensar sacudi o lenol
que me cobria e com um grito lancinante atirei-o contra a parede.
Ouvi seu corpo bater, seguido de um silncio. Pete e Patsy correram,
acenderam a luz e ns trs olhamos para Charlie, ainda estendido no
cho.
      Pete e Patsy sempre se recordam disso e eu jamais me
esquecerei. Charlie recobrou-se em alguns minutos e saiu rapidinho
dali. Para falar a verdade, Pete e Patsy contaram-me que ele nunca
mais entrou naquele quarto!
      Aps meu episdio com Charlie, no sabia se Pete e Patsy
ainda me levariam ao aeroporto e nem se teriam algum interesse por
mim. Meus temores, no entanto, desaparecerem quando aps o
seminrio ele me disse:
      "Dr. Chapman, j cursei vrios seminrios mas nunca ouvi
alguma descrio to clara a respeito de Patsy e de mim como a que
o senhor fez. A linguagem do amor  realmente uma verdade. No
vejo a hora de lhe contar nossa histria!"
     Aps despedir-me das pessoas presentes ao seminrio, samos
a caminho do aeroporto, em nosso percurso de aproximadamente 45
minutos. Pete e Patsy comearam, ento, a contar-me sua histria.
Nos primeiros anos de seu casamento tiveram grandes problemas.
Porm, 22 anos atrs, seus amigos disseram-lhes que eles formavam
o casal perfeito. Pete e Patsy realmente acreditavam que seu
matrimnio "fora realizado nos cus".
      Eles cresceram na mesma comunidade, freqentaram a mesma
igreja e estudaram no mesmo colgio. Seus pais tinham estilos de
vida e valores semelhantes. Pete e Patsy apreciavam muitas coisas
em comum. Ambos gostavam muito de jogar tnis, velejar e sempre
conversavam a respeito de como possuam os mesmos interesses.
Eles, aparentemente, tinham todas as similaridades que se acredita
necessrios para se diminuir os conflitos em um casamento.
      Comearam o namoro no segundo ano da faculdade. Faziam
cursos diferentes, mas davam sempre um jeito de se encontrar pelo
menos uma vez por ms e em algumas ocasies especiais. Ainda na
escola estavam convencidos de que "haviam nascido um para o
outro". Ambos, no entanto, concordaram em terminar a faculdade
antes de se casarem. Pelos trs anos seguintes tiveram um
relacionamento idlico. Um final de semana ele a visitava em seu
campus, e no outro era a vez dela retribuir a visita dele. No final de
semana seguinte eles iam para suas casas visitar suas famlias, mas a
maior parte do tempo tambm ficavam juntos. No quarto final de
semana de cada ms, no entanto, ambos concordaram que no se
veriam e utilizariam o tempo para desenvolver atividades de seus
interesses pessoais. Com exceo de eventos especiais como
aniversrios, realmente respeitavam esse planejamento. Trs semanas
aps receberem seus diplomas, ele em economia e ela em sociologia,
casaram-se. Dois meses depois, mudaram para a Flrida onde
apareceu uma tima chance de emprego para Pete. Eles estavam a
3.200 quilmetros de distncia do parente mais prximo, e podiam
desfrutar de uma eterna lua-de-mel.
      Os primeiros trs meses foram emocionantes -- mudar, achar
um apartamento e curtir um ao outro. O nico motivo de conflito que
tinham era a loua para lavar. Pete achava que ele possua uma
tcnica mais eficiente para aquela tarefa. Patsy, no entanto, no
concordava com aquela idia. Chegaram, ento, a concluso de que
quem fosse lavar a loua, utilizaria a forma que desejasse. E aquela
discusso foi desfeita. Eles tinham uns seis meses de casamento
quando Patsy achou que Pete estava se afastando dela. Trabalhava
horas alm do expediente normal e, ao chegar em casa, gastava
tempo demais no computador. Quando finalmente conseguiu
manifestar a sua desconfiana a Pete, ele respondeu que no a estava
evitando, mas sim tentava manter-se no auge de seu emprego. Disse
tambm que ela no compreendia a presso que ele sofria em seu
trabalho, e quo importante era que ele se sasse bem no primeiro ano
de atividade. Patsy no ficou muito satisfeita, mas resolveu dar-lhe o
espao solicitado.
                      Ao final do primeiro ano,
                      Patsy estava desesperada.
       Patsy fez amizade com diversas senhoras que moravam no
mesmo condomnio onde ela residia. Quando sabia que Pete
trabalharia at mais tarde, fazia compras com suas amigas ao invs
de ir direto para casa aps o trabalho. Algumas vezes ela ainda estava
ausente quando ele chegava. Aquilo o aborrecia muito e ele passou a
acus-la de negligncia e irresponsabilidade. Patsy respondia:
     -- Parece o roto falando do rasgado! Quem  o irresponsvel?
Voc no se d ao luxo nem de me telefonar para avisar a que hora
chegar em casa... Como eu posso esper-lo, se nem ao menos sei
quando vir?! E, quando chega, fica o tempo todo colado naquela
droga de computador. Voc no precisa de uma esposa; tudo o que
necessita  de um computador.
      Pete, ento, respondeu em um tom de voz mais alto:
     -- Eu pre-ci-so de u-ma es-po-sa. Ser que voc no entende?
O ponto  exatamente esse. Eu pre-ci-so de u-ma es-po-sa!
      Mas Patsy no conseguia entender. Ela estava muito confusa.
Em sua busca por respostas foi a uma biblioteca pblica e leu vrios
livros sobre casamento. Ela pensava: "O casamento no pode ser
desse jeito! Eu tenho que achar uma resposta para a nossa situao".
Quando ele ia para o computador, ela pegava firme no livro. Durante
vrias noites lia direto at meia-noite. Pete, ao se deitar, percebia o
que ela fazia e l vinham comentrios sarcsticos, do tipo:
      -- Se voc tivesse lido todos esses livros quando estava na
faculdade, teria tirado A em todas as matrias!
      Patsy respondia:
    -- S que eu no estou na faculdade. Encontro-me casada e, no
momento, ficaria muito satisfeita com um "C"!
     Pete ento ia para a cama sem abrir mais a boca; apenas a
olhava.
      Ao final do primeiro ano, Patsy estava desesperada. Ela j
falara com Pete sobre isso, mas dessa vez comunicou-lhe
calmamente:
     -- Vou procurar um conselheiro conjugai. Voc gostaria de ir
comigo?
      Pete ento respondeu:
      -- No preciso de um conselheiro conjugai. No tenho tempo
para isso e nem posso pagar uma consulta!
      -- Ento, eu vou sozinha -- disse Patsy.
      -- Tudo bem,  voc mesmo quem precisa de conselhos.
      A conversa terminou. Patsy sentiu-se totalmente abandonada e
sozinha, mas na semana seguinte ela marcou uma consulta com um
conselheiro conjugai. Aps trs semanas aquele psiclogo entrou em
contato com Pete e perguntou se ele poderia conversar com ele sobre
suas perspectivas a respeito do casamento. Pete concordou e o
processo de cura comeou. Seis meses depois eles deixavam o
consultrio do conselheiro com o casamento renovado.
     Eu, ento, perguntei a Pete e Patsy:
      -- O que foi que vocs aprenderam no aconselhamento que
favoreceu essa virada em seu casamento?
     Pete ento respondeu:
      -- Em resumo, Dr. Chapman, aprendemos a falar a primeira
linguagem do amor um do outro. O conselheiro no usou esse
vocabulrio, mas quando o senhor falou hoje em seu seminrio, as
luzes se acenderam. Minha mente voltou  poca de nosso
aconselhamento e percebi que foi exatamente isso que aconteceu
conosco. Ns finalmente aprendemos a falar a linguagem do amor
um do outro.
     Eu ento perguntei:
     -- E qual  sua linguagem do amor, Pete?
     -- "Toque Fsico" --, ele respondeu sem titubear.
     -- Sem a menor sombra de dvida! Acrescentou Patsy. Voltei-
me ento para ela:
     -- E qual a sua linguagem do amor, Patsy?
     -- "Qualidade de Tempo", Dr. Chapman. Era isso que eu pedia
quando ele gastava todo aquele tempo com o trabalho e o
computador.
     -- Como voc descobriu que o "Toque Fsico" era a linguagem
do amor de Pete?
    -- Levou um tempo. Pouco a pouco, essa caracterstica
comeou a surgir durante as sesses de aconselhamento. No comeo,
acho que Pete nem se apercebeu.
     Pete ento completou:
      --  isso mesmo. Eu estava to inseguro em minha auto-
estima que levou um tempo at que eu identificasse e percebesse
que a ausncia do toque de Patsy havia feito com que eu me afastasse
dela. Eu nunca disse que precisava do toque dela. Em nossa poca de
namoro e noivado, eu sempre tomava a iniciativa de abraar, beijar,
andar de mos dadas, e ela sempre foi receptiva. Isso fazia com que
eu achasse que ela me amava. Aps nosso casamento houve
situaes em que eu a procurei fisicamente e ela no correspondeu.
Achei que ela estivesse muito cansada devido s suas
responsabilidades no novo emprego. Eu no percebi, mas conclu
isso pessoalmente. Senti-me como se ela no me achasse mais
atraente. Ento, decidi que no tomaria mais a iniciativa para no me
sentir mais rejeitado. E esperei, para ver quanto tempo demoraria at
que ela decidisse beijar-me, tocar-me ou demonstrar uma nova
experincia sexual. Cheguei a esperar seis semanas por um toque.
Aquilo foi insuportvel. Eu me afastava para ficar longe da dor que
apertava quando estava com ela. Sentia-me rejeitado, dispensado e
mal-amado. Ento Patsy acrescentou...
      -- Eu no tinha a menor idia de que ele se sentia dessa forma.
Sabia que no me procurava mais. No nos abravamos, nem nos
beijvamos como antes, mas achei que, desde que estvamos
casados, isso no era mais to importante para ele. Compreendia
tambm que estava sob presso no trabalho. No tinha, porm, a
menor idia que ele desejava que eu tomasse a iniciativa.
     Fez uma pausa e prosseguiu:
       -- E foi exatamente como ele disse. Eu vivi semanas sem toc-
lo. Isso nem passava por minha mente. Eu preparava as refeies,
mantinha a casa limpa, colocava a roupa para lavar e tentava no
atrapalh-lo. Honestamente, eu no sabia o que mais poderia fazer.
No entendia o afastamento nem a falta de ateno dele. No  que
eu no apreciasse toc-lo. E que para mim isso no era to
importante. Receber sua ateno, seu tempo  o que me fazia sentir
amada. No importava se nos beijssemos ou abrassemos. Desde
que ele me desse sua ateno, eu me sentia querida.
     Respirou fundo e continuou:
      -- Levou um bocado de tempo at que localizssemos a raiz do
problema e, ao descobrirmos que no supramos a necessidade de
amor um do outro, demos uma virada em nosso relacionamento.
Quando comecei a tomar a iniciativa de toc-lo, foi impressionante o
que aconteceu. Sua personalidade e seu nimo mudaram
drasticamente. Eu ganhei um novo marido. Quando ele se convenceu
de que eu realmente o amava, ento comeou a ficar mais sensvel s
minhas necessidades.
     -- Ele ainda tem computador em casa? -- perguntei.
      -- Tem sim. Mas raramente o usa e, quando o faz, est tudo
bem porque eu sei que ele no est "casado" com o computador.
Fazemos tantas coisas juntos, que se tornou fcil para mim dar-lhe a
liberdade para usar o computador quando quiser.
     Pete ento disse:
      -- O que me deixou pasmo no seminrio hoje foi a forma
como sua palestra sobre as linguagens do amor reportou-me aos anos
passados. O senhor disse em vinte minutos o que levamos seis meses
para aprender.
      -- Bem, no importa a rapidez com que se aprende uma coisa,
mas sim o quanto se desfruta dela. E, obviamente, vocs assimilaram
isso muito bem.
      Pete  uma das pessoas que possuem o "Toque Fsico" como a
primeira linguagem do amor. Emocionalmente, este tipo anseia que
seu cnjuge o toque fisicamente. Um gostoso cafun na cabea ou
nas costas, andar de mos dadas, abraos apertados ou no, relaes
sexuais -- tudo isto e outros "toques de amor" fazem parte das
necessidades emocionais de quem possui o "Toque Fsico" como sua
primeira linguagem do amor.


              Notas

     1. Marcos 10.13
     2. Marcos 10.14-16
  9. Descobrindo sua Primeira Linguagem do Amor

      Descobrir a primeira linguagem do amor de seu cnjuge 
essencial para voc manter sempre cheio o seu "tanque do amor".
Porm, vamos primeiramente nos certificar de que voc sabe qual  a
sua prpria linguagem. Aps conhecer as cinco:


     Palavras de Afirmao;
     Qualidade de Tempo;
     Receber Presentes;
     Formas de Servir;
     Toque Fsico,


      algumas pessoas sabero instantaneamente a primeira lin-
guagem tanto delas como a de seus cnjuges. Outros, porm, no
tero tanta facilidade. Alguns so como Bob, de Parma Heights,
Ohio, que aps ouvir sobre as cinco linguagens do amor, disse-me:
      -- No sei, no... Estou em dvida entre duas dessas
linguagens. No sei onde me encaixar.
     -- Quais delas? -- perguntei.
     -- Toque Fsico e Palavras de Afirmao --, respondeu Bob.
     -- O que voc entende por Toque Fsico? -- perguntei.
     -- Bem, principalmente, sexo -- Bob respondeu. Procurei
sond-lo um pouco mais, por intermdio de mais perguntas:
      -- Voc no aprecia quando sua esposa passa a mo em seu
cabelo, faz uma massagem em suas costas, d-lhe beijos e abraos,
mesmo fora da relao sexual?
     -- Eu gosto disso tudo, e jamais rejeito isso; porm o mais
importante para mim  a relao sexual. S assim sinto que minha
esposa realmente me ama.
     Mudando do Toque Fsico para Palavras de Afirmao,
perguntei:
     -- Quando voc diz que Palavras de Afirmao tambm so
importantes, a quais se refere?
      -- A palavras positivas. Quando ela diz que estou bem
arrumado e sou um profissional competente; quando ela expressa
apreciao pelas coisas que fao em casa; quando elogia o tempo que
fico com as crianas; quando diz que me ama -- todas essas coisas
so realmente importantes para mim.
      -- Voc costumava ouvir esse tipo de elogio de seus pais em
sua infncia e juventude?
      -- Raramente -- Bob respondeu. O que eu sempre ouvia de
meus pais eram crticas ou cobranas. Pensando bem, acho que essa
foi a primeira coisa que me atraiu em Carol. Ela sempre me dizia
Palavras de Afirmao.
      -- Deixe-me perguntar-lhe mais uma coisa: Se Carol supre
suas necessidades, ou seja, se os dois tiverem relaes sexuais de
"alta qualidade" todas as vezes que voc desejar, mas por outro lado
ela o criticar e fizer uma srie de cobranas e, algumas vezes, at o
desprezar perante amigos, voc acha que ainda se sentiria amado por
ela?
      -- Acho que no. Sentir-me-ia trado, profundamente magoado
e deprimido.
     Ento lhe disse:
     -- Bob, acho que sua primeira linguagem do amor  Palavras
de Afirmao. Relaes sexuais so extremamente importantes para
voc e seu senso de intimidade com Carol. Porm, as Palavras de
Afirmao que ela lhe diz so mais necessrias para sua parte
emocional. Veja bem: se ela fosse verbalmente crtica o tempo todo,
chegaria uma hora em que voc no teria mais desejo de ter relaes
com ela, porque estaria muito magoado.
       Bob cometeu um erro comum a muitos outros: assumir que o
Toque Fsico  a sua primeira linguagem do amor, devido ao intenso
desejo por sexo que possui. Para o homem, o prazer sexual tem base
fsica. Ou seja, as relaes sexuais so estimuladas pela formao das
clulas dos espermas e do fluido nos canais seminais. Quando eles
esto cheios, h um impulso para liber-los. Portanto, o desejo sexual
masculino tem raiz fisiolgica.
                  A maioria dos problemas sexuais
                     no casamento tem pouco a
                      ver com tcnicas fsicas,
                  mas tudo a ver com o suprimento
                    das necessidades emocionais.
       Para a mulher, entretanto, o desejo pelo sexo baseia-se nas
emoes e no na fisiologia. No h alguma base fsica que a motive
e impulsione para ter relaes sexuais. O prazer feminino tem sua
motivao no emocional. Se ela se sentir amada, admirada e
apreciada por seu marido, ento ter o desejo de ter intimidade com
ele. Porm, sem a proximidade emocional, ela ter pouco desejo
fsico.
      Devido ao fato do homem possuir impulsos fsicos a serem
liberados em bases regulares, ele automaticamente assume que essa 
sua primeira linguagem do amor. Mas, se ele no aprecia toques
fsicos em outros momentos que no no interldio sexual, essa  uma
grande indicao de que o toque fsico no seja sua primeira
linguagem do amor. O desejo sexual  muito diferente de suas
necessidades emocionais de ser amado. Isso no significa que a
relao sexual no seja importante para ele --  extremamente
necessria -- mas, apenas o relacionamento sexual no suprir sua
necessidade de ser amado. Sua esposa, da mesma forma, dever
aprender a falar sua primeira linguagem do amor.
      Quando a esposa fala a primeira linguagem do amor do marido,
e enche assim seu "tanque do amor", e ele fala a primeira linguagem
do amor dela, de forma que seu "tanque do amor" tambm esteja
cheio, o fator sexual desse relacionamento ocorrer de forma
automtica. A maioria dos problemas sexuais no casamento tem
pouco a ver com tcnicas fsicas, mas tudo a ver com o suprimento
das necessidades emocionais.
     Aps conversarmos mais um pouco, Bob refletiu e disse:
      -- E, acho que o senhor est certo. Palavras de Afirmao 
definitivamente minha primeira linguagem do amor. Quando ela 
rspida e crtica comigo, minha tendncia  me afastar sexualmente
dela e fantasiar com outra mulher. Mas, quando ela diz que me
admira e gosta de mim, meus desejos sexuais automaticamente se
voltam para ela.
      Bob fizera ali, em nossa breve conversa, uma descoberta muito
significativa.
       Qual  a sua primeira linguagem do amor? O que faz com que
voc se sinta mais amado (a) por seu cnjuge? O que voc mais
deseja? Se a resposta a essas perguntas no surge imediatamente em
sua cabea, talvez eu o possa ajudar o ajude a dar uma olhada na
utilizao negativa das linguagens do amor:
      O que seu cnjuge faz, ou diz, ou deixa de expressar ou
realizar, que mais o (a) magoa? Se, por exemplo, o que mais o (a)
aborrece forem crticas e julgamentos, ento talvez sua linguagem do
amor seja Palavras de Afirmao. Se a sua primeira linguagem do
amor for usada de forma negativa por seu cnjuge, ou seja, se ele
realizar exatamente o contrrio daquilo que deveria fazer para encher
seu "tanque do amor", ento aquela atitude machuc-lo- mais do
que a outra pessoa, pois alm de negligenciar o fato de falar sua
primeira linguagem, utiliza-a como uma faca para feri-lo (la).
     Lembro-me de Mary, em Kitchener, Ontario, quando me disse:
      "Dr. Chapman, o que mais me fere  Ron, meu marido, nunca
levantar uma palha para me ajudar em casa. Ele assiste televiso
enquanto realizo todo trabalho. No entendo como pode fazer isso, se
diz que me ama!"
      O fato dela ficar to magoada por Ron no a ajudar com as
coisas da casa era a chave para se perceber sua primeira linguagem
do amor: Formas de Servir. Se voc fica muito triste porque faz
muito tempo que seu cnjuge no lhe d um presente, ento, talvez,
sua primeira linguagem do amor seja Receber Presentes. Se sua
maior dor  proveniente de que seu cnjuge raramente lhe dedica um
momento de ateno, ento Qualidade de Tempo  sua primeira
linguagem do amor.
      Outra forma de se descobrir sua primeira linguagem do amor 
olhar para o passado do seu casamento e perguntar:
      "O que eu mais solicitei de meu cnjuge?"
      Aquilo que voc mais requisitou , possivelmente, algo que faz
parte de sua linguagem do amor. Tais solicitaes que,
provavelmente, foram interpretadas por seu cnjuge como
"superficiais", so, no entanto, tentativas de assegurar o amor dele
para com voc.
     Elizabeth, que mora em Maryville, Indiana, utilizou-se dessa
forma para descobrir sua primeira linguagem do amor. Ela partilhou
comigo, ao final de um sesso do seminrio:
      "Ao olhar para trs, aos dez anos de meu casamento e
perguntar a mim mesma o que mais solicitei de Peter, minha
linguagem do amor tornou-se bvia. Tenho, quase sempre,
requisitado dele "Qualidade de Tempo". Repetidamente sugiro que
faamos um piquenique; passemos um fim-de-semana na praia;
desliguemos a televiso e conversemos por, pelo menos uma hora;
caminhemos juntos e assim por diante. Sinto-me negligenciada e
mal-amada porque ele raramente aceita minhas propostas. Tenho
recebido lindos presentes em meu aniversrio e em ocasies
especiais e Peter no entende por que no tenho demonstrado mais
entusiasmo com eles."
      Fez uma pequena pausa e continuou:
      "Durante seu seminrio, surgiu uma luz no fim do tnel e ns
dois percebemos isso. Durante o intervalo, meu marido pediu-me
perdo por, durante todos estes anos, ter sido to duro e resistente s
minhas solicitaes. Ele prometeu que as coisas sero diferentes
daqui para frente, e eu acredito que sim."
      Outra forma para seu cnjuge descobrir sua primeira
linguagem do amor  observando o que voc faz e diz para expressar
amor a ele. H grandes chances de que o que realiza por ele (ela),
seja exatamente aquilo que gostaria que ele (ela) fizesse por voc. Se,
porventura, constantemente se utiliza de Formas de Servir para com
seu cnjuge, talvez (nem sempre) essa seja sua linguagem do amor.
Se Palavras de Afirmao fazem com que voc se sinta amado (a), h
grandes chances de que as utilize para transmitir amor ao seu cnju-
ge. Portanto, voc pode descobrir sua prpria linguagem do amor ao
perguntar-se: Como, de forma consciente, expresso amor a meu
cnjuge?
      Mas... lembre-se de que essa  apenas uma possvel dica para
se descobrir sua linguagem do amor; no  um indicador infalvel.
Por exemplo: um marido que aprendeu com seu pai a expressar amor
 esposa atravs de presentes, faz isso por seguir os passos de seu
pai. No entanto, Receber Presentes talvez no seja sua primeira
linguagem. Ele, simplesmente, faz o que via seu pai praticar.
               D uma parada e escreva em um papel,
               o que, em sua opinio,  sua linguagem
                   do amor. Depois aliste as outras
                  quatro em ordem de importncia.
So trs as sugestes para se descobrir a primeira linguagem do
amor:


1. O que seu cnjuge faz, ou deixa de realizar, que mais o (a)
magoa? O oposto a isso , provavelmente, sua linguagem do amor.
2. O que voc mais solicita de seu cnjuge? Aquilo que mais
requisita dele,  provavelmente o que faz voc sentir-se mais amado
(a).
3. Qual a forma mais freqente de voc expressar amor a seu
cnjuge? Essa pode ser uma indicao de que, atravs da mesma,
tambm se sentiria amado (a).
      Ao utilizar estas trs indicaes, provavelmente ser possvel
descobrir sua primeira linguagem do amor. Se ficar em dvida entre
duas delas, e achar que qualquer uma poderia ser a sua, existe a
possibilidade de voc ser bilnge. Desta forma, as coisas ficam mais
fceis para seu cnjuge. Agora, ele tem duas escolhas em que ambas
lhe comunicaro amor de forma mais profunda.
      Dois tipos de pessoa tero dificuldade em descobrir suas
primeiras linguagens do amor. A primeira delas  a que mantm seu
"tanque do amor" cheio durante longo tempo. O cnjuge expressa
seu amor atravs de vrias formas e ele no tem certeza sobre qual
delas faz com que se sinta mais amada (o). Ele simplesmente sabe
que  amada (o). O segundo tipo  aquele cujo "tanque do amor" est
vazio h tanto tempo, e no se lembra mais o que o (a) faz sentir-se
amado (a).
      Em ambos os casos, se voltarem  poca em que se apai-
xonaram e perguntarem-se a si mesmos: O que me atraa nele (nela)
naquela poca? O que ele (ela) fazia, ou dizia, que me motivava a
querer ficar ao seu lado? Se voc conseguir "cavoucar" essas
reminiscncias, obter uma idia de qual seja sua primeira linguagem
do amor. Outro mtodo seria o de perguntar-se a si mesmo (a): Que
tipo de esposo/esposa seria melhor para mim? Se fosse possvel ter
um cnjuge perfeito, como ele seria? A imagem que voc projetar do
(a) esposo (a) ideal pode lhe dar alguma dica de qual seja sua pri-
meira linguagem do amor.
      Depois disso tudo, gostaria de sugerir que gastasse um pouco
de tempo e escrevesse a respeito de qual voc acha ser sua primeira
linguagem do amor. Depois, aliste as outras quatro, em ordem de
importncia. Registre, tambm, qual em sua opinio  a primeira
linguagem do amor de seu cnjuge. Se desejar, relacione tambm as
outras quatro em ordem de importncia. Sente-se com seu (sua)
esposo (a) e conversem sobre qual, em sua opinio,  a primeira
linguagem do amor dele/dela. Da, digam um ao outro quais vocs
acham ser suas prprias linguagens do amor.
     Uma vez que tenham compartilhado essas informaes, sugiro
que "brinquem" trs vezes por semana um jogo chamado "Checagem
de Tanque". Divirtam-se da seguinte maneira: Ao chegarem em casa,
perguntem um ao outro:
      "Em uma escala de zero a dez, como est seu "tanque do amor"
hoje  noite?"
     Zero significa vazio e 10 quer dizer cheio at a boca e no h
mais como colocar algo. Faa uma leitura em seu prprio "tanque do
amor" -- 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 ou 0. Seu cnjuge, ento, dever
perguntar:
      "O que farei para ajudar a ench-lo?"
      E a voc faz a sugesto -- algo que gostaria que seu (sua)
esposo (a) fizesse ou dissesse naquela noite. E o melhor que puder,
ele dever atender sua solicitao. Depois, invertam a situao e
repitam o mesmo esquema de forma que ambos tenham oportunidade
de ler as condies de cada "tanque do amor" e fazer sugestes de
como ench-lo. Se "jogarem" assim durante o trs semanas, ficaro
motivados a continuar, de maneira informal, esta sincera e prtica
forma de expressar amor.
      Um marido me disse:
      -- No gostei da brincadeira do "tanque do amor". Eu o joguei
com minha esposa. Cheguei em casa e perguntei a ela em que ponto
em uma escala de zero a dez achava-se o "tanque" dela naquela
noite. Ela respondeu que em torno de 7. Da, perguntei-lhe de que
forma eu poderia ajudar para que ele enchesse mais um pouco. Sabe
o que ela me respondeu?
      -- A melhor coisa que voc poderia fazer para mim esta noite
era lavar a roupa.
      E ele mesmo concluiu:
      -- Amor e roupa para lavar? No d para entender... Ento eu
lhe disse:
      -- O problema  exatamente esse! Voc no entende a
linguagem do amor de sua esposa. Qual  a sua?
      Sem pestanejar ele disse:
     -- Toque Fsico e especialmente no campo sexual do
casamento.
      -- Ento escute bem o que eu vou lhe dizer: O amor que voc
desfruta quando sua esposa o ama atravs do toque fsico,  o mesmo
que ela sente quando lhe pede para lavar a roupa.
     -- Ento ela pode trazer toda a roupa que tiver que eu lavo j!
Lavo roupa todas as noites se isso fizer com que ela se sinta to
bem!, ele gritou.
      Se por acaso voc ainda no descobriu sua primeira linguagem
do amor, faa anotaes das vezes em que jogaram "Checagem do
Tanque". Quando seu cnjuge lhe perguntar o que ele poder fazer
para encher seu tanque do amor, sua sugesto, provavelmente, ser
uma indicao de sua primeira linguagem do amor. Suas solicitaes
podero ser provenientes de qualquer uma das cinco linguagens, mas
a maior parte delas possivelmente vir de sua primeira linguagem do
amor.
     Talvez alguns de vocs estejam, a esta altura, pensando o que
um casal de Zion, Illinois, Raymond e Helen, me disse:
      "Dr. Chapman, tudo isso parece muito lindo, mas o que fazer
se a primeira linguagem de nosso cnjuge for uma que no seja
natural a ns?"
     Falarei sobre isso no captulo dez.


               10. Amar  um Ato de Escolha

      Como falaremos a linguagem do amor um do outro, quando
nossos coraes esto cheios de mgoa, raiva e ressentimento por
fracassos anteriores? A resposta a esta pergunta encontra-se na
essncia de nossa humanidade. Somos criaturas que fazemos
escolhas. Isso significa que temos a capacidade de tomar decises
erradas, o que todos ns j fizemos. J criticamos pessoas e situaes
e magoamos muita gente. No nos orgulhamos dessas escolhas
apesar de, no momento, termos justificativas para t-las feito. Ms
atitudes realizadas no passado no implica que devamos tornar a faz-
las no futuro. Ao invs disso, podemos dizer:
     "Desculpe, eu sei que lhe magoei, mas quero mudar minha
atitude. Desejo am-la (o) em sua linguagem. Quero suprir suas
necessidades." Tenho visto casamentos que estavam  beira do
divrcio serem resgatados aps o casal tomar a deciso de se amarem
na linguagem um do outro.
      O amor no apaga o passado, mas altera o futuro. Quando
escolhemos expressar nosso amor de forma mais ativa, e utilizamos
para isso a primeira linguagem de nosso cnjuge, criamos um clima
emocional que pode curar as feridas dos conflitos e fracassos de
nosso passado.
      Brent estava em meu escritrio. Parecia uma esttua sem
sentimentos. Ele fora at l, no por iniciativa prpria, mas a meu
pedido. Uma semana antes, sua esposa Becky sentara- se na mesma
poltrona onde ele estava e chorara descontroladamente. Entre um
soluo e outro ela conseguiu me contar que ele lhe dissera no mais a
amar e tomara a deciso de ir embora. Ela estava arrasada.
         Quando conseguiu se controlar, ela disse:
      "Trabalhamos tanto nestes ltimos trs anos. Sei que no
gastamos juntos o mesmo tempo que costumvamos, mas achei que
batalhvamos com o mesmo objetivo em mente. No aceito que ele
me diga estas coisas. Ele sempre foi muito bom e carinhoso.  um
timo pai. Como  que ele pode fazer isso conosco?"
     Ouvi enquanto ela descreveu seus doze anos de matrimnio. A
mesma histria que j se repetiu tantas e tantas vezes. Tiveram um
namoro muito "curtido" e casaram-se muito apaixonados.
Experimentaram uma adaptao normal nos primeiros anos do
casamento e tambm perseguiram o "sonho americano". Aps um
determinado perodo, a nuvem da paixo dissipou-se, mas eles no
aprenderam o suficiente para falar a primeira linguagem do amor um
do outro. Ela vivia, nos ltimos anos, com o "tanque do amor"
apenas pela metade, mas recebia expresses de amor suficientes, a
fim de pensar que tudo estava bem. Porm, o "tanque do amor" de
Brent estava vazio.
         Eu disse a Becky que conversaria com Brent. Liguei para ele e
falei:
         -- Como voc sabe, Becky esteve em meu consultrio e contou-
me o esforo que ela est fazendo para salvar o casamento de vocs.
Gostaria de ajud-la; mas para isso preciso saber o que voc pensa a
respeito.
      Brent concordou sem a menor hesitao e agora encontrava-se
sentado  minha frente. Sua aparncia externa era exatamente o
oposto da de Becky. Ela havia chorado descontroladamente, mas ele
estava inabalvel. A impresso que eu tive dele  que havia chorado
h semanas ou meses atrs e agora existia uma dor interior. A
histria que Brent contou confirmou minhas suspeitas.
      -- Eu simplesmente no a amo mais. E isso j ocorre h muito
tempo. No gostaria de mago-la, mas no h mais proximidade
entre ns. Nosso relacionamento esvaziou-se. No tenho mais
prazer com a companhia dela. No tenho mais sentimento algum
por ela.
      Brent pensava e sentia o que centenas de maridos imaginam
atravs dos anos: A famosa frase "no a amo mais", slogan mental
que tem fornecido liberdade emocional para que muitos esposos
procurem envolver-se com outras mulheres. O mesmo ocorre com
esposas que se utilizam da mesma desculpa.
      Entendi Brent porque eu j passara por aquela situao.
Milhares de esposos e esposas tambm j enfrentaram isso: o vazio
emocional; querem fazer a coisa certa, no desejam machucar algum,
mas, devido s carncias emocionais, sentem-se compelidos a buscar
o amor fora do matrimnio. Felizmente, ainda nos primeiros anos de
casamento descobri a diferena entre "paixo" e "necessidade
emocional" de sentir-se amado. A maior parte de nossa sociedade
ainda no descobriu essa diferena. Os filmes, as novelas, as revistas
e os livros romnticos unificaram esses dois tipos de amor, para
aumentar nossa confuso. No entanto, eles so completamente
diferentes.
      A experincia do apaixonar-se, estudada no captulo trs, est
a nvel dos instintos. No  premeditada; simplesmente acontece em
um contexto normal do relacionamento entre o macho e a fmea.
Pode ser fomentado ou abafado, mas no surge com base em uma
escolha consciente.  de vivncia curta (em geral dois anos ou
menos), e parece servir  humanidade com a mesma funo da
chamada para o acasalamento dos gansos selvagens.
      A paixo supre, temporariamente, a carncia emocional do
amor. Passa-nos a sensao de que algum se preocupa conosco,
admira-nos e aprecia-nos. Nossas emoes enlevam-se por pensarmos
que ocupamos o primeiro lugar na vida de algum e que ele, ou ela,
est disposto a dedicar tempo e energia exclusivamente ao nosso
relacionamento. Por um curto perodo, ou por quanto tempo durar,
nossa necessidade emocional por amor est suprida. Nosso "tanque"
est cheio; podemos conquistar o mundo. Nada  impossvel. Para
muitos, essa  a primeira vez em que o "tanque" emocional fica
cheio, e isso leva  euforia.
                  Suprir a necessidade de amor de
                  minha esposa  uma escolha que
                fao a cada dia. Se eu sei qual  sua
                   primeira linguagem do amor e
               escolho utiliz-la, suas mais profundas
              necessidades emocionais sero supridas
                e ela se sentir segura em meu amor.
       Em tempo, no entanto, descemos das alturas para o mundo
real. Se nosso cnjuge aprendeu a falar nossa primeira linguagem
do amor, nossa necessidade de sermos amados continuar a ser
satisfeita. Se, por outro lado, ele, ou ela, no fala nossa linguagem,
nosso "tanque" aos poucos secar, e deixaremos de nos sentir
amados. Suprir essa necessidade de nosso cnjuge , definitivamente,
uma deciso. Se eu aprender a linguagem do amor emocional de
minha esposa e fal-la freqentemente, minha esposa continuar a
sentir-se amada. Quando a paixo terminar, isto quase no ser
percebido por ela, pois seu "tanque" emocional ser sempre
preenchido. No entanto, se eu no compreender sua primeira
linguagem, ou optar por no utiliz-la, quando ela colocar os ps no
cho, ter os anseios naturais de quem no possui as carncias
emocionais supridas. Em razo de viver alguns anos com o "tanque"
do amor vazio, talvez venha a apaixonar-se novamente por outra
pessoa e o ciclo outra vez se repetir.
     Suprir a necessidade de amor de minha esposa  uma escolha
que fao a cada dia. Se eu sei qual  sua primeira linguagem do
amor e escolho utiliz-la, suas mais profundas necessidades
emocionais sero supridas e ela se sentir segura em meu amor.
      Se ela fizer o mesmo comigo, minhas necessidades
emocionais sero supridas e ns dois viveremos com os "tanques"
cheios. Em estado de contentamento emocional, ambos
conseguiremos canalizar nossas energias criativas para vrios
projetos de vida, e ao mesmo tempo manteremos nosso casamento
excitante e em processo de crescimento.
     Com estas coisas em mente, olhei para a face empedernida de
Brent e imaginei se eu conseguiria ajud-lo. Pensei se ele j no se
apaixonara por outra pessoa. Em caso afirmativo, se estaria no incio
ou no pice da paixo. Poucos homens, que estejam com seus
"tanques do amor" vazios, abandonam seus casamentos quando tm
perspectivas de ver aquela necessidade suprida em outra fonte,
sem precisar abandonar a famlia.
      Brent foi honesto e revelou-me que se apaixonara por algum
h vrios meses. Disse-me, no entanto, que aquele sentimento iria
embora e tinha esperanas de resolver tudo com sua esposa. Mas o
relacionamento em casa piorou e seu amor pela outra mulher s
aumentava. Ele j no conseguia viver sem seu novo amor.
      Interessei-me por Brent e pelo dilema que enfrentava. Ele,
sinceramente, no desejava magoar sua esposa e filhos, mas, por
outro lado, achava que merecia ser feliz. Eu lhe passei as estatsticas
sobre os segundos casamentos (60% terminam em divrcio). Ficou
surpreso em ouvir aquilo, mas estava convencido de que isso no
aconteceria com ele. Disse-lhe tambm sobre os efeitos do divrcio
nos filhos, mas estava certo de que sempre seria um bom pai para
seus filhos e logo superariam o trauma da separao. Conversei
com Brent sobre os assuntos deste livro, e expliquei a diferena
entre a experincia de se apaixonar e a necessidade profunda de
sentir-se amado. Transmiti-lhe as cinco linguagens do amor e
desafiei-o a dar mais uma chance ao seu casamento. Eu sabia que
meu enfoque racional e intelectual do matrimnio, comparados com
os picos emocionais que ele experimentava, eram como uma pistola
de gua comparada a uma arma automtica de verdade. Brent
agradeceu minha preocupao e pediu que eu fizesse o possvel para
ajudar Becky. Naquele momento, ele afirmou que no via esperana
alguma para seu casamento.
      Um ms mais tarde recebi um telefonema de Brent. Ele disse que
gostaria de conversar comigo novamente. Desta vez, ao entrar em
meu escritrio, ele estava visivelmente perturbado. No era mais o
homem calmo e controlado que eu vira anteriormente. Sua amante
comeava a descer das nuvens e a observar coisas que no apreciava
em Brent. Ela se esquivava do relacionamento sexual e ele estava
desesperado. Lgrimas vertiam de seus olhos. Ele disse-me o quanto
ela significava para ele e o quanto estava sendo insuportvel passar
por aquela rejeio.
      Ouvi, condodo, sua histria durante uma hora inteirinha, at
que ele pediu meu conselho. Disse-lhe que compreendia seu
sofrimento, e a dor emocional que ele experimentava era natural de
uma perda, e aquele tipo de sofrimento no passava da noite para o
dia. Expliquei-lhe, tambm, que aquela experincia era inevitvel.
Lembrei-lhe da natureza temporria da paixo, e que cedo ou tarde
ela despenca-se das alturas para o mundo real. Alguns passam por
isso at antes do casamento; outros, aps. Ele concordou que era
melhor agora do que mais tarde.
       Aproveitei a oportunidade para sugerir que talvez aquela
crise fosse uma boa oportunidade para que ele e sua esposa fizessem
um aconselhamento conjugai. Eu o lembrei de que o amor emocional
verdadeiro e duradouro  uma escolha e este poderia renascer, se ele
e sua esposa aprendessem a amar um ao outro na linguagem certa de
cada um. Ele concordou em ter o aconselhamento conjugai, e nove
meses mais tarde Brent e Becky deixaram meu escritrio com o ma-
trimnio renovado. Quando, h trs anos, vi Brent, ele contou-me que
seu casamento ia muito bem e agradeceu-me novamente por t-lo
ajudado naquela fase to crucial de sua vida. Disse-me que a dor pela
perda do outro amor durou ainda uns dois anos. Depois, sorriu e
disse:
       "Meu "tanque" nunca esteve to cheio e Becky  a mulher mais
feliz que o senhor j conheceu!"
     Ainda bem que Brent foi beneficiado por aquilo que chamo de
desequilbrio da paixo. As coisas so assim mesmo... Dificilmente
uma pessoa apaixona-se no mesmo dia que a outra e, quase nunca,
desapaixonam-se juntas tambm. No  necessrio sermos cientistas
sociais para chegarmos a tal concluso. Basta ouvirmos as msicas
sertanejas. Neste caso especfico, a amante de Brent desapaixonou-se
em tempo muito oportuno!
       Nos nove meses em que aconselhei Brent e Becky, trabalhamos
com vrios conflitos que eles jamais haviam parado para resolver. A
chave, porm, para o renascer daquele casamento, foi a descoberta
da primeira linguagem do amor um do outro e a escolha de aprender a
fal-la freqentemente.
                    Quando determinada atitude
                     no  espontnea em voc,
                     torna-se uma expresso de
                         amor muito maior.
     Deixe-me voltar  pergunta que levantei no captulo nove:
      "O que fazer se a primeira linguagem de nosso cnjuge no for
algo natural a ns?"
     Sempre me fazem essa pergunta em meus seminrios e a minha
resposta :
     "E que problema haver nisso?"
      A linguagem do amor de minha esposa  "Formas de Servir".
Uma das coisas que sempre fao para ela como expresso de meu
amor  passar o aspirador na casa. Vocs acham que fazer isso 
algo natural para mim? Minha me costumava mandar que eu
limpasse a nossa residncia. Durante o tempo todo de escola, at o
final do colegial, eu no podia ir jogar bola aos sbados enquanto
no terminasse de limpar a casa toda. Naquela poca eu dizia para
mim mesmo: "Quando eu me casar, nunca mais vou tocar em um as-
pirador! Vou arrumar uma esposa que faa isso!"
      Hoje, no entanto, limpo nossa casa e fao-o freqentemente.
Existe somente uma razo para isso: Amor. Por dinheiro algum eu
limparia qualquer outra residncia; mas fao o que fao por amor. Da,
conclui-se que, quando voc precisa fazer algo que no  natural para
si, essa expresso de amor torna-se muito maior e mais significativa.
Minha esposa sabe que, quando limpo a casa, aquilo  nada menos
que 100% do mais puro e genuno amor, e realmente assumo o
crdito disso!
     Algum pode chegar e dizer o seguinte:
      "Mas Dr. Chapman isso  diferente! Eu sei que a primeira
linguagem de meu cnjuge  o "Toque Fsico", mas eu no estou
acostumado (a) a isso. Nunca vi meus pais se abraarem e eles
tambm nunca me afagaram! Eu no sei nem como comear. O que
eu fao?"
     Minha resposta  a seguinte:
      "Voc tem duas mos? Consegue coloc-las juntas? timo! Agora
imagine que seu cnjuge esteja no meio do crculo formado por seus
braos. Puxe-a (o) at voc. Aposto que se abra-la (Io) trs mil
vezes, ficar mais confortvel continuar a faz-lo. Mas conforto no 
a questo. Falamos sobre amor, algo que se faz para outra pessoa e
no para ns mesmos. A maioria de ns faz, diariamente, muitas
coisas que no so naturais. Para alguns, o prprio levantar pela
manh j  algo difcil. Porm, lutamos contra nossos sentimentos e
samos da cama. Por qu? Acreditamos que algo naquele dia
compensar aquele "sacrifcio". E, normalmente, antes que o dia
termine, sentimo-nos bem por termos tomado aquela deciso. Nossas
aes precedem nossas emoes."
      O mesmo ocorre com o amor. Descobrimos a primeira
linguagem do amor de nosso cnjuge e tomamos a deciso de
aprender a fal-la, quer ela nos seja natural ou no. No
reivindicamos sentimentos ardentes e delirantes. Simplesmente,
escolhemos faz-lo para o bem daquele (a) a quem amamos.
Desejamos suprir as necessidades emocionais de nosso cnjuge e
dispomo-nos a falar sua linguagem do amor. Com isso, seu "tanque
do amor" enche-se e h chances de que a recproca tambm ocorra
de forma que ele tambm fale a nossa primeira linguagem. Nesse
processo nossas emoes retornam e nosso "tanque do amor" comea
a encher.
     Amar  uma deciso. E cada cnjuge pode iniciar esse processo
hoje mesmo.


                11. O Amor Faz a Diferena

      O amor no  a nossa nica necessidade emocional. Psiclogos
tm observado que entre nossas carncias bsicas encontram-se a
segurana, a autovalorizao e o significado. O amor, no entanto,
relaciona-se com todas elas.
       Se me sinto amado (a) por meu cnjuge, consigo relaxar, pois
confio que seu amor no me far mal algum. Acho-me seguro (a) em
sua presena. Posso enfrentar muitas incertezas em meu emprego e
ter inimigos em outras reas de minha vida, mas sinto segurana em
relao a meu cnjuge.
      Meu senso de autovalorizao  alimentado pelo fato de saber
que meu cnjuge me ama. O amor que ele me dedica aumenta minha
auto-estima.
      A necessidade de significado  a fora emocional por trs da
maior parte de nossos atos. A existncia humana  pautada pelo
desejo de sucesso. Queremos que nossas vidas valham a pena.
Temos nossas prprias idias de onde encontrar esse significado e
trabalhamos duro para atingir nossos alvos. Ser amado (a) por nosso
cnjuge aumenta nosso senso de significado. Conclumos: "Se
algum me ama, ento devo significar algo para essa pessoa".
      Tenho significado porque sou a obra-prima da criao. Possuo a
habilidade de pensar em termos abstratos, comunicar meus
pensamentos por meio de palavras e tomar decises. Atravs da
palavra escrita ou gravada, posso beneficiar-me com os pensamentos
daqueles que me precederam. Sou enriquecido pelas experincias
de outros, mesmo que tenham vivido em pocas e culturas
diferentes. Com a morte de meus familiares e amigos, experimento o
fato de que h uma existncia alm do material. Concluo que, em
todas as culturas, as pessoas acreditam no mundo espiritual. Meu
corao afirma que isso  verdade, mesmo que minha mente,
treinada em observao cientfica, levante questionamentos a
esse respeito.
       Tenho significado. A vida possui um sentido. Existe um propsito
mais alto. Quero acreditar nisso, mas no consigo encontrar esse
significado at que algum expresse amor por mim. Quando meu
cnjuge, de forma amorosa, investe tempo, energia e esforo em
minha pessoa, acredito que tenho significado. Sem amor, passo a vida
inteira na busca do significado, da autovalorizao e da segurana.
Porm, quando experimento o amor, ele impacta positivamente todas
estas necessidades. Torno-me ento livre para desenvolver meu
potencial. Sinto-me mais seguro em minha auto-estima e posso
canalizar meus esforos para outra direo ao invs de ficar
obcecado com minhas prprias necessidades. O amor verdadeiro
sempre resulta em libertao.
      No contexto do casamento, se no nos sentimos amados, as
diferenas tornam-se ampliadas. Observamos um ao outro como
ameaa  prpria felicidade. Lutamos por autovalorizao e significado
e o casamento torna-se mais um campo de batalha do que um porto
seguro.
      O amor no oferece resposta para tudo, mas cria um clima de
segurana no qual podemos buscar solues para as questes que nos
aborrecem. Na convico do amor os casais podem conversar sobre
diferenas sem condenao.
      Conflitos podem ser resolvidos. Duas pessoas diferentes
podem aprender a viver juntas em harmonia. Descobrimos como
fazer surgir o melhor de cada um. Podemos chamar a isso tudo de
recompensas do amor.
      A deciso de amar seu cnjuge encerra um tremendo
potencial. Aprender a primeira linguagem do amor dele
transforma este potencial em realidade. O amor realmente "faz o
mundo girar". Pelo menos, isso  afirmado no que diz respeito a Jean
e Norman.
      Eles viajaram trs horas para chegar em meu escritrio. Era
bvio que Norman estava contrariado. Jean "torcera seu brao" com
a ameaa de deix-lo. (No sou a favor e nem recomendo esta
atitude, mas as pessoas no podem saber disso antes que nos
encontremos.) Estavam casados h trinta e cinco anos e nunca
haviam tido um aconselhamento conjugai.
     Jean iniciou a conversa.
      -- Dr. Chapman, gostaria que o senhor soubesse de duas
coisas. Em primeiro lugar, no temos problemas financeiros. Li uma
revista que afirmava ser o dinheiro o maior problema no casamento.
Este, porm, no  o nosso caso. Ns dois trabalhamos a vida toda, a
casa est paga e os carros tambm. Realmente no temos
dificuldades financeiras. Em segundo lugar, o senhor precisa saber
que ns no brigamos. Ouo sempre meus amigos dizer das brigas que
tiveram. Ns nunca discutimos. No consigo nem me lembrar da
ltima
vez em que tivemos uma discusso. Ns dois concordamos que
brigas no levam a nada, ento no brigamos.
      Como conselheiro, apreciei o fato de Jean jogar um pouco de luz
para comearmos. Sabia que ela iria direto ao ponto. Ela demonstrou
que agiria assim logo em suas primeiras palavras. Queria ter certeza
de que no nos ateramos ao que no fosse necessrio, pois seu
objetivo era utilizar o horrio que tinha de forma sbia.
     Ela continuou:
      -- O problema  o seguinte: sinto que meu marido no me
ama. A vida tornou-se rotineira para ns. Levantamos pela manh e
vamos ao trabalho. De tarde, dedico-me aos meus afazeres e ele aos
dele. Costumamos jantar juntos, mas no conversamos. Ele assiste
televiso enquanto comemos. Aps o jantar refugia-se no poro e
dorme em frente  TV, at que o acordo e digo-lhe que j  hora de ir
para a cama. Essa  nossa vida cinco dias por semana. Aos sbados
ele joga golfe na parte da manh, trabalha no jardim s tardes e, s
noites, samos para jantar com um casal de amigos. Ele dialoga
com eles, mas quando entramos no carro para retornar  nossa
casa, a conversa simplesmente termina. Quando chegamos, ele
dorme em frente  TV at a hora de ir para a cama. Aos domingos pela
manh vamos  igreja. Ns vamos  igreja toda manh de domingo.
Ela enfatizou e prosseguiu:
      -- Depois, almoamos fora com alguns amigos. Ao chegarmos
em casa, ele dorme em frente  televiso a tarde toda.  noite vamos 
igreja; depois voltamos para o lar, comemos pipoca e vamos para a
cama. Fazemos isso todas as semanas. E  s isso. Somos como dois
colegas que moram na mesma casa. No h nada de especial entre a
gente. No sinto, de forma alguma, que ele me ame. No h calor,
no h emoo. E s vazio, s morte. No sei se consigo mais
continuar desse jeito.
      Aquela altura, Jean chorava. Dei-lhe um leno de papel e olhei
para Norman. Suas primeiras palavras foram:
     -- No consigo entend-la! Tenho feito tudo o que posso para
demonstrar que a amo, especialmente nos ltimos dois ou trs anos,
quando ela comeou a reclamar mais. Nada parece agrad-la. No
importa o que eu faa pois ela continua a reclamar que no se sente
amada. No sei mais o que fazer!
      Era ntido que Norman estava frustrado e muito irritado. Ento
eu lhe perguntei:
        O que voc tem feito para demonstrar seu amor por
Jean?
      Bem, para comear, eu chego em casa antes dela e
todas as noites adianto o jantar. Para falar a verdade, quatro vezes
por semana, eu tenho o jantar quase pronto quando ela chega 
nossa residncia. Na quinta noite da semana, samos para comer fora.
Depois do jantar, trs vezes por semana lavo a loua. Em uma das
quatro noites tenho uma reunio, mas por trs noites lavo toda a
loua. Limpo a casa toda porque ela tem problema de coluna. Fao
todo o trabalho de jardinagem porque ela  alrgica ao plen das
flores. Retiro a roupa da secadora e em seguida dobro-a.
      E ele prosseguiu a dizer todas as outras coisas que fazia por
Jean. Quando terminou de falar, pensei: Esse homem realiza tudo em
casa, e o que sobra para a esposa fazer? No sobrava quase nada para
ela!
        Norman continuou:
      -- Fao todas estas coisas para demonstrar meu amor por ela e
ainda a ouo lhe dizer a mesma coisa que me afirma h uns dois ou
trs anos: no se sente amada por mim. No sei mais o que fazer
por ela!
         Quando me virei novamente para Jean, ela disse:
       -- Tudo bem dele fazer todas essas coisas. Mas eu quero que ele
se sente no sof e converse comigo! Ns nunca dialogamos. H
trinta anos que ns no conversamos. Ele est sempre ocupado em
lavar a roupa, limpar a casa, cortar a grama. Ele est sempre ocupado
em alguma coisa. Quero que ele se sente ao meu lado e d-me um
pouco de seu tempo, olhe para mim, fale comigo sobre ns e nossas
vidas.
      Jean mais uma vez chorou. Era bvio para mim que sua
primeira linguagem do amor era "Qualidade de Tempo". Ela clamava
por ateno. Queria ser tratada como gente, no como um objeto.
Todo o trabalho de Norman no supria sua necessidade emocional.
Mais tarde, quando conversei com ele, descobri que tambm no se
sentia amado, mas simplesmente no falava sobre isso. Disse-me:
      -- Se voc j est casado h 35 anos, tem suas contas pagas,
no brigam um com o outro, o que mais pode esperar?
         Ele estava neste ponto, quando lhe perguntei:
      -- Que tipo de mulher seria ideal para voc? Se fosse possvel
ter uma esposa perfeita, como ela deveria proceder?
         Ele, pela primeira vez, olhou-me nos olhos e perguntou:
         -- O senhor quer mesmo saber?
     Respondi-lhe que sim. Ele ento sentou-se no sof, cruzou seus
braos e disse:
      -- Tenho sonhado sobre isso. A esposa perfeita seria aquela
que s tardes fizesse o jantar para mim, enquanto eu trabalhasse no
jardim, chamasse-me e dissesse que o jantar estava na mesa. Aps o
jantar, ela lavaria a loua. Eu, possivelmente a ajudaria, mas arrumar
a cozinha seria responsabilidade dela. Ela tambm pregaria os botes
de minhas camisas quando eles cassem.
         Jean no conseguiu mais se conter. Virou-se para o marido e
disse:
         -- No acredito no que ouo. Voc me disse que gostava de
cozinhar!
     Norman ento respondeu:
      -- Eu no me importo de cozinhar. Ele apenas perguntou como
seria para mim a esposa ideal.
       Percebi, tambm, sem que fossem necessrios mais dados, a
primeira linguagem do amor de Norman -- "Formas de Servir". Por
que voc acha que ele fazia todas aquelas coisas para Jean? Porque
aquela era a sua linguagem do amor. Em sua mente, aquela era a
forma de se demonstrar amor a uma pessoa: atravs das vrias
"Formas de Servir". O problema era que "Formas de Servir" no era
a primeira linguagem de amor de Jean. No tinha, para ela, o
significado emocional que existiria para ele, se ela utilizasse para
com ele "Formas de Servir".
      Quando a luz brilhou na mente de Norman, a primeira coisa
que ele disse foi:
      -- Por que ningum me falou sobre isso trinta anos
atrs? Eu teria me sentado no sof ao lado dela durante quinze
minutos, todas as noites, ao invs de fazer todas aquelas coisas.
     Ele, ento, virou-se para Jean e disse:
      -- Pela primeira vez em minha vida, entendo o seu sofrimento
quando fala que no dialogamos. Eu no conseguia entender isso. Na
minha forma de enxergar as coisas, ns conversvamos. Eu sempre
perguntava se voc dormira bem, e achava que aquilo era uma
dilogo. Mas agora compreendo tudo. Voc quer que sentemos no
sof por uns quinze minutos s noites, olhemos um para o outro e
conversemos. S agora entendo o que voc desejava dizer, e porque
isso  to importante. E sua linguagem do amor emocional, e vamos
comear hoje  noite mesmo. Vou lhe dedicar quinze minutos
naquele sof, pelo resto de minha vida. Voc pode contar com isso!
     Jean virou-se para Norman e disse:
      -- Seria maravilhoso, e tambm no me importo de fazer o
jantar para voc. Vai ficar pronto um pouco mais tarde, porque chego
do servio depois de voc, mas no me importo em cozinhar. E vou
adorar pregar seus botes. Voc nunca os deixa soltos o tempo
suficiente para que eu possa preg-los... Tambm vou lavar a loua
pelo resto de minha vida, se isso faz com que voc se sinta amado.
      Jean e Norman voltaram para casa e comearam a amar-se na
linguagem certa um do outro. Em menos de dois meses, achavam-se
em uma segunda lua-de-mel. Eles me ligaram das Bahamas para
contar sobre a mudana radical que o casamento deles passara.
       possvel o amor emocional renascer em um casamento? Pode
apostar! A chave  aprender a primeira linguagem do amor de seu
cnjuge e decidir utiliz-la.


     12. Amando a Quem no Merece Nosso Amor

       Era um lindo sbado de setembro. Minha esposa e eu
caminhvamos pelo Jardim Reynolda, "curtindo" a flora, que
continha vrios exemplares provenientes de diversos pases do
mundo. Os pomares foram originariamente cultivados por R. J.
Reynolds, o magnata do tabaco, como parte de sua propriedade
rural. Agora, fazem parte do campus da Universidade Wake Forest.
Acabvamos de passar pelo jardim das rosas quando vimos Ann,
uma senhora a quem eu comeara a aconselhar duas semanas atrs, a
qual caminhava em nossa direo. Ela olhava para baixo, para as
pedras dispostas ao longo do cho, formando o corredor por onde
andvamos. Parecia estar completamente abstrada. Quando a
cumprimentei, teve inicialmente um sobressalto, mas depois olhou
para cima e sorriu. Apresentei-a Karolyn e trocamos alguns
cumprimentos. De repente, ela de chofre fez uma das perguntas mais
profundas que j me foram formuladas:
      -- Dr. Chapman,  possvel amar algum a quem odiamos? Eu
sabia que aquela pergunta tinha brotado de uma profunda ferida e
merecia uma resposta bem avaliada. Eu tinha horrio marcado com
ela para outra sesso de aconselhamento na semana seguinte. Ento
lhe disse:
      -- Ann, essa  pergunta que precisa ser muito bem pensada antes
de respondida. Que tal conversarmos sobre ela na semana que vem?
      Ela concordou e Karolyn e eu continuamos nosso passeio. A
pergunta que ela fizera, porm, no nos abandonou. Mais tarde,
enquanto dirigia para casa, Karolyn e eu falamos sobre aquela
interrogao. Comeamos a nos lembrar dos primeiros anos de nosso
casamento e de como, por vrias vezes, tivemos o sentimento de
dio. As palavras condenatrias que dirigamos um ao outro
estimularam a mgoa e, no calcanhar da mesma, a ira, que abrigada
no interior transformou-se em dio. O que foi diferente em nosso
caso? Ambos fizemos a escolha de amar e percebemos que, se
continussemos aquele trajeto de cobranas e condenao,
destruiramos nosso casamento.
      Felizmente, aps um perodo de um pouco mais de um ano,
aprendemos como discutir nossas diferenas sem condenarmos um
ao outro; a tomar decises sem destruir nossa unidade; a dar
sugestes construtivas ao invs de fazermos cobranas; e,
eventualmente, a falarmos a primeira linguagem do amor um do
outro. (Muitos desses itens foram descritos em um outro de nossos
livros -- Toward a Growing Marriage, Moody Press -- "Em Busca de
um Casamento Maduro", publicado pela Editora Moody.) Nossa
deciso de amar foi feita em meio a sentimentos negativos mtuos.
Quando comeamos a falar a primeira linguagem do amor um do
outro, os sentimentos negativos provenientes da mgoa e do dio
foram desfeitos.
      Nossa situao, no entanto, era diferente da que Ann
enfrentava. Karolyn e eu estvamos abertos para aprender e crescer.
O marido de Ann, porm, no concordava. Ela me dissera ainda
na semana anterior, que implorara para ele fazer um
aconselhamento, ler um livro ou ouvir alguma fita sobre
casamento. No entanto, ele recusara todas estas alternativas.
Segundo ela, a postura que ele assumira era:
     "No tenho qualquer dificuldade. Voc  quem possui os
problemas aqui."
     Na mente dele, ele estava certo e ela errada -- e isto era
simples. Os sentimentos de amor que ela nutria por ele foram
mortos atravs dos anos de crtica e condenao constantes. Aps
dez anos de casamento, sua energia emocional esgotara-se e sua
auto-estima praticamente se destrura. Haveria esperana para o
casamento de Ann? Ela conseguiria gostar de um marido indigno de
ser amado? Ser que, algum dia, ele corresponderia ao seu amor?
      Eu sabia que Ann era profundamente religiosa e freqentava
regularmente sua igreja. Deduzi, ento, que a nica esperana que ela
possua para seu casamento residia em sua f. No dia seguinte, com
meus pensamentos nela, comecei a ler a vida de Cristo no evangelho
de Lucas. Sempre gostei da forma deste evangelista escrever sobre
Jesus, pois, como mdico, dava muita ateno a detalhes e ainda no
primeiro sculo fez um relato cronolgico dos ensinos e do estilo da
vida do Filho de Deus. Naquele que muitos consideram o melhor
sermo de Jesus, li as seguintes palavras, s quais chamo de grande
desafio do amor:
     "Digo-vos, porm, a vs outros que me ouvis: Amai os vossos
inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos
maldizem, orai pelos que vos caluniam. Como quereis que os
homens vos faam, assim fazei-o vs tambm a eles. Se amais os que
vos amam, qual  a vossa recompensa? Porque at os pecadores
amam aos que os amam."1
      Pareceu-me que aquele profundo desafio escrito h quase
dois mil anos era o caminho que Ann procurava. Mas... ela poderia
"dar conta daquele recado"? Ser que algum conseguiria? Seria
possvel amar um cnjuge que se tornou um inimigo? Seria possvel
amar algum que pragueja contra voc, maltrata-o (a), e dedica-lhe
desprezo e dio? E, se na melhor das hipteses, ela conseguir, ser
que ele de alguma forma lhe retribuiria? Seria possvel que aquele
marido mudasse e comeasse a expressar amor e cuidado por ela?
Fiquei espantado com as prximas palavras de Jesus ditas naquele
antigo sermo: "Dai e dar-se-vos-; boa medida, recalcada,
sacudida, transbordante generosamente vos daro: porque com a
medida com que tiverdes medido vos mediro tambm."
       Ser que aquele princpio de amar a quem no merece nosso
amor funcionaria em um casamento no ponto em que estava o de
Ann? Decidi fazer uma experincia. Tomei como hiptese o fato de
que se ela aprendesse a primeira linguagem do amor de seu marido
e utilizasse-a por um perodo de tempo de forma que as necessidades
emocionais dele fossem atendidas, eventualmente, ele se tornaria
recproco e comearia a demonstrar amor por Ann. Imaginei... Ser
que vai funcionar? Encontrei-me com ela na semana seguinte e ouvi-
a novamente enquanto falava sobre os horrores de seu casamento. Ao
final de seu resumo, repetiu o que dissera no Reynolda Gardens.
Dessa vez, porm, ela colocou em forma de afirmao.
     -- Dr. Chapman, simplesmente no sei se voltarei a
am-lo depois do que ele fez comigo.
     -- Voc j conversou sobre sua situao com alguns de seus
amigos? -- perguntei.
     Ela respondeu:
      -- Com umas duas amigas mais chegadas e, por cima, com
outras pessoas.
     -- E o que elas lhe disseram?
       Todos so unnimes em dizer que devo me separar
dele, porque ele nunca vai mudar, e esta demora s prolonga a agonia.
Dr. Chapman, ocorre que eu no consigo fazer isso! Talvez eu
devesse, mas no quero acreditar que esta  a coisa mais certa a se
fazer.
     Eu ento lhe disse:
     -- Parece-me que voc est em um dilema. Por um lado sua
crena religiosa e a moral, lhe dizem ser errado desmanchar um
casamento; e por sua dor emocional lhe afirma ser o rompimento a
sua nica forma de sobreviver.
       --  exatamente isso, Dr. Chapman.  desta maneira que me
sinto. No sei o que fazer!
                 Quando o tanque (emocional) est
              baixo... no temos sentimentos de amor
                por nosso cnjuge e, simplesmente,
                    experimentamos dor e vazio.
      -- Estou realmente solidrio com sua dor. Sei que voc
enfrenta uma situao verdadeiramente difcil. Gostaria de poder
oferecer-lhe uma resposta fcil mas, infelizmente, no a possuo.
Qualquer uma das alternativas que voc mesma mencionou --
continuar ou desistir de seu casamento -- certamente lhe acarretar
muita dor. Antes que tome uma deciso, gostaria de conceder-lhe
uma           idia.           No          posso            garantir
que funcionar, mas desejaria que, pelo menos, fizesse uma tentativa.
Pelo que me disse, percebo que sua f  muito importante para voc
e tambm respeita muito os ensinos de Jesus.
     Ela balanou a cabea afirmativamente e eu continuei:
      -- Gostaria de ler para voc algumas coisas ditas: pelo prprio
Jesus, que acredito tenham a ver com seu casamento.
     Li, ento, devagar e pausadamente.
     "Digo-vos, porm, a vs outros que me ouvis: Amai os vossos
inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos
maldizem, orai pelos que vos caluniam. Como quereis que os
homens vos faam, assim fazei-o vs tambm a eles. Se amais os que
vos amam, qual  a vossa recompensa? Porque at os pecadores
amam aos que os amam."1
     -- Estas palavras lembram seu marido? Ele a tem tratado mais
como inimiga do que como amiga? -- perguntei.
     Ela balanou sua cabea afirmativamente.
     Ele j praguejou contra voc?
     Muitas vezes.
     Ele j a maltratou?
     Sempre o faz.
     Ele j expressou que a odeia?
     Sim.
      Ann, se voc concordar, gostaria de tentar um coisa.
Desejaria ver o que aconteceria se aplicssemos este princpio em
seu casamento. Deixe-me explicar melhor.
      Comecei a explicar a Ann o conceito do tanque emocional e o
fato de que, quando ele est baixo como o dela se encontrava, no
temos sentimentos de amor por nosso cnjuge e, simplesmente,
experimentamos dor e vazio. Desde que o amor  uma profunda
necessidade emocional, a falta dele possivelmente tambm  a
nossa mais profunda dor emocional. Disse-lhe, ento, que se
pudssemos aprender a falar a primeira linguagem do amor um ao
outro, a necessidade emocional estaria suprida e sentimentos
positivos seriam novamente gerados.
      -- Isso faz sentido para voc? -- perguntei-lhe.
      Dr. Chapman, o senhor acabou de descrever a minha vida.
Nunca,       antes,  enxerguei    de     forma    to     clara.
Apaixonamo-nos antes de nos casarmos. No muito tempo depois
de nosso casamento, camos das nuvens e nunca aprendemos a
falar a linguagem do amor um ao outro. Meu tanque est vazio h
anos, e estou certa que o dele tambm. Dr. Chapman, se eu
compreendesse antes este conceito, talvez nada disso nos teria
acontecido.
     No podemos voltar no tempo, Ann. Tudo o que
podemos tentar  fazer o futuro diferente. Gostaria de propor-lhe
uma experincia de seis meses.
      Estou disposta a tentar qualquer coisa -- disse Ann.
     Apreciei seu esprito positivo, mas eu no estava muito certo de
que ela entendera o alto grau de dificuldade daquela experincia.
Ento sugeri:
     -- Estabeleamos ento nossos objetivos. Se em seis meses
voc pudesse ter seu desejo romntico realizado, qual seria?
     Ann ficou um tempo sentada em silncio. Depois, ainda
pensativa, ela disse:
      -- Gostaria de ver Glenn amar-me novamente e demonstrar isso
atravs de algum momento gasto comigo; desejaria realizar diversas
atividades juntos; queria sair, eu e ele sozinhos, para passear; gostaria
muito que houvesse interesse da parte dele pelo meu mundo;
apreciaria demais que conversssemos um com o outro quando
sassemos                para                 jantar                fora;
desejaria que ele me ouvisse; gostaria de sentir que ele valoriza minhas
idias. Seria to bom se pudssemos novamente viajar e nos divertir
juntos. E, mais do que qualquer outra coisa, desejaria saber que ele
valoriza nosso casamento.
      Ann fez uma pausa e depois continuou:
      -- De minha parte, gostaria muito de voltar a ter sentimentos
calorosos e positivos por ele. Desejaria sentir orgulho dele. No
momento, no nutro estes desejos.
      Eu escrevia enquanto Ann falava. Quando ela terminou, li alto
o que ela me dissera e comentei:
      Estes objetivos parecem-me difceis            de    ser   alcana
dos.  isso mesmo o que voc deseja, Ann?
     Concordo que, para o momento, eles paream praticamente
impossveis. Mas  o que desejo acima de tudo.
      Ento estabeleamos que estes sero nossos objetivos. Em seis
meses, queremos ver voc e Glenn possuir esse tipo de amor em seu
relacionamento. Gostaria de levantar uma hiptese. O objetivo de
nossa experincia ser provar se ela  ou no verdadeira.
Suponhamos que voc consiga falar a primeira linguagem do amor
de Glenn, de forma consistente durante seis meses. Digamos tambm
que em algum ponto desse perodo sua necessidade emocional de
amor comece a ser suprida, o tanque do amor encha-se e ele comece a
corresponder seu amor. Esta hiptese baseia-se na idia de que nossa
necessidade de amor emocional  a carncia mais
profunda que possumos, e quando essa necessidade  suprida, a
tendncia natural  respondermos positivamente  pessoa que nos
supriu.
      E eu continuei.
       -- Voc compreendeu que esta proposta coloca toda
iniciativa em suas mos? Glenn no faz questo de trabalhar para
salvar este casamento, mas voc sim. Esta hiptese implica em que,
se conseguir canalizar suas energias para a direo certa, haver
grandes possibilidades de que seu esposo venha a lhe corresponder.
     Li a outra parte do sermo de Jesus conforme registrado em
Lucas, o mdico. "Dai e dar-se-vos-; boa medida, recalcada,
sacudida, transbordante generosamente vos daro: porque com a
medida com que tiverdes medido vos mediro tambm".2
      Se entendi bem, Jesus estabelece aqui um princpio,
e no uma forma de manipular pessoas. De modo geral, se formos
bondosos e amorosos, todos tambm tero a tendncia de s-lo
conosco. Isto no significa que sejamos pessoas boas e que todos
necessitam ser bons para conosco. Somos agentes independentes.
Portanto, no h garantias de que Glenn venha a ser recproco a
suas manifestaes de amor. S podemos dizer que existe uma boa
possibilidade disso vir a acontecer. (Um conselheiro nunca pode
predizer com absoluta certeza o comportamento humano individual.
Com base em pesquisas e em estudos dos tipos de personalidade, ele
pode deduzir uma reao em determinada situao.)
     Aps ela concordar com a hiptese, eu disse a Ann:
     Conversemos agora sobre a primeira linguagem do
amor, tanto a sua como a dele. Declaro, pelo que voc me contou,
que "Qualidade de Tempo" seja sua primeira linguagem do amor. O
que voc acha?
      Eu concordo com o senhor, Dr. Chapman. Logo no
incio, quando gastvamos algum tempo juntos e Glenn ou via-me,
conversvamos por horas a fio e fazamos muitas coisas em
companhia um do outro, eu me sentia amada. Acima de qualquer outra
coisa, esta  a parte de nosso casamento a qual gostaria que voltasse.
Quando ficamos algum momento juntos, sinto-me como se ele
realmente se importasse comigo; porm, quando se dedica somente a
outras coisas, e nunca tem tempo para conversarmos nem para
realizarmos algumas atividades juntos, sinto como se os negcios e
outros assuntos fossem muito mais importantes do que eu.
     Nesse momento, perguntei:
     -- E qual voc acha que  a primeira linguagem do amor de
Glenn?
     -- Acho que  o "Toque Fsico", especialmente a parte ntima
do casamento. Noto que, quando nossas relaes sexuais ficam mais
ativas, ele assume uma atitude mais positiva e eu chego a sentir-me
mais amada. , acho que o "Toque Fsico"  a primeira linguagem do
amor dele, Dr. Chapman.
     -- Ele reclama da forma como voc fala com ele?
     -- Bem, ele diz que eu o critico o tempo todo. Tambm afirma
que eu no o apoio e sou sempre contra suas idias.
      -- Creio, ento, que podemos dizer que o "Toque Fsico" seja
sua primeira linguagem do amor e que "Palavras de Afirmao", a
segunda. Se ele reclama das palavras negativas que lhe so ditas
ento, pelo que tudo indica, as positivas devem ser importantes para
ele.
     Fiz uma pequena pausa e escrevi as seguintes sugestes:
      -- Deixe-me sugerir um plano para testar nossa hiptese. Que
tal voc chegar em casa e dizer a Glenn: "Tenho pensado muito
sobre ns e quero que voc saiba que eu gostaria de ser a melhor
esposa do mundo. Ento, se tiver alguma sugesto de como eu posso
melhorar como companheira, gostaria de saber isso agora e quero
dizer-lhe que estou aberta para isso. Voc pode me declarar agora,
ou ento pensar um pouco e dar-me sua opinio depois. Gostaria,
porm, que soubesse desta minha deciso de ser a melhor esposa do
mundo". Seja qual for a resposta dada, negativa ou positiva, aceite
simplesmente como uma informao. Esta colocao mostrar a ele
que algo diferente est para acontecer no relacionamento entre vocs
dois.
      -- Em seguida -- continuei --, com base em sua opinio de
que a primeira linguagem do amor de Glenn  "Toque Fsico", e em
minha suposio de que a segunda seja "Palavras de Afirmao",
focalize sua ateno nestas duas reas por um ms. Se Glenn
conceder-lhe uma sugesto do que voc deve fazer para ser uma
melhor esposa, aceite essa informao e insira-a em seu plano.
Procure traos positivos nele e manifeste apreciao por eles. Neste
meio tempo, pare com as crticas. Se neste ms voc tiver motivos
para reclamar, escreva-os em sua caderneta de anotaes, ao invs de
dizer qualquer coisa a Glenn.
     -- E finalmente -- conclu --, tome mais iniciativa em toc-lo
fisicamente e tambm no envolvimento sexual. Surpreenda-o e seja
mais agressiva, no simplesmente para corresponder s investidas
dele. Coloque um alvo de, nas primeiras duas semanas, ter relaes
sexuais pelo menos uma vez a cada sete dias e nas duas seguintes,
duas vezes em cada semana.
      Ann me contara que, durante os ltimos seis meses, ela e Glenn
tiveram somente uma ou duas relaes sexuais. Imaginei que este
plano tiraria as coisas do marasmo em que se encontravam em
menos tempo.
                  Se voc afirmar ter sentimentos
                  que no nutre, isso  hipocrisia.
               Porm, expressar um ato de amor em
                benefcio, ou para o prazer de outra
                    pessoa,  um ato de escolha.
     Ann ento disse:
      -- Dr. Chapman, isso ser realmente difcil!  quase
impossvel corresponder-me sexualmente com ele, pois ignora-me o
tempo todo. Sinto-me usada e no amada em nossas relaes sexuais.
Ele me trata como se eu fosse totalmente insignificante em outras
reas e, de repente, quer ir para a cama e usar meu corpo. Mago-me
muito com isso e esta deve ser a razo de termos to pouco
envolvimento sexual nos ltimos anos.
     Respondi ento a Ann, com real compreenso pelo que ela
passava:
      -- Sua reao  absolutamente natural e normal. Para a maioria
das esposas, o desejo de ter relaes sexuais com os maridos 
decorrente do fato de serem amadas por eles. Se elas se sentem
prestigiadas, ento querem ter relaes sexuais. Se no, sentem-se
usadas no contexto sexual.  por este motivo que amar a quem no
nos ama  extremamente difcil.  algo que vai alm de nossas
tendncias normais.  preciso confiar profundamente em Deus para
poder fazer isso. Creio que Ele a ajudar, se voc ler novamente o
sermo de Jesus sobre o amar os inimigos, ou seja, a quem nos odeia
e nos usa. Depois, pea a Deus ajuda para colocar em prtica os
ensinos de Cristo.
      Dava para perceber que Ann concordava com o que eu lhe
dizia. De vez em quando ela balanava a cabea afirmativamente,
mas seus olhos afirmavam que ela estava com muitas dvidas:
     -- Mas Dr. Chapman, no  uma hipocrisia demonstrar amor
sexual quando se tem tantos sentimentos negativos por uma pessoa?
     Minha resposta foi:
      -- Acho que seria bom conversarmos um pouco sobre a
diferena entre amor como sentimento e amor como ao. Se voc
afirmar ter sentimentos que no nutre, isso  hipocrisia e esta
comunicao falsa no  uma boa forma para se construir um
relacionamento ntimo. Porm, se voc expressar um ato de amor em
benefcio ou para o prazer de outra pessoa,  um ato de escolha.
Voc no atribuir quele ato um profundo envolvimento
emocional. Creio que foi exata mente isto que Jesus quis dizer.
     Fiz uma pequena pausa e prossegui:
      -- Certamente no d para termos sentimentos calorosos por
quem nos odeia. Isso no seria normal, mas, por outro lado,
podemos realizar atos de amor por eles. E isso  uma deciso
nossa. Esperamos que tais atos de amor produzam efeitos positivos
em suas atitudes, seu comportamento e tratamento. Pelo menos,
escolhemos fazer algo positivo por eles.
      Minha resposta, aparentemente, satisfez a Ann, pelo menos
naquele momento. Fiquei com a sensao de que precisaramos
conversar sobre isso novamente. Eu tambm sentia que, se aqueles
planos fossem postos em prtica, seriam devido  profunda f que
ela nutria em Deus. Tornei a dizer-lhe:
      -- Eu gostaria que, depois de um ms, perguntasse a Glenn se
voc melhorou ou no. Coloque em suas prprias palavras, mas
pergunte a ele algo como: "Glenn, lembra-se quando umas semanas
atrs eu lhe disse que gostaria de ser a melhor esposa do mundo?
Seria possvel voc me dizer o que tem achado?"
     Prossegui com outras propostas:
      -- Seja qual for a resposta de Glenn, aceite-a como uma
informao. Ele pode ser sarcstico, frvolo, hostil ou positivo. Seja
qual for a resposta que ele lhe der, no argumente, aceite-a e
assegure-lhe que voc fala srio e realmente quer ser a melhor
esposa do mundo, e se ele tiver sugestes, voc est aberta para elas.
      Alm do mais -- prossegui --, mantenha o hbito
de interrog-lo nesse sentido uma vez por ms, durante os seis
primeiros meses. Quando Glenn lhe der o primeiro retorno positivo,
e disser algo como: "... tenho de admitir que quando voc me falou
que gostaria de tentar ser a melhor esposa do mundo, eu quase
morri de rir; no entanto, tenho de aceitar que as coisas tm andado
diferentes por aqui!"; voc saber que seus esforos comeam a
modific-lo emocionalmente. Ele talvez lhe conceda um retorno
positivo de pois do primeiro ms, do segundo ou mesmo do
terceiro.
Uma semana depois de voc receber o primeiro retorno positivo,
quero que faa um pedido a Glenn -- algo que gostaria que ele
fizesse, e esteja relacionado com sua primeira linguagem do amor. Por
exemplo, numa bela noite voc pode ria virar-se para ele e dizer algo
parecido com: "Glenn, sabe o que eu estou com vontade de fazer? Voc
se lembra de como ns costumvamos jogar "Scrabble" juntos?
(N.T.: Jogo de formar palavras em um tabuleiro e somar pontos.) Eu
gosta ria tanto que jogssemos juntos, s ns dois, na quinta-feira
 noite! As crianas vo ficar na casa da Mary. Voc acha que seria
possvel?"
      -- Ann -- prossegui --, coloque esse pedido de forma
especfica, no geral. No diga algo como: "Sabe, gostaria muito
que a gente pudesse gastar mais tempo juntos". Isso  muito vago.
Como  que voc saber se ele far ou no o que pediu? Mas... se fizer
um pedido especfico, ele saber exata mente o que voc quer e com
certeza reagir. Quando ele o fizer, ser pela escolha de realizar algo
que a agrade.
      -- E finalmente, faa, a cada ms, um pedido especfico. Se ele
a atender, timo; se no concordar, no se importe. Uma coisa  certa:
quando atender seu pedido, voc saber que ele procura satisfazer a
sua necessidade. Nesse processo, voc o ensinar a falar sua primeira
linguagem do amor, porque os pedidos que far com certeza so
parte dela. Se ele decidir am-la atravs de sua primeira
linguagem do amor, suas emoes positivas relativas a ele
despontaro na superfcie. Seu "tanque" emocional comear a
encher e, a seu tempo, o casamento renascer.
     Ann ento disse:
     -- Dr. Chapman, eu faria qualquer coisa se isso fosse possvel.
               Talvez voc precise de um milagre em
            seu casamento. Por que no tenta colocar em
                   prtica a experincia de Ann ?
      -- Bem. Dar um bocado de trabalho, mas acredito que
compensa uma tentativa. Eu, pessoalmente, estou muito interessado
em ver se esta experincia dar certo e se esta hiptese comprovar-
se-. Gostaria que nos encontrssemos sistematicamente durante
este processo; talvez a cada dois meses, e voc fizesse anotaes
das palavras de afirmao que disser a Glenn a cada semana.
Gostaria,                        tambm,                         que
me trouxesse a lista das reclamaes anotadas em sua caderneta;
aquelas que voc no vai revelar para Glenn. Pode ser que, atravs
destas reclamaes, eu consiga ajud-la a formular pedidos que
possam ir ao encontro do suprimento destas frustraes.
Finalmente, gostaria que voc aprendesse como compartilhar suas
frustraes e irritaes de forma construtiva e os dois conseguissem
lidar com isso. Mas, durante estes seis meses de experincia, quero
que voc as anote sem nada dizer a Glenn.
     Ann levantou-se e acredito que j com a resposta  famosa
pergunta que me fizera: "E possvel amar algum a quem se odeia?"
      Nos seis meses que se seguiram, Ann viu uma tremenda
mudana na atitude e no tratamento de Glenn para com ela. Nos
primeiros 30 dias ele estava frvolo e lidou com a situao de forma
superficial. Porm, aps o segundo ms, ela j recebeu dele o retorno
positivo de seus esforos. Nos ltimos quatro meses, ele respondeu
positivamente a quase todos os seus pedidos, e seus sentimentos para
com ela comearam a sofrer uma drstica mudana. Glenn nunca
apareceu para o aconselhamento, mas ouviu algumas de minhas fitas e
discutiu-as com Ann. Chegou mesmo a encoraj-la a continuar suas
sesses de aconselhamento, o que durou por mais trs meses aps o
final da experincia. Atualmente, Glenn segreda a seus amigos que
eu sou um "milagreiro". Sei, no entanto, que o amor  que faz
milagres.
      Talvez voc precise de um milagre em seu casamento. Por que
no tenta colocar em prtica a experincia de Ann? Diga a seu
cnjuge o que tem pensado sobre o casamento dos dois, e que
gostaria de fazer o possvel para suprir de forma melhor suas
necessidades. Pea sugestes de como melhorar. As propostas que
forem dadas serviro de dicas para que se descubra sua primeira
linguagem do amor. Se ele (ela) no fizer alguma sugesto, tente
descobrir sua primeira linguagem do amor atravs das reclamaes
feitas ao longo dos anos. Ento, durante seis meses, focalize sua
ateno naquela linguagem. Ao final de cada ms, solicite um
retorno de como voc evolui por intermdio de outras sugestes.
       Quando seu cnjuge demonstrar melhoras, espere uma semana e
ento faa um pedido especfico. A solicitao dever ser de algo que
realmente apreciaria que ele (ela) fizesse por voc. Se ele (ela)
decidir atend-la (o), saber que ele (ela) tomar aquela atitude com
o objetivo de suprir suas necessidades. Se ele no atender seu pedido,
continue a am-lo. Talvez no prximo ms voc receba uma resposta
positiva. Se seu cnjuge comear a falar sua linguagem do amor
atravs do atendimento a seus pedidos, as emoes positivas sobre
ele (ela) voltaro e, a seu tempo, seu casamento renascer. No posso
garantir os resultados, mas so muitas as pessoas a quem aconselhei
que experimentaram os milagres do amor.


              Notas
     1.Lucas 6:27, 31-32.
     2. Lucas 6:38.


         13. Os Filhos e as Linguagens do Amor

       O conceito das linguagens do amor tambm pode ser aplicado
aos filhos?
     Essa pergunta sempre me  feita por aqueles que participam de
meus seminrios sobre casamento. Minha resposta genrica  sim.
Quando as crianas so pequenas, no h como saber a primeira
linguagem do amor delas. Portanto, use todas as cinco e voc ter
mais possibilidades de descobri-la. Outra dica: ao observar o
comportamento de seus filhos, ser possvel desvendar, mais
facilmente, a primeira linguagem do amor deles.
      Bobby tem seis anos de idade. Quando seu pai chega em casa 
noite, aps o trabalho, ele pula em seu colo e despenteia os cabelos
dele. O que esta criana quer dizer com isso?
       "Quero ser tocado."
     Ele toca em seu pai porque tambm deseja ser acariciado. A
primeira linguagem do amor de Bobby, muito possivelmente, 
"Toque Fsico".
      Patrick  vizinho de Bobby. Ele tem cinco anos e meio e ambos
brincam juntos. O seu pai, no entanto, encontra uma situao
completamente diferente ao chegar em casa do trabalho. Patrick diz
entusiasmado:
       -- Venha c, papai. Quero lhe mostrar uma coisa. Pai, vem
c!
       E o pai responde:
      -- Espere um pouco, Patrick! Deixa eu dar uma olhada no
jornal, primeiro.
       O menino vai ao seu quarto, mas volta em quinze segundos, e
diz:
      -- Papai, venha at o meu quarto. Eu quero mostrar-lhe uma
coisa. Papai, quero mostrar-lhe agora!!
       O pai responde:
      -- S um instante, filho. Deixe-me terminar de ler o
jornal.
      A me de Patrick aparece neste momento e passa-lhe um
"pito". Ela lhe diz que o pai est cansado, e ele deve deix-lo ler o
jornal sossegado. Ele ento diz:
       -- Mas mame, eu quero mostrar paro o papai aquilo que eu
fiz.
     -- Eu sei, mas "d um tempo" para o seu pai ler o jornal -- a
me responde.
      Um minuto mais tarde, Patrick vai em direo de seu pai e
pula em cima do jornal e ri. O pai fica bravo e pergunta:
      -- O que              que   voc   est   fazendo,    Patrick?
Patrick responde:
       -- Quero que voc v ao meu quarto comigo, ver o que eu fiz!
       O que Patrick ento solicita?
      "Qualidade de Tempo". Ele quer a ateno total de seu pai e
no vai parar enquanto no a conseguir, mesmo que para isso tenha
de fazer uma bela cena.
      Se o seu (sua) filho (a) pegar algum objeto, embrulh-lo e der a
voc com um brilho todo especial nos olhos, a primeira linguagem
do amor dele, provavelmente,  "Receber Presentes". Ele (ela) os
concede, porque gostaria de receber algo em troca. Se voc observar
seu filho, ou filha, sempre desejoso (a) de ajudar os irmozinhos,
isso provavelmente significa que a linguagem dele (dela)  "Formas
de Servir". Se ele ou ela tiver o hbito de elogi-lo (a)
constantemente, ao afirmar que voc est muito elegante,  um bom
pai ou uma boa me e que bom trabalho voc fez, so fortes indica-
dores de que a primeira linguagem do amor dele (dela)  "Palavras
de Afirmao".
      Tudo isso se passa a nvel do inconsciente da criana, ou seja,
ela propositadamente no pensa: "Se eu der um presente a meus pais,
eles tambm me daro outro; se eu os tocar, tambm serei
acariciado"; mas o comportamento dela  motivado por seus desejos
emocionais. Talvez tenha aprendido, por experincia prpria, que ao
falar ou dizer determinadas coisas, recebe um padro de reao dos
pais. Portanto, o que ela faz ou diz tem o objetivo de suprir suas
necessidades emocionais. Se tudo prosseguir normalmente e suas
necessidades emocionais forem supridas, tudo se encaminhar para
que se tornem adultos responsveis. Porm, se a carncia emocional
no for suprida, podem chegar a violar determinados padres, ou
expressar a ira contra seus pais, por eles no terem suprido suas
necessidades. Isto tambm os levar a procurar amor em lugares
inadequados.
      Dr. Ross Campbell, o psiquiatra que me falou pela primeira
vez do "tanque do amor" emocional, diz que durante os muitos anos
em que tratou de adolescentes envolvidos em comportamentos sexuais
irregulares, havia entre eles algo cuja carncia afetiva deveria ter sido
suprida pelos pais. Sua opinio era que praticamente toda conduta
sexual irregular em adolescentes tinha sua raiz em um "tanque" do
amor emocional vazio.
                Por que, quando os filhos ficam mais
               velhos, nossas "Palavras de Afirmao"
                 tornam-se palavras de condenao?
     Voc j reparou esse tipo de coisa ocorrer em sua
comunidade? Um adolescente foge de casa. Os pais levantam suas
mos para o alto e perguntam:
      "Como ele pde fazer isso comigo, depois de tudo o que
realizei por ele?"
      Aquele adolescente, porm, a vrios quilmetros de
distncia, abre o seu corao para algum conselheiro e diz:
      "Meus pais no me amam. Eles nunca gostaram de mim.
Eles amam meu irmo, mas jamais gostaram de mim."
       Ser que estes pais amam aquele adolescente? Na maioria dos
casos, sim. Ento, onde est o problema? Quase sempre este tipo de
situao ocorre quando os pais no sabem comunicar seu amor em
uma linguagem que o filho possa entender. Talvez eles comprem
luvas de boxe e bicicletas para mostrar seu amor, mas talvez o filho
grite:
      "Por favor, algum deseja jogar bola comigo!?"
      A diferena entre comprar uma bola e jogar com seu filho pode ser
um "tanque" do amor cheio ou vazio. Os pais procuram,
sinceramente, amar seus filhos (a maioria deles age assim), mas
somente sinceridade no adianta. Precisamos aprender a falar a primeira
linguagem do amor de nossos filhos, se quisermos suprir-lhes sua
necessidade emocional de amor.
    Olhemos para as cinco linguagens do amor, no propsito de
compreendermos nossos filhos:

                     PALAVRAS    DE   AFIRMAO

      Normalmente os pais dizem "Palavras de Afirmao" a seus
filhos quando eles ainda so pequenos. Mesmo antes que entendam a
linguagem verbal, j lhes dizem coisas como: "Que narizinho lindo!
Que olhinhos mais brilhantes! Que cabelo mais macio", etc. Quando o
beb comea a engatinhar, elogiamos cada gesto e "esbanjamos"
"Palavras de Afirmao". Quando ele comea a andar e apia-se
com uma das mozinhas no sof, ficamos alguns passos  sua frente,
estendemos as mos em sua direo e dizemos: "Vem, vem, vem".
Isso mesmo... andando, vem at aqui, vem!". O beb d meio passo
em sua direo e cai. O que dizemos a ele?
     Certamente no  nada como "Seu burro! Ser que voc no
consegue nem andar?!"
     Muito pelo contrrio, nossas palavras costumam ser: "Isso
mesmo, muito bem!" E dessa forma, a criana levanta-se e tenta
novamente.
      Por que, quando os filhos ficam mais velhos, nossas "Palavras
de Afirmao" tornam-se de condenao? Quando um deles tem sete
anos, entramos em seu quarto e dizemo-lhe que guarde os brinquedos
na caixa. Digamos que haja doze objetos pelo cho. Voltamos ao
quarto em cinco minutos e somente sete esto na caixa. O que ento
falamos a ele?
      "Eu lhe disse para guardar esses brinquedos! Se voc no fizer
isso agora, eu vou..."
     "Venha c... e os sete brinquedos que j estavam guardados?!"
Por que no dizemos:
      "Muito bem, Johnny, voc colocou sete brinquedos na caixa.
Muito bem!"
      Preste ateno, pois certamente os outros cinco brinquedos
tambm "pularo" em um instante para a caixa!  medida em que os
filhos ficam mais velhos, a nossa tendncia  conden-los mais por
seus erros do que "condecor-los" por seus sucessos.
      Para a criana que possui "Palavras de Afirmao" como sua
primeira linguagem do amor, nossas palavras negativas, crticas e
desanimadoras aterrorizam sua psique. Centenas de adultos por
volta dos 35 anos ainda ouvem retinir em seus ouvidos, palavras de
condenao proferidas h mais de vinte anos:
     "Voc  muito gorda! Ningum vai querer namorar voc!
      "Voc no estuda! Se continuar assim, poder ser expulso da
escola. No d para acreditar que seja to burro!"
      "Voc  um irresponsvel e nunca ser capaz de fazer nada
direito na vida!"
     Muitos adultos lutam com sua auto-estima e no se sentem
amados durante toda suas vidas, quando sua primeira linguagem do
amor  violada de forma to destrutiva.

                       QUALIDADE    DE   TEMPO

      "Qualidade de Tempo" significa dedicar aos filhos ateno total.
Para uma criana pequena, a forma de falar essa linguagem  sentar-
se ao cho com ela e rolar uma bola para l e para c. Estamos
falando de brincar com carrinhos ou bonecas, de entrar em sua caixa
de areia e ajud-la a construir um castelo; devemos, portanto,
penetrar em seu mundo, fazer as coisas com ela. Talvez voc, como
adulto, viva em um mundo computadorizado, mas seu filho est no
mundo da fantasia. Voc precisa descer ao nvel de uma criana, se
quiser conduzi-la ao mundo adulto.
       medida em que a criana cresce e muda seus interesses, voc
precisa descobrir quais so eles, se deseja suprir suas necessidades.
Se o seu novo prazer for basquete, ento interesse-se por este tipo de
esporte. Se for piano, talvez voc precise assistir algumas aulas para
ter noes deste instrumento musical ou, pelo menos, ouvir
atentamente enquanto ele treina os exerccios. O fato de dedicar-se
ateno total a um filho significa que voc se importa com ele, e 
importante estar ao seu lado, pois aprecia estar junto dele.
       So muitos os adultos que, ao olharem para trs, para sua
infncia, no se lembram do que seus pais lhes disseram, mas se
lembram do que lhes fizeram. Uma rapaz de 21 anos certa vez me
disse:
      "Eu me lembro que meu pai nunca perdia meus jogos na
escola. Eu sabia que ele se interessava pelo que eu fazia."
    Para aquele homem, "Qualidade de Tempo" era um
comunicador de amor extremamente importante.
      Se "Qualidade de Tempo" for a primeira linguagem do amor de
seu filho (a) e voc usar esta linguagem para comunicar-se com ele
(ela), haver grandes chances de que, mesmo na adolescncia,
permita que voc gaste mais tempo com ele. Se voc no lhe dedicar
"Qualidade de Tempo" nos anos de infncia, provavelmente na
adolescncia ele procurar os amigos da turma e afastar-se- dos
pais, os quais, nessa poca, vo desejar desesperadamente gastar
mais tempo com ele.

                        RECEBER PRESENTES

       H muitos pais e avs que falam excessivamente a Linguagem
dos Presentes. De fato, quando visitamos uma loja de brinquedos
conclumos que muitos acham que dar presentes  a nica
linguagem do amor. Se eles tm dinheiro, a tendncia  comprar
brinquedos em excesso para os filhos. H alguns que acham que,
realmente, aquela  a melhor forma de demonstrar-se amor por uma
criana. Alguns pais tentam fazer por seus filhos o que seus pais no
puderam realizar por eles. Compram para eles coisas que desejaram
ter quando crianas, mas nunca ganharam. Mas, a menos que
"Receber Presentes" seja realmente a primeira linguagem do amor de
seu filho, os presentes tero pouco significado emocional para ele. Os
pais podem at ter boas intenes, mas nem sempre  atravs de um
presente que se supre a necessidade emocional de um filho.
      Se os brinquedos que voc d a seu filho so rapidamente
postos de lado; se ele raramente lhe agradece; se a criana no
valoriza o que recebeu, h grandes indcios de que "Receber
Presentes" no seja a primeira linguagem do amor dela. No
entanto, se ele (ela) lhe agradece efusivamente; se mostra o
presente ganho a outros e diz como voc costuma dar-lhe bons
presentes; se ele  cuidadoso com seus brinquedos, pois guarda-os
em lugar de honra no quarto, mantm-nos limpos e brinca bastante
tempo com eles, talvez "Receber Presentes" seja a primeira lin-
guagem do amor dele.
       O que fazer, se voc tiver um filho cuja primeira linguagem
do amor  "Receber Presentes", e no tiver dinheiro suficiente para
comprar vrios brinquedos para ele? Tenha em mente que no  a
qualidade ou o custo do mesmo que se conta. Muitos presentes podem
ser feitos manualmente e, s vezes, as crianas gostam mais desse
tipo do que de outros sofisticados. A realidade  essa: J reparou
como as crianas pequenas chegam a brincar mais com a caixa do
que com o presente que vem dentro dela? Outra possibilidade 
trabalhar com brinquedos quebrados e reconstitu-los. Reformar um
deles pode ser um projeto tanto para os pais como para os filhos.
Voc no precisa ter "rios de dinheiro" para dar presentes ao seu
filho.

                        FORMAS    DE   SERVIR

      Quando os filhos so pequenos, os pais continuamente utilizam-
se de "Formas de Servir" para se relacionar com eles. Se no o
fizerem, as crianas s vezes adoecem. Tomar banho, ser alimentado e
vestido, tudo isso requer um bom tempo de trabalho nos primeiros
anos da vida de um beb. Alm disso,  necessrio cozinhar, lavar e
passar. Depois chega a poca das lancheiras, dos nibus escolares e
da ajuda nas lies de casa. Tais coisas no so muito valorizadas por
algumas crianas, mas para outras comunicam amor.
                     Observe seus filhos. Note
                    como eles demonstram amor
                 por outras pessoas. Isso  uma boa
                  dica para se descobrir a primeira
                      linguagem do amor deles.
      Se o seu filho costuma demonstrar apreciao por pequenas
coisas que se faam por ele,  uma dica de que elas so
emocionalmente importantes para ele (ela). Atravs de "Formas de
Servir" voc lhe comunica amor de forma significativa. Quando voc
o ajuda com um projeto de cincias, isso significa mais do que uma
boa nota. O significado  "meu pai (minha me) me ama". Quando
voc conserta uma bicicleta, o que faz  muito mais do que devolver-
lhe "as rodas". Permite que ele saia com o tanque cheio. Se o seu filho
constantemente se oferece para ajud-lo com seus projetos de con-
sertos, provavelmente significa que, dessa forma, ele expressa amor,
e "Formas de Servir" possivelmente seja sua primeira linguagem do
amor.

                            TOQUE FSICO

      H anos tomamos conhecimento que o "Toque Fsico"  um
excelente comunicador emocional para crianas. Pesquisas tm
mostrado que bebs que recebem bastante colo desenvolvem-se
emocionalmente melhor do que os que no tm este privilgio.
Normalmente, os pais e os outros adultos seguram o beb, apertam-
no, beijam-no, afofam-no e dizem-lhe palavras carinhosas. Muito
antes de entender o significado da palavra amor, ele j se sente
amado. Abraos, beijos, cafuns, andar de mos dadas, so formas
de comunicar amor a uma criana. O abraar e beijar um adolescente
j  diferente do abraar e beijar uma criana. Ele no gostar disso
se voc tomar esta iniciativa na frente de seus amigos, mas no
significa que no queira receber afagos, especialmente se o "Toque
Fsico" for sua primeira linguagem do amor.
      Se seu filho adolescente costuma chegar por trs de voc e abra-
lo (a), empurr-lo (a), agarrar seu tornozelo ao andar, mexer com
voc, essas so indicaes de que "Toque Fsico"  importante para
ele.
      Observe seus filhos. Note como demonstram amor para os
outros. Essa  uma boa pista para se descobrir a linguagem do amor
deles. Anote os pedidos que lhe fizerem. Muitas vezes estaro
relacionados com a primeira linguagem do amor deles. Note as
coisas que mais gostam, pois tambm so indicadores para
descobrirmos sua primeira linguagem do amor.
       A linguagem do amor de nossa filha  "Qualidade de Tempo";
portanto, enquanto ela crescia, sempre fazamos longas caminhadas
juntos. Durante o perodo em que ela estudava na Academia Salm,
uma das mais antigas escolas para moas de nosso pas, passevamos
pelo pitoresco bairro da Salm antiga. Os moravianos restauraram a
cidade que possui mais de duzentos anos de idade. Caminhar pelas
ruas de pedra transportava-nos para os tempos passados de nossa
histria. Andar pelo antigo cemitrio comunicava-nos a realidade
entre a vida e a morte. Naqueles anos percorramos aqueles locais
trs tardes por semana e conversvamos muito entre as austeras
construes. Ela se formou em medicina, e sempre que vem  nossa
casa, faz a famosa pergunta:
     "Papai, que tal sairmos para dar uma volta?"
     Nunca recusei seus convites.
     Meu filho, porm, jamais caminhou comigo. Ele diz:
      "Caminhar  muito chato! Voc no vai a lugar nenhum. Se
quiser ir a algum local especfico, v de carro."
      A primeira linguagem do amor dele nada tem a ver com
"Qualidade de Tempo" dela. Como pais, sempre tentamos colocar
nossos filhos na mesma forma. Vamos a conferncias sobre as
crianas, lemos livros sobre como ser melhores pais, aprendemos
algumas boas idias e queremos chegar logo em casa para coloc-las
em prtica com cada um deles. O problema  que cada filho 
diferente e o que comunica amor para um, necessariamente no
transmite ao outro. Forar uma criana a caminhar a seu lado para que
voc possa ter "Qualidade de Tempo" com ela no comunicar
amor. Precisamos aprender a linguagem do amor de nossos filhos se
quisermos que eles se sintam amados.
      Acredito que a maioria dos pais realmente ama seus filhos.
Tambm admito que milhares de pais no conseguiram comunicar
amor na linguagem certa e milhares de crianas em nosso pas
vivem com o "tanque" emocional vazio. Acho que grande parte das
crianas com comportamento inadequado tem por trs um tanque
vazio.
      Nunca  tarde demais para se demonstrar amor. Se seus filhos
so mais velhos e voc percebe que durante anos falou com eles na
linguagem errada, por que no comunicar isso a eles? Que tal falar-
lhes assim:
      "Sabe de uma coisa, li um livro sobre como se demonstra amor e
percebi que, durante anos, nunca expressei carinho por voc da
forma mais adequada. Tenho tentado de mostrar meu amor atravs
de; porm, agora percebo que essa forma provavelmente no lhe
comunicou meu carinho, pois sua linguagem do amor  outra. Chego
 concluso que sua linguagem do amor possivelmente seja . Como
voc sabe muito bem, eu sempre o (a) amei, e espero que no futuro
consiga expressar-lhe isso da melhor maneira possvel."
      Talvez voc queira at explicar as cinco linguagens do amor
para eles e conversar sobre a sua e a deles.
      Talvez seja voc quem no se sinta amado (a) por seus filhos
mais velhos. Se forem maduros o suficiente para entender o conceito
das linguagens do amor, sua conversa poder abrir-lhes os olhos. 
bem provvel que se surpreenda com a boa vontade deles em tentar
falar sua linguagem do amor e, quando o fizerem, surpreender-se-
como seus sentimentos e atitudes para com eles comearo a mudar.
Quando os membros de uma famlia comeam a falar a primeira
linguagem do amor um ao outro, o clima emocional aumenta
grandemente.


                  14. Uma Palavra Pessoal

      No captulo dois, preveni o leitor que entender as cinco
linguagens do amor emocional e aprender a falar a primeira
linguagem do amor de seu cnjuge, poderiam afetar radicalmente o
comportamento dele ou dela. Agora, eu pergunto: O que voc acha?
Li vrios livros sobre este assunto, acompanhei as vidas de vrios
casais, visitei pequenas e grandes cidades, recebi em meu escritrio
de aconselhamento diversas pessoas e conversei com vrias delas
em restaurantes, etc. Estes conceitos tambm poderiam alterar
radicalmente o clima emocional de seu casamento! O que
aconteceria se voc descobrisse a primeira linguagem de seu cnjuge
e resolvesse fal-la de forma consistente?
      Nem voc nem eu podemos responder a esta pergunta sem
primeiramente test-la. Posso dizer que vrios dos casais que ouviram
estes conceitos em meus seminrios, disseram que o fato de
escolherem amar e expressar carinho na linguagem do amor de seu
cnjuge provocou uma enorme diferena em seus casamentos.
Quando a necessidade emocional de ser amado (a)  suprida, cria-se
um clima onde o casal consegue lidar com as outras reas da vida de
forma muito mais produtiva.
       Cada um de ns chega ao casamento com diferentes histrias
e personalidades. Levamos nossa bagagem emocional para nossos
relacionamentos conjugais. Cada um chega com expectativas
diferentes, com diversos enfoques das situaes e muitas opinies
sobre o que realmente importa na vida. Em um casamento saudvel
esta variedade de perspectivas deve ser harmonizada. No
precisamos concordar em tudo, mas devemos achar uma forma de
lidar com cada uma de nossas diferenas de forma que elas no se
tornem fatores de separao. Com "tanques" do amor vazios os ca-
sais tornam-se ausentes e at agressivos, seja verbal ou fisicamente,
ao colocarem seus argumentos em jogo. Porm, quando o "tanque"
do amor est cheio, cria-se um clima de amizade, compreenso e boa
vontade perante as diferenas, um clima propenso s negociaes
dos problemas que surgem no dia-a-dia do casal. Estou convencido
de que nenhuma outra rea do casamento afeta tanto o
relacionamento a dois quanto o suprir a necessidade do amor
emocional.
      A habilidade de amar, especialmente quando o cnjuge no
corresponde, parece ser impossvel para alguns. Esse tipo de amor
pode exigir que utilizemos nossos recursos espirituais. Muitos anos
atrs, quando me deparei com meus prprios problemas conjugais,
tornei a descobrir que precisava de Deus. Como antropologista, fui
treinado a examinar dados. Decidi, pessoalmente, fazer escavaes
nas razes da f crist. Examinei os registros histricos do nascimento,
vida, morte e ressurreio de Cristo; passei a ver sua morte como
expresso de amor e sua ressurreio como uma profunda evidncia
de seu poder. Tornei-me um cristo sincero. Entreguei-lhe minha vida
e descobri que ele nos prove a energia espiritual interior para amar,
mesmo quando o amor no  correspondido. Gostaria de encoraj-
lo a fazer sua prpria investigao sobre aquele que, ao morrer,
orou pelos que o mataram: "Pai, perdoa-lhes porque no sabem o que
fazem".
     Esta  a principal expresso do amor.
      A alta taxa de divrcio em todo o mundo evidencia o fato de
que milhares de casais vivem com o "tanque" do amor emocional vazio.
O nmero crescente de adolescentes que fogem de suas casas e
quebram lei aps lei indica que, muitos pais, apesar de bem
intencionados e de tentarem sinceramente expressar amor a seus
filhos, ainda falam com eles a linguagem do amor errada. Acredito
que os conceitos deste livro podem causar um impacto sobre os
casamentos e as famlias de quem o ler.
       No escrevi este livro para ser um tratado acadmico e guardado
nas bibliotecas dos colgios e faculdades, apesar de esperar que
professores de sociologia e psicologia o considerem como ajuda na
rea do casamento e da vida familiar. Eu o elaborei, no para os que
estudam o casamento, mas para os casados, que passaram pela
experincia eufrica da paixo, entraram no matrimnio com
sublimes sonhos de fazer um ao outro extremamente feliz, mas que,
com a realidade do dia-a-dia esto at em perigo de um rompimento
total.  minha esperana que milhares destes casais no somente
reencontrem seus sonhos, mas tambm descubram o caminho para
que seus ideais tornem-se realidade.
      Sonho com o dia em que o potencial dos casamentos seja
aproveitado para o bem do prprio homem, quando maridos e
mulheres puderem viver a vida com seus "tanques" do amor
emocional lotados, de forma a apoiarem-se para conseguir alcanar
no somente o potencial pessoal de cada um, como tambm o
conjugai. Sonho com o dia em que as crianas cresam em lares
cheios de amor e segurana, onde a energia progressiva seja
canalizada em aprendizado e em servio, ao invs de irem atrs do
amor que no receberam em casa.  meu desejo que este livro reavive
as chamas do amor em seu casamento e em outros milhares de matri-
mnios.
      Se fosse possvel, eu mesmo daria um exemplar deste livro a
todos os casais do mundo e diria:
    Escrevi este livro para vocs. Espero que ele cause mudanas
em suas vidas. E, se isso realmente ocorrer, por favor d outro
exemplar a mais algum.
      Contudo, como no posso fazer isso, ficaria muito grato se voc,
que o leu, presenteasse, com uma cpia, os seus familiares, irmos e
irms; seus filhos casados; seus funcionrios; seus colegas de clube,
igreja ou sinagoga. Quem sabe, juntos, veremos nosso sonho tornar-
se realidade.


  Guia de Estudo para os Cnjuges e Discusso em
                                  Grupo

                         Por James S. Bell, Jr.

                             Introduo

      Aps ler e refletir sobre os primeiros captulos deste livro,
encoraje seu cnjuge a fazer o mesmo. Depois, os dois estaro aptos
a realizar juntos os exerccios a seguir. Todos os "pensamentos
importantes" e perguntas so feitos diretamente para o esposo e a
esposa. Espera-se que, aps ler esta obra, ou no processo da feitura
dos exerccios, cada leitor descubra sua prpria primeira linguagem
do amor, seus dialetos, e sua segunda linguagem mais forte.
Portanto, as linguagens e captulos no sero aplicados da mesma
forma a ambos os cnjuges. Todas as perguntas relacionam-se dire-
tamente com o material de cada captulo.
       Por vrios motivos, especialmente se voc estiver passando por
algum perodo difcil na vida conjugai, seu (sua) esposo (a) talvez no
queira participar -- seja da leitura dos captulos iniciais deste livro ou
deste guia de estudo. Se este for seu caso, voc, em cujas mos
encontra-se esta obra, far os exerccios para que os benefcios deste
livro tornem-se realidade. Da mesma forma, se voc seguir as
diretrizes das questes apresentadas, seu cnjuge reagir de forma
positiva, mesmo sem ler os primeiros captulos ou discutir o guia de
estudo.
      Perguntas mais abrangentes que visam debates em grupos foram
adicionadas a cada captulo. Isso inclui um aspecto mais amplo que
vai alm das preocupaes do casal. Todas as propostas podem ser
usadas em grupos de estudo de casais. Seria aconselhvel que cada
lder destas equipes j tivesse experincia nessa rea. Material de
apoio pode ser utilizado para dar mais subsdios  discusso. Note
que as perguntas dos captulos 10 e 11 foram acopladas.
       Finalmente, no se condenem se vocs no conseguirem
responder as perguntas ou no fizerem as tarefas sugeridas. Elas so
sugestes que ajudam a colocar em prtica o que foi visto neste livro
e aplicam-se, diferentemente, aos vrios casais que o lerem. A
tentativa de expressar amor de forma mais eficiente baseia-se na
individualidade de cada cnjuge. Aprender e falar a linguagem do
amor de seu (sua) esposo (a) compensa o maior dos esforos.


1. O que Acontece com o Amor Aps o Casamento?

                      CONCEITO IMPORTANTE

      Devido ao fato de cada um de ns receber amor de formas
diferentes, mant-lo aceso em nossos casamentos  uma tarefa difcil.
Se no entendermos como nosso cnjuge recebe o amor, nossos
casamentos podero murchar e simplesmente no entenderemos o
porqu. Precisamos descobrir a forma de cada um receber amor.
Utilize uma folha de papel  parte e resolva as seguintes questes:
     1. Olhe para sua infncia. Voc se sentiu adequadamente
amado (a) por seus pais? Como eles expressavam amor por voc?
Com base nos resultados em sua vida, que impacto tiveram na
forma de voc comunicar amor a seu cnjuge?
     2. Faa uma lista das falhas e dos sucessos de seus pais, ao
comunicar-lhe afeio e afirmao. Que semelhanas voc v, na forma
em que expressa amor a seu cnjuge?
      3. Voc no diminuiu sua demonstrao de amor a seu cnjuge,
mas, apesar disso, ele cada vez mais reage negativamente.
Identifique, a seguir, duas reas problemticas nos ltimos dois anos:
1. atos de amor aos quais seu cnjuge no correspondeu; 2.
manifestao de uma frustrao devida a sua falta de cuidado, a qual
voc desconhece ou discorda. Qual  a verdadeira natureza do
problema?
       4. Faa uma retrospectiva e diga que livros, fitas, artigos, etc.
influenciaram-no (a) no que diz respeito  melhoria de sua vida
amorosa com seu cnjuge. Tente lembrar quando e como voc tentou
colocar em prtica o que aprendeu. Teve sucesso ou falhou? Por qu?
Eles tinham alguma implicao com as linguagens do amor?
      5. Procure lembrar-se de alguma poca em que voc tentou
comunicar amor atravs de alguma forma especfica e no foi
entendido (a); talvez no tenha sido rejeio, mas sim uma no
identificao. Por que boas intenes, sinceridade e promessas
cumpridas no so suficientes?

                    PARA DISCUSSO      EM   GRUPO

      Inicie um debate sobre a natureza da comunicao em geral e
como os mal-entendidos podem ocorrer, devido  complexidade das
vrias formas de linguagem. Como as circunstncias familiares (seu
gnero, seus valores, etc.) podem complicar mais o processo?


         2. Mantendo Cheio o Tanque do Amor

                       CONCEITO RELEVANTE

      O amor ocupa um lugar de destaque no comportamento
humano, apesar de suas muitas dimenses e interpretaes. O prprio
relacionamento conjugai existe para cultivar o amor e a intimidade.
O casamento tambm  o principal lugar onde um "tanque do amor"
pode ser enchido.
      1. Lembre-se de mais trs frases do tipo: "O amor faz o mundo
girar", as quais revelam a importncia que se d ao amor. Explique
o significado de cada uma delas e as implicaes em seu casamento.
      2. Costumamos desculpar comportamentos prejudiciais de
vrios tipos, ao atribu-los ao amor. Observe um exemplo desta
natureza em algum relacionamento prximo a voc, e sonde como um
conceito de amor distorcido contribui para o problema real.
       3. Focalize-se em seus prprios filhos ou em outras crianas da
famlia. Procure lembrar-se de um incidente, ou comportamento
inaceitvel que possa ser atribudos a algum perodo em que tenha
ocorrido alguma recepo inadequada de amor. Como a situao
teria sido melhor se elas estivessem com o "tanque do amor" cheio?
      4. O isolamento impede o crescimento do amor. Procure lembrar-
se de algum perodo em seu casamento, em que a separao fsica de
seu cnjuge tenha contribudo para que surgisse um clima de
distanciamento. Em seguida, reflita sobre o distanciamento emocional
ocasionado por um desacordo. Qual foi o resultado interno, em ambos
os casos, e como isso foi corrigido?
      5. Um tanque do amor vazio pode ser comparado ao motor de
uma carro sem leo. Seja criativo e faa mais duas analogias que
possam descrever de forma inteligente o andar "sem combustvel" na
vida conjugai. Como essas comparaes apontam a importncia de,
regularmente, dar e receber amor?

                    PARA DISCUSSO      EM   GRUPO

      Inicie um debate sobre o lugar ocupado pelo amor nos vrios
sistemas filosficos e teolgicos, os quais contriburam e contribuem
para o passado e o presente de uma civilizao saudvel. Como 
definido e como atua?


                      3. Apaixonando-se

                       CONCEITO IMPORTANTE

      Apesar da experincia de se apaixonar ser algo entusistico, ela 
curta e muito autocentralizada. O amor que realmente contribui para
o bem-estar emocional de seu cnjuge baseia-se na razo, vontade e
disciplina. Mas esta ltima seria suficiente para oferecer a
possibilidade de transformao e plenitude.
      1. Faa uma lista com duas categorias provenientes da poca
em que voc se apaixonou por seu cnjuge. Na primeira coluna,
coloque os sentimentos, convices, expectativas, etc., que mais tarde
transformaram-se em frutos que contriburam para o amor volitivo.
Na segunda lista, escreva aqueles sentimentos volveis, irreais, ou
mesmo prejudiciais, que no contribuem em nada para um
relacionamento idneo.
      2. Procure estabelecer um ponto aproximado na linha de seu
casamento, onde os sentimentos eufricos diminuram e voc
comeou a enxergar falhas em seu cnjuge. Tente recordar algumas das
dificuldades encontradas e tambm o crescimento resultante.
      3. Identifique sentimentos romnticos recentes em seu
casamento que tenham propiciado a volta de outros sentimentos
anteriores. Como foram integrados at que se tornaram uma forma
mais saudvel e benfica em um relacionamento mais profundo?
      4. Da mesma forma que voc desejou permanecer no pico do
primeiro perodo do namoro, talvez tambm esteja satisfeito com o
plat      de       seu    atual       relacionamento     amoroso.
Antes de acomodar-se, seja sincero a respeito da "qualidade total"
do amor que voc hoje oferece. De que forma
assemelham-se aos trs aspectos que o Dr. Peck identifica
como a iluso da paixo: 1. no provm de um ato da vontade; 2.
possui pouca disciplina e esforo consciente; e 3.
no se interessa genuinamente pelo crescimento do cnjuge?
       5. Cite trs atos dirigidos ao seu cnjuge, realizados no ltimo
ms, e que demonstram qualidades do amor verdadeiro: 1. foi
emocional, mas no obsessivo; 2. exigiu esforo e disciplina; 3.
baseou-se        na      razo      e     no      no      mero      ins
tinto; 4. foi em busca do crescimento pessoal do cnjuge.

                       DISCUSSO    EM   GRUPO

       Promova uma busca aos componentes emocionais, psicolgicos,
fisiolgicos e espirituais tanto da experincia da paixo como do
amor verdadeiro e altrusta.


 4. A Primeira Linguagem do Amor: Palavras de
                             Afirmao

                       CONCEITO IMPORTANTE

      Elogios, palavras de encorajamento e pedidos, ao invs de
ordens, afirmam a auto-estima de seu cnjuge, alm de criar
intimidade, curar feridas e permitir livre expanso de seu potencial.
       1. Separe uma semana para que seu cnjuge compartilhe seus
sonhos, interesses e talentos. Oua-o (a) com empatia e tome
conhecimento dos detalhes. Aps colocar-se no lugar dele, encoraje-o
(a) amorosa e sinceramente, e oferea-se para ajud-lo (a) a atingir seus
alvos, de todas as formas possveis.
      2. A convivncia poder gerar contentamento ou grosseria, nas
mais variadas formas. Avalie algumas caractersticas de seu
relacionamento na ltima semana. Sua tonalidade de voz esteve
spera, sua atitude sarcstica ou seu ponto de vista muito crtico?
Sua observao tem estado mais nas falhas de seu cnjuge? Resolva
essas questes e pea perdo.
       3. Avalie seu estilo de relacionamento em termos de padres de
comunicao. Suas palavras refletem pedidos, sugestes e
solicitao de orientao? Ou elas soam como exigncias, ultimatos
ou mesmo ameaas? Lembre-se de que escolha, liberdade de opinio e
servio voluntrio so aspectos-chaves do amor. Como voc pode
melhorar sua comunicao verbal com seu cnjuge?
      4. Existe uma variedade infinita de formas de gentileza,
intimidade e apoio que podem ser utilizadas na comunicao verbal
com seu cnjuge. Como o texto sugere, comece a fazer uma caderneta
de apontamentos chamada de "Palavras de Afirmao", na qual voc
dever registrar for mas positivas e criativas de elevar seu cnjuge,
mesmo que seja nas menores coisas. Auto-ajuda e literatura
inspirativa so muito importantes.
       5. O casamento de Bill e Betty Jo melhorou tremendamente
com uma simples estratgia. Cada um deles fez uma lista de coisas
que apreciava no outro. Depois, duas vezes por semana elogiavam-se
mutuamente com base em suas listagens. Faa o mesmo com seu
cnjuge. Antes de comear, talvez seja bom dar mais uma olhada nas
listas de Bill e Betty. Aps o incio dessa prtica, a deciso a ser
tomada
 quanto  continuidade da mesma por dois meses, conforme
surgirem as oportunidades.

                    PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

      O tpico para discusso  o poder da palavra e sua capacidade
de determinar destinos de pessoas ou mesmo de naes. Como as
expresses verbais podem nos cegar, nos libertar e ditar a imagem
que fazemos de ns mesmos e do mundo que nos rodeia?


 5. A Segunda Linguagem do Amor: Qualidade de
                              Tempo

                      CONCEITO IMPORTANTE

     Gastar tempo compartilhando, ouvindo e participando juntos
em atividades significativas comunica que realmente nos
preocupamos e apreciamos um ao outro.
      1. "Minha profisso exige muito de mim"  uma justificativa
caracterstica para no gastar "Qualidade de Tempo" com seu
cnjuge. Sucesso e coisas materiais no so substitutos da intimidade.
Estabelea um plano juntamente com seu cnjuge, e vise equilibrar
suas responsabilidades de forma a oferecer uma "Qualidade de Tempo"
adequada.
       Sacrifcios sero necessrios para as negociaes a serem
feitas.
     2. Bill percebeu que a primeira linguagem de Betty Jo era
"Qualidade de Tempo". Ento fez uma lista das coisas que ele sabia
que ela apreciaria realizar com ele. Caminhadas, frias ou
simplesmente mais conversas com as crianas, implicavam em
compartilhar mais de si em meio a atividades significativas. Crie sua
prpria lista e faa um compromisso de dois itens durante os
prximos dois meses.
      3. Traga  sua mente o maior problema, ou desafio, enfrentado
por seu cnjuge. Escreva formas de como voc poderia melhor
atender os seguintes itens: a. menos conselho e mais empatia; b. mais
compreenso e menos soluo; c. mais perguntas e menos concluses;
d. mais ateno  pessoa e menos ao problema.
      4. Descubra a importncia que "atividades compartilhadas"
possui em seu casamento. Separe trs experincias que os tenham
unido e ainda  uma fonte de afetuosas recordaes. Estas
experincias envolveram "Qualidade de Tempo" em atividades
compartilhadas? Planeje um novo evento que potencialmente venha a
se tornar outra fonte agradvel de recordao.
      5. Seja honesto quanto ao papel dos sentimentos em sua vida.
Quando a expresso destes contribuiu para uma soluo saudvel de
um problema ou para a concluso positiva de uma situao? Acima
de tudo, voc reprime ou teme suas emoes? Voc explode ou as
mascara? Como elas afetam seu cnjuge? Como o aspecto
emocional de seu casamento pode ser melhorado?

                    PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

      A discusso deve se dirigir  idia de que as atividades a serem
compartilhadas pelo casal devem ser criadas segundo os interesses
dos dois, de forma que ambos os cnjuges venham a apreci-la. Um
segundo tpico  o dedicar tempo, como tambm mente e corao,
aos interesses de seu cnjuge, o que inicialmente no era feito.
   6. A Terceira Linguagem do Amor: Receber
                             Presentes

                       CONCEITO IMPORTANTE

      Presentes so smbolos visuais do amor, sejam eles comprados,
feitos por voc, ou simplesmente sua presena disponvel para seu
cnjuge. Presentes demonstram que voc se importa e representam
o valor de um relacionamento.
      1. O valor de um presente pode ser visto nos olhos de quem o
recebe. Talvez voc no aprecie um presente recebido. Considere a
inteno de quem deu, e reoriente seu prprio pensamento para valorizar
o amor demonstrado pelo doador.
       2. Coloque em prtica o conselho dado pelo autor e faa uma
lista dos presentes que voc deu ao seu cnjuge no passa do. Alm
disso, pea a opinio de outras pessoas que conheam o gosto dele
(dela). Depois, decida dar presentinhos de amor, por mais simples
que sejam, que se alinhem com as preferncias apontadas, de
preferncia uma por se mana durante o prximo ms.
      3. Talvez em sua mente presentes e finanas no combinem
muito bem em sua situao atual. No entanto, o ato de dar presentes
pode ser encarado como um investimento em seu mais importante
"tesouro". Procure v-lo como uma forma de poupana ou mesmo de
segurana. Reveja seu oramento e, sacrificialmente, invista mais em
seu cnjuge.
      4. Se a primeira linguagem do amor de seu cnjuge for "Receber
Presentes", isso talvez requeira que voc, por algum tempo, abra
mo de suas prioridades. Procure recordar-se de situaes, nos
ltimos anos, em que sua presena foi grandemente aguardada (como
um presente) por seu cnjuge e voc no pde estar l. Mas... voc
deveria ter esta do. Em plena conscincia, planeje estar na prxima
vez.
    5. Lembre-se de que o presente de sua presena vai alm de seu
comparecimento fsico. Procure, durante uma semana, compartilhar
pelo menos um acontecimento importante ou sentimento, que tenha
ocorrido em seu dia. Solicite o mesmo de seu cnjuge.

                    PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

     Compartilhe exemplos de tipos diferentes de presentes dados
nas mais variadas culturas, tradies de famlia e tipos de
personalidade. Como eles demonstram amor e por que so
considerados de valor?


    7. A Quarta Linguagem do Amor: Formas de
                               Servir

                       CONCEITO IMPORTANTE

      Se algum critica seu cnjuge por ele deixar de fazer algo para
ele, pode ser uma indicao de que "Formas de Servir" seja sua
primeira linguagem do amor. "Formas de Servir" nunca deveria
acontecer por coao; porm deve ser dada e recebida livremente, e
sua realizao solicitada.
      1. Mesmo que desejemos atender s solicitaes de nosso
cnjuge, sempre fazemos do nosso jeito e em nossos termos. O
servio feito com amor significa atender as expectativas. Pea
especificaes relativas s tarefas solicitadas e execute-as exatamente
como recomendadas.
       2. Escolha trs tarefas que no sejam complicadas, mas que
sejam "humilhantes". Voc no tem que, necessariamente, apreci-
las para poder faz-las, mas seu cnjuge ficar muito feliz se voc as
fizer por ele. Surpreenda-o executando-as sem que seja solicitado.
      3. Muitos casais pensam que, em seu relacionamento, j su-
peraram o papel estereotipado relativo aos sexos. Porm, influncias
inconscientes ainda permanecem. Discutam seus genunos
sentimentos sobre compartilhar todas as atividades e o histrico de sua
famlia nesse particular.
      4. Olhe novamente para a lista de solicitaes de "Formas de
Servir" feita por Mark e Mary. Escolha quatro tarefas as quais
apreciaria que seu cnjuge fizesse para voc. Certifique-se de que
realmente as recebe e trabalhe nos ajustamentos, os quais devem ser
baseados no amor mtuo e no em coao ou em alguma troca
legalista.
      5. Muitos problemas provm do mito que, aps o casamento,
deve-se abandonar o cortejar do perodo de namoro. Tente lembrar-
se da profundidade do amor e intimidade resultantes das mais
variadas "Formas de Servir" utilizadas naquele perodo. Para
resgatar a proximidade, tente fazer algumas das antigas "Formas de
Servir", e tente perceber se ainda so pertinentes  situao.

                    PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

      Utilize dois diferentes pontos de vista que indivduos e
sociedades tm mantido durante sculos: 1. realizao e felicidade
residem no fato de se estar no auge e ter outras pessoas a seu servio;
ou 2. realizao e felicidade encontram-se em servir aos outros, de
forma que se descubra o significado do amor atravs da dedicao
voluntria.


   8. A Quinta Linguagem do Amor: Toque Fsico

                       CONCEITO IMPORTANTE

     O "Toque Fsico", como gesto de amor, toca no mais
profundo de nosso ser. Como linguagem do amor,  uma forma
poderosa de comunicao, seja um simples toque no ombro ou o
mais apaixonado dos beijos.
      1. Elimine todas as formas negativas de toque fsico. Se voc
chegou alguma vez a machucar seu cnjuge, mesmo de leve, pea
perdo e exera seu autocontrole. Se houver certos tipos de toque que
aborream, pare com eles e substitua-os por outros que sejam
agradveis.
      2. Talvez voc e seu cnjuge nunca tenham compartilhado um
com o outro sobre os tipos de toque que apreciam. Conversem sobre as
dimenses emocionais, sexuais e psicolgicas relacionadas com todas
as reas do corpo.
      3. Faa uma lista de todas as circunstncias, localizaes e
todos os tipos de toques apropriados, que enriqueam seu
relacionamento fsico. Por exemplo, qual  o ponto e a natureza do
toque fsico que voc deseja ao entrar ou sair do carro? Se vocs
pensarem diferentemente a este respeito, cheguem a um acordo, e
cada um pense primeiramente em agradar o outro.
      4. V novamente at as pginas onde esto Patsy e Pete. Para
ele era relativamente fcil expressar seu desejo por "Qualidade de
Tempo". Ela, porm, achava muito difcil solicitar os toques fsicos,
especialmente na rea sexual. Por que voc acha que isso ocorria assim?
Seu cnjuge no pode ler sua mente. Difcil, ou no, precisamos
compartilhar nossa necessidade de amor e a linguagem atravs da qual
nos sentimos mais amados. Por que no separar um tempo para
conversar com seu cnjuge sobre isso? A necessidade de toque fsico 
mais difcil de se admitir, mesmo que seja para ns mesmos.
Especialmente na rea sexual, seja honesto com seu cnjuge e com voc
mesmo sobre onde no se sente amado (a) ou mesmo inseguro (a),
especialmente           porque            a         maioria          de
ns percebe que nossos corpos so imperfeitos.
      5. As crises em nossas vidas surgem por morte, enfermidades
srias, e coisas do gnero. No entanto, tambm podem incluir
pequenos traumas cotidianos que causam grande impacto
emocional. Esteja presente com palavras de cuidado, carinho, e toque
gentil, ao invs de utilizar o silncio ou as palavras vazias.

                    PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

     Dirija a conversa para os mistrios da emoo relacionados ao
"Toque Fsico". Por exemplo: algumas vezes nossos "tanques"
emocionais imploram por um abrao, quando algo nos machuca.
Outras vezes, porm, no desejamos que ningum nos toque de forma
alguma. Humor, atitudes e percepes afetam em nossa deciso de
querermos ou no ser tocados, abraados ou manter relaes
sexuais.


9. Descobrindo Sua Primeira Linguagem do Amor

                      CONCEITO IMPORTANTE

      H algumas perguntas bsicas e essenciais que devem ser
respondidas para se descobrir nossa primeira linguagem do amor. O
que voc mais aprecia? O que faz com que voc se sinta mais amado
(a)? O que mais profundamente a (o) magoa? O que deseja acima de
tudo? Essas respostas oferecem dicas muito importantes.
       1. Muitos de ns se esforam para que o sexo seja algo apreci-
ado pelos dois. Focalizamos em tcnica, freqncia e variedade. No
entanto, grande parte deste esforo tem a ver com o estado emocional
de nosso "tanque" do amor. Pense sobre seu relacionamento e em
como evidenciar mais o lado emocional, o que tambm melhorar o
relacionamento fsico.
      2. Muitas vezes expressamos amor em nossa prpria primeira
linguagem do amor, ao invs de tentar descobrir qual  a primeira
linguagem de nosso cnjuge. Olhe para trs, quando sentia que
comunicava seu amor de forma adequada. Voc utilizava a sua
primeira linguagem do amor, ou a de seu cnjuge? Est disposto (a) a
fazer um novo compromisso, de forma a falar a primeira linguagem
do amor de seu cnjuge?
      3. Se voc ainda tem alguma dificuldade na autocompreenso do
que se relaciona com as linguagens do amor, talvez seu "tanque"
emocional esteja muito cheio ou muito vazio. Faa um levantamento de
suas emoes mais profundas e avalie qual caso  verdadeiro. Se o seu
"tanque" est vazio, pergunte-se: Eu j me senti amado (a) em minha
vida? Se a sua resposta for positiva, minha outra pergunta : Quando?
O que o (a) faz sentir-se amado (a)? Sua resposta revelar sua
linguagem do amor.
    4. Se seu "tanque" do amor est muito cheio, volte ao tempo do
namoro e reavive sua memria. Essa prtica ajudar a chegar  raiz
do que era importante e resolver o mistrio. Ento, poder
compreender melhor e trabalhar para afinar ainda mais o seu
relacionamento conjugal
       5. Esteja seu "tanque" do amor completamente vazio, ou muito
cheio, tenha voc j descoberto, ou no, sua linguagem do amor,
jogue o "Checagem de Tanque" durante o prximo ms. Solicite uma
leitura dos resultados de 0 a 10, trs vezes por semana e ento pea
sugestes a seu cnjuge para que a medida possa subir para ele (ela).
Se seu cnjuge estiver no "dez", voc pode congratular-se; porm
no pare de amar.

                    PARA DISCUSSO      EM   GRUPO

       Muitas vezes, para se atender as necessidades de nosso cnjuge,
precisamos adquirir novas habilidades -- mesmo que seja algo bsico
como se "lavar roupas sujas". Debatam sobre como os casais precisam
ser pacientes e dar instrues para que possam atingir o mximo da
realizao em seus casamentos.


10 e 11. Amar  um Ato de Escolha & O Amor Faz
                            a Diferena

                       CONCEITO IMPORTANTE

      Optar por amar na linguagem de nosso cnjuge oferece muitos
benefcios. Pode curar feridas do passado e fornecer um sentimento
de segurana, autovalor e significado. As caractersticas instintivas da
paixo diferem grandemente do ato da escolha, que  baseada na
vontade e pode suprir a mais profunda necessidade emocional do
cnjuge.
      1. Como Brent no captulo 10, nosso "tanque" do amor pode
estar quase vazio sem que saibamos o porqu. No queremos magoar
nosso cnjuge, mas podemos ir atrs de muitas formas imprprias
para tentar suprir nossa carncia. Avalie honestamente estes
pensamentos e aes,  luz das necessidades no supridas. H
alguma forma melhor de suprir suas carncias? Voc estaria disposto
(a) a investir dois meses e testar o velho ditado: "Dai e vos ser
dado?" Por que no comear hoje mesmo e ver o que acontece?
      2. Um alvo mais elevado  amar pela satisfao de dar, ao
invs de receber. Examine suas mais recentes expresses de amor a
seu cnjuge. O que voc esperou receber em troca? Se no receber
alguma coisa em troca, isso alterar seu comportamento? Algumas
vezes esperamos resultados imediatos. Lembre-se: "Roma no foi
construda em um s dia!" O amor  mais importante do que a
construo desta cidade. D um tempo.
      3. Focalize, agora, os atos de amor que seu cnjuge aprecia ria,
mas que no so naturais em voc. Quem sabe deixou de faz-los e
precisa agora que seu cnjuge, honestamente, o relembre.
     4. Significado, autovalor e segurana. Estas trs coisas so
imprescindveis ao nosso bem-estar. Sejam abertos e vulnerveis um
com o outro, e compartilhem a impossibilidade de atingi-los sem o
amor e atos de ambos.
      5. A utilizao da linguagem errada no  uma experincia
neutra, mas sim extremamente negativa. Consulte no captulo 11 a
experincia de Jean e Norman. O conflito extremo de 35 anos
baseava-se em um simples mal-entendido. Reveja as reas de conflito
e como elas se relacionam com uma nfase imprpria na linguagem
de amor errada.

                    PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

      Muitas vezes os casais procuram obter segurana ou
autovalor ao coagir ou manipular um ao outro na tentativa de suprir
suas necessidades emocionais. Por outro lado, uma dedicao total de
seu melhor ao cnjuge no garante que receber amor em troca.
Debata sobre o risco que existe de no se chegar a ter as
necessidades supridas, mesmo que se oferea o melhor. Que outros
princpios alm da linguagem do amor podem melhorar um
casamento?
    12. Amando Quem No Merece Nosso Amor

                      CONCEITO IMPORTANTE

       possvel, porm difcil, expressar amor para quem no merece
nosso carinho. Mesmo que sejamos destratados (as) e aborrecidos
(as), sem qualquer sentimento positivo, a no ser a dor. Apesar
disso, atitudes positivas baseiam-se na escolha, no nos sentimentos.
A aplicao da linguagem certa do amor oferece possibilidades
milagrosas.
      1. Se o seu casamento est com srios problemas, como os
descritos neste captulo, voc deve estabelecer um srio
compromisso da vontade, para assumir a experincia que se segue: H
riscos de dor e rejeio, mas existe tambm a possibilidade de que seu
casamento torne-se saudvel e realizado. Avalie os custos, pois 
vlido tentar. Os quatro passos a seguir (itens 2 a 5) provavelmente
levaro por volta de uns seis meses para atingir resultados
semelhantes  situao de Glenn e Ann. A f na ajuda de Deus au-
mentar grandemente as chances de sucesso.
      2. Pergunte como voc pode tornar-se um cnjuge melhor e, no
que diz respeito  atitude do outro, aja com base na informao da
resposta. Continue tanto na busca de mais informao, como na
procura de atender aos desejos que lhe forem apresentados com todo
seu corao e vontade. Assegure seu cnjuge de que seus motivos
so puros.
      3. Quando receber um "relatrio" positivo saber que existe
progressos. Solicite a seu cnjuge um pedido no ameaa dor mas
especfico para facilitar-lhe as respostas. Quer ele (ela) responda
imediatamente, ou no, pea um relatrio a cada ms. Certifique-se
de que se relaciona com sua primeira linguagem do amor para que
comece a encher seu "tanque" vazio.
      4. Quando seu cnjuge responder e suprir sua necessidade voc
estar apto (a) a corresponder no somente com a vontade, mas
tambm com as emoes. Se no houver reao, continue com um
retorno positivo e afirmao.
      5. Se o seu casamento desenvolver-se, certifique-se de no
"descansar sobre os louros" e esquecer a linguagem e as
necessidades dirias de seu cnjuge. Voc est no caminho da
realizao de seus sonhos, mas continue assim. Mantenha o registro
de suas atividades para avaliar o progresso.

                    PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

      Muitos casamentos terminam em divrcio devido a uma recusa
em humilhar-se e a servir um ao outro, mesmo em meio  rejeio.
Debatam os mritos dos ensinos de Jesus Cristo neste captulo, e tambm
em Lucas 6.27. "Amai vossos inimigos". Reveja tambm o significado
das atitudes do Mestre, quando lavou os ps de seus discpulos (Jo
13.5,12-17).


        13. Os Filhos e as Linguagens do Amor

                       CONCEITO IMPORTANTE

     As cinco linguagens do amor aplicam-se tambm aos filhos,
apesar deles no estarem conscientes de suas prprias necessidades e
poderem, ou no, entender suas devidas atitudes.
      1. Palavras de Afirmao --Ao educarmos nossos filhos, te
mos a tendncia de criticar suas falhas. Se extrapolada, esta atitude
pode provocar conseqncias nefastas em sua vida adulta. Determine
a si mesmo elogiar seu filho por toda atitude correta que ele praticar
na prxima semana. Um mnimo de dois elogios ao dia  um bom
alvo.
      2. Qualidade de Tempo -- Desa ao nvel de seus filhos. Des-
cubra os interesses deles e procure conhec-los o mximo possvel.
Quando estiver com eles, fique totalmente presente, dando a eles
ateno integral. Separe um momento dirio para gastar com cada
um de seus filhos, nem que sejam poucos minutos por dia, mas d-
lhes "Qualidade de Tempo". Coloque isso como prioridade em sua
vida.
      3. Receber Presentes -- Presentear exageradamente um filho
pode fazer com que estes brinquedos tornem-se sem sentido, e
tambm transmitir  criana um falso valor das coisas. No entanto,
presentes peridicos, premeditadamente escolhidos e dados
juntamente com palavras afirmativas do tipo: "Eu amo voc; ento
quis lhe trazer este presente", podem ajudar a suprir a necessidade
de amor de uma criana. Da prxima vez que voc comprar ou ofere-
cer um presente a seu filho (a), expresse amor verbalmente quando for
entreg-lo. (Outra forma de expressar amor a seu filho  negar-se a
dar a ele algo que seja inadequado: "Eu amo voc; por isso no vou
lhe comprar uma cobra como animal de estimao!")
      4. Formas de Servir -- Apesar de voc constantemente realizar
as coisas por seu filho, na prxima vez que terminar uma tarefa que
seja especialmente significativa para ele, faa questo de dizer que
realiza aquilo porque o (a) ama muito. Escolha algo que no seja
especialmente agradvel a voc, mas que seja muito importante para
ele. Adquira uma nova habilidade na rea acadmica ou mecnica,
para ficar um pai mais completo.
      5. Toque Fsico --Abraos, beijos e toques adequados so
muito importantes para o "tanque" emocional de seu filho. Leve em
considerao "a idade, o temperamento, a linguagem do amor, etc.,
de cada filho e determine uma aproximao especial nessa rea.
Quando eles crescerem, voc precisar aprender a ser mais sensvel,
mas tambm deve continuar com o hbito de toc-los para a afirmao
dos mesmos.
      6. Em caso de descobrir a primeira linguagem do amor de seu
filho, ponha sua ateno nisso e use-a regularmente. Porm, no
negligencie as outras quatro. Elas podero ter muito significado uma
vez que voc j aprendeu a falar-lhe em sua primeira linguagem.

                   PARA DISCUSSO     EM   GRUPO

     Destaque a importncia tanto de descobrir como de
compartilhar o conceito das linguagens do amor com seus filhos. Isso
deve ser feito baseado no nvel de compreenso, e leve em conta,
primeiramente, a idade de cada um dos mesmos. Encoraje-os a
expressar as opinies deles a respeito de suas prprias linguagens do
amor. Conte-lhe tambm qual  a sua e a de seu cnjuge. Como esta
prtica pode ser feita em culturas e contextos familiares diferentes?

       *******************************
Para informao sobre as duas sesses (cada uma tem 30 minutos
aproximadamente) da Verso em Vdeo das Cinco Linguagens do
Amor, escreva para:
                                LifeWay Press
                          127 Ninth Avenue, North
                             Nashville, TN 37234
                          Telefone: 1-800-458-2772


Cada fita de vdeo inclui duas cpias do Guia de Instrues e uma do
livro.
Alm dos livros, Dr. Chapman apresenta regularmente um seminrio
aos finais de semana, intitulado "VISANDO UM CASAMENTO
MADURO". Os horrios so: sexta-feira  noite, 17h-19h30 e sbado
9h-14h30.
Para informaes adicionais e contato em Chicago, Cleveland,
Davenport (Quad Cities), Spokane, West Palm Beach, St. Petersburg,
Chattanooga e Grand Rapids. escreva para:
                              Chapman Seminar
                             820 N.LaSalle Blvd.
                              Chicago, IL 60610
                           Telefone: (312) 329-4401


Para informaes e contato em outros locais, escreva para:
                         Chapman Seminar, MSN199
                            127 Ninth Ave, North
                            Nashville, TN 37234
                          Telefone: (615) 251-2277

                                 ***
                      PARABNS!
      Voc acaba de ler mais um livro publicado por uma editora que
faz diferena no mercado editorial.
      Caso tenha algum comentrio ou sugesto, escreva, citando o
livro que leu, para:




                 EDITORA MUNDO CRISTO
               Caixa Postal 21.257, CEP: 04698-970
                          So Paulo - SP
       Caso queira conhecer outros livros da Editora Mundo Cristo,
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